Pior

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Como um "especial" de natal eu resolvi atualizar dois cap de uma vez, espero que gostem...
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Feliz Natal, anjinhos ❤
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Jimin sabia que estava pior, pior do que quando tudo começou, criou novos medos e tinha plena consciência disso, mas sair deles era difícil, ouvia as mesmas frases de seus avós, dos pais e da psicóloga, mas é mais fácil falar do que fazer. Seu coração acelerava, mesmo se distraindo ou tomando remédios passava mal, tinha crises, acabava se rendendo aos medos e fazia de tudo para os evitar

Antes conseguia ficar sozinho na própria casa, agora não mais, se seus pais saem ou vão para a casa da avó vai junto, não fica sozinho de forma alguma, nem por um minuto, quando fazia isso já sentia o coração acelerar, as mãos soarem, típicos sinais de crise

Também criou uma tremenda dificuldade com espera, já não era muito bom nisso antes, depois do ocorrido naquele dia piorou, se começasse a demorar muito logo ligava que aquele dia ia se repetir, mesmo que não fosse, na hora do desespero não pensava nisso, só pensava em voltar para casa onde teria seu conforto e sua família para o ajudar

Com viagens têm desde pequeno, sempre teve que se entupir de remédios para que dormisse em uma viagem, já que passava muito mal e se sentia tonto, às vezes que ficava acordado vomitava e quando saía do carro estava cambaleando e precisava ir deitar um pouco, desde os onze anos toda vez que rodava, abaixada ou às vezes só por estar deitado se sentia tonto, sua mãe já havia falado o que o garoto tinha, afinal o avô e a própria tinham os mesmo sintomas, ela falou que o garoto tinha labirintite e que iria marcar o exame para garantir se tinha ou não. O problema era que agora mesmo em viagens curtas de menos de vinte minutos se sentia mal, ficava tonto nas curvas e no carro já ficava naturalmente ansioso, acabava tendo crises no banco de trás, uma vez até chegou a vomitar e pedir para parar igual quando tinha oito anos. Foi um caos e sua mãe arrumou como solução ir sempre atrás com o garoto deitado em seu colo e andar com sacolas na bolsa, se se sentir mal a mulher estava ali para lhe ajudar e distrair, Jimin também a achou a sua solução, algo que ajudava até para esperar, baixar vídeos, baixava vídeos longos de vinte minutos, mais de três, também tinha os para emergência se demorasse e no fundo sempre acabava tendo que usar eles, mas pelo menos o ajudavam a evitar crises, logo aquilo virou uma mania, mais uma nova dependência, se não tivesse os vídeos, não saia de casa

O Park estava cada vez pior, dava um passo para frente e três para trás. 

[···]

Diary of Park Jimin, day fourteen

Oi, parece que voltei

Como sempre com ótimas notícias, minha psicóloga tá desistindo de mim, que ótimo, não? 

Ela não literalmente falou que estava desistindo, mas disse que achava que não poderia mais me ajudar e que eu deveria passar com outra profissional

E eu realmente não vou conseguir me acostumar com outra, quando eu era menor a minha psicóloga também falou que achava que seria melhor eu passar com outra pessoa e adivinha?! Eu mal falava com aquela mulher

Não sou bom para me adaptar a coisas novas, nunca fui, eu já me acostumei com ela, já sinto que posso contar mais coisas e olha que isso demorou mais de um ano, justo na primeira vez que eu desabafo no nível de chorar com ela e contar como me sinto ela vem e fala que não acha que não pode me ajudar

Depois eu me fecho de novo, não falo nada para ninguém e o povo acha estranho

Acho que nunca contei sobre esse tratamento de quando eu era menor, normalmente eu falaria "outro dia" e nunca contaria, mas... Sei lá, já desabafei com a psicóloga, até com a minha mãe, acho que estou mais aberto para falar hoje

Esse daí foi o meu primeiro, quando eu tinha meus plenos oito aninhos e tive depressão, pois é, o povo acha estranho quando eu falo que tinha depressão com oito anos, mas caralho???? O que você esperava de uma pessoa que apanhava do irmão diariamente, na escola sofria bullying dos alunos, na natação da professora, tinha uma autoestima inexistente, cada dia que passava só queria desistir para não enfrentar aquilo e ainda por cima estava mega triste pela mãe ter perdido o bebê e nosso cachorro ter morrido, eu mal tinha amigos para conversar, fiquei mal naquele tempo, não tinha  vontade para mais nada, não queria fazer nada, não queria sair de casa, não queria conversar, não queria brincar, não tinha força de vontade e nem queria ficar vivo, por isso mesmo tentei suicídio naquele tempo, sem ninguém saber, ninguém sabe até hoje em dia na verdade, mas tem uma cicatriz no meu pulso, acho que já contei dela, não me lembro

Porém, eu já falei muito hoje, chega, já falei mil vezes e vou repetir, minha mão vai cair logo logo, então...

Até a próxima

Jimin's life diary (Hiatus)Onde histórias criam vida. Descubra agora