- Mamã, a vó deu-me isto!
Tiago mostra-me o chupa que tem na mão. Maneio a cabeça. A minha mãe gosta sempre de deixar ao Tiago um doce para ele comer depois. Pego no chupa e coloco-o em cima da mesinha de cabeceira.
- Fica aqui e amanhã comes, sim?
- O papá?
Suspiro. O Tiago pergunta bem. Estávamos os dois com o Tiago, a deitá-lo, quando ele recebeu um telefonema e saiu do quarto.
- O pai já vem, não te preocupes.
- Ele volta já?
Sorrio e passo a mão pelo cabelo do meu filho.
- Claro. Ele está aqui em casa e não vai desaparecer tão cedo...
A porta do quarto do Tiago abre.
- Vês? - O meu filho acena veementemente e sorri.
- Estavam à minha espera?
O André senta-se ao meu lado e coloca a mão na perna do pequeno do Tiago.
- Claro. Estamos sempre...
Ele beija-me a testa. O André percebe que as minhas palavras vão muito mais além do que uma resposta a uma simples pergunta. Elas significam compromisso.
- Mas, já são horas para o campeão estar a dormir...
- A vó deu-me um chupa verde!!
O André ri-se.
- Era melhor se fosse vermelho...
- Benfica! - diz o Tiago e todos sorrimos.
Ficamos com ele até que sentimos que ele já adormeceu.
- Teve um fim de semana cheio de doces, é o que é...
- Os avós são mesmo assim... os teus pais não são diferentes dos meus.
- Verdade... - estou prestes a lhe perguntar se se passava alguma coisa. Mas, ele adianta-se.
- Nós também tivemos um fim de semana muito doce...
Solto uma leve gargalhada, mas tento controlar-me, senão vou acordar o Tiago.
- Não acredito que foste tão piroso...
- Posso ter sido piroso, mas disse a verdade. E não te queixaste muito...
Maneio a cabeça e olho fixamente para ele. O André faz o mesmo e ele sabe como isso me agrada.
Levanto-me devagar.
- É melhor deixarmos o Tiago dormir, não?
--
- André... - gemo o seu nome, não me consigo controlar. Ele entra e sai, entra e sai num ritmo preciso e assertivo. Sim, é assertivo, fazendo sentir que eu sou o que de mais precioso ele tem nas suas mãos. Quando penso que ele vai, finalmente, deixar-se vencer e entregar-me tudo o que tem, ele pára e recomeça até me levar ao auge, mais uma vez, nesta noite, prevenindo-me de gritar o seu nome, beijando-me.
Agarro-lhe o cabelo ainda com mais força e aperto-o contra mim. O André liberta-se e ele próprio geme, com o seu nariz junto ao meu.
--
- Deus... - beijo-lhe o pescoço - o teu sabor, o teu cheiro... deixas-me sem pé... - beijo-o intensamente.
Desvio-me um pouco e beijo a sua face.
- Sabes que... cada vez que estamos assim, continua... continua a ser o momento em que parece que nada mais existe...
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A Vida em Livro II
RomansaContinuação da história de André Almeida e de Luísa. Juntos há quatro anos, com um filho de três, Tiago. André Almeida assume um novo desafio no SL Benfica como representante do clube, ao mesmo tempo que termina a sua licenciatura em gestão. Tudo pa...