Capítulo Um - Bruce

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Na faixa de aceleração, Kim Taehyung aumentou o som do carro e jogou o braço para fora da janela a fim de contemplar o vento que batia contra seu corpo.

Ele amava aquela sensação. Eram em momentos como aquele que ele sentia paz e se encontrava consigo mesmo, como um sentimento raro de realização.

Diferentemente do seu passado, ele estava de bom humor naquela manhã. Há um mês ele completou dezoito anos e durante a sua adolescência se privou de muito entretenimento para hoje inaugurar a sua lata velha e ir em direção a sua antiga casa.

De fato, muito dinheiro sujo passou pela sua mão durante todos esses anos e para manter a cabeça no lugar, foi necessário bastante esforço. Ele poderia ter comprado um carro melhor e muito antes dos dezoito ter ido viver a sua vida, mas Tae preferiu tentar seguir o que era certo apesar de já estar condenado à cadeia.

Taehyung não queria alimentar as mágoas que carregou de seu pai durante todos os anos, ele agora viveria a sua juventude com quem amava e em paz. Sem precisar ter medo se alguém o mataria, sem se preocupar qual era o próximo lugar para qual teriam que se mudar ou qual crime teria que participar.

Taehyung reconhecia os seus limites e sabia que caso ficasse mais tempo entre criminosos se tornaria um, não por pressão ou por ser obrigado, e sim porque aos poucos estava a se esvaziar de si.

De fato é uma história difícil, mas ali estava ele tentando ignorar o futuro o qual tantos destinaram para ele. Kim Taehyung tinha sonhos, não queria enterrá-los e seguir a vida de um criminoso como o seu pai. Na realidade, ele queria ser como a sua mãe...

Suspirou.

Seu peito doeu só de lembrar.

Não imaginava a angústia que a mesma deveria ter sentido ao descobrir quem realmente era o seu marido. Era como se estivessem lançado sobre ela uma maldição: a policial que se apaixonou pelo seu maior inimigo, um assassino.

Muitos diziam que por causa do exemplo que seu pai dava dentro de casa, ele estaria condenado a ser como ele. Porém os de fora não sabiam que antes dele odiar seu pai por isso, ele aprendeu sobre amor com a sua mãe e era o seu caminho que ele queria seguir. Por isso, no dia de hoje ele deixou seu pai em casa ainda inconsciente pelo uso excessivo de bebida e dirigia de encontro à esperança, para o lado oposto de seus demônios.

Ao sair de Seul, Taehyung pegou estrada para a cidade do interior onde vivia quando era criança: Gyeongju. Após passar pelas placas de boas-vindas, ele seguiu o trajeto até o centro da cidade e, exatamente às treze horas e trinta minutos, ele estacionou na frente do colégio estadual do bairro.

O jovem de cabelos pretos saiu do carro e se encostou na porta do veículo e abaixou o óculos de sol para tentar avistar Jungkook que em sua mente estaria como era mais novo. Desse modo, ele apenas esperou aparecer o garoto mais feio da escola.

Mas, para a sua surpresa, Kook o avistou primeiro e antes que pudesse repará-lo, alguém acertou um skate em sua canela.

- Pestes do inferno. - Taehyung grunhiu enquanto dava pulinhos segurando a canela na espera da dor pontiaguda passar.

- Você continua com a boca suja, hyung. - Jungkook falou há alguns metros de distância enquanto observava a frustração do amigo.

Taehyung levantou o rosto e deu de cara com o amigo de infância e sua expressão brincalhona familiar. E o primeiro detalhe que percebeu foi seu sorriso. Tae se sentiu feliz e aliviado por Jeon JungKook ter permanecido com o mesmo sorriso inocente, feliz e animado de sempre... como todos os jovens deveriam ser.

Pois Kook, era nada menos que uma esperança para Tae. Como o desejo de ver uma vida que sempre quis viver sendo vivida por alguém que amava. Vê-lo fazia Taehyung acreditar que a vida era bonita para alguns e valia a pena lutar por ela.

Blood Color | Kim TaehyungOnde histórias criam vida. Descubra agora