03: Uma ligação por vídeo durante a madrugada

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Quando o toque familiar soou pelo quarto silencioso Lim Sejun levantou-se da cama com um pulo e agarrou o celular que carregava apoiado na mesinha de cabeceira. A mensagem curta na tela foi o suficiente para seu coração palpitar aquecido com a excitação crescente devido à chamada de vídeo que teria em breve com o namorado.

Subin trabalhava em Home Office como designer gráfico, então com o aniversário da sobrinha se aproximando, ele resolveu acatar o pedido que a mãe vinha fazendo ha um tempo, indo até à casa dos pais passar uns dias com a pequena e aproveitar a família. Já Sejun que conciliava a faculdade com o trabalho de meio período como garçom em um quiosque a beira-mar, não pôde se ausentar com a mesma facilidade teve que ficar em sua própria casa — uma kit-net aconchegante.

A partir disso estavam separados por muitos quilômetros há quase uma semana, e Sejun estava angustiando com o distanciamento mesmo tendo concordado com o mais novo indo primeiro para aproveitar a família antes de ir buscá-lo no fim de semana.

Quando a foto de Subin apareceu na tela Sejun não hesitou em deslizar o polegar pela tela sendo saudado por um riso tímido e os olhos amêndoa brilhantes que fizeram com que o Lim esquecesse todo o cansaço pesando em seu ombro.

— Ei — Subin cumprimentou timidamente.

— Subinnie! — Saudou empolgado, jogando para trás a franja que caía vez ou outra sobre os olhos. — Como você está?

— Bem — disse desviando o olhar para ajeitar algo na cama em que estava, e devido à escuridão que o envolvia Sejun não conseguia enxergar nada além do rosto de Sejun e a cabeceira da cama em suas costas. — Você já jantou?

— É claro. — Afirmou. — Também comi todos os legumes do prato, Subinnie.

Subin riu, surpreso com o fato de ainda saltear com as brincadeiras do namorado após anos lidando com suas artimanhas.

— Você está procurando elogios, Lim Sejun? Quantos anos você tem mesmo?

Com o celular em mãos, Sejun deitou-se novamente sob os cobertores e alcançou o travesseiro de Subin — o mesmo que usava para abraçar desde que o namorado havia ido para a casa da mãe — e apoiou o celular nele, deixando o aparelho no ângulo certo para que Subin pudesse vê-lo mesmo estando deitado, e claro, ainda dava para ver Subin quase desaparecendo em um casaco grande na tela pequena demais para cobrir o vazio que a ausência física lhe causava.

Minutos após o início da chamada a estranheza de Subin desapareceu e ele começou a falar naturalmente e quase sem grandes pausas para que Sejun pudesse comentar seu dia com a família. Contudo, aos olhos do Lim, apenas observar Subin tagarelar sorridente e com entusiasmo sobre a família e o quão feliz a sobrinha estava por vê-lo após um tempo era mais que o suficiente para deixá-lo com o peito quentinho e o coração palpitando em deleitação.

— Nós brincamos um pouco com as pelúcias que você deu a ela e a mãe me ajudou a fazer alguns Muffins antes do jantar — Subin finalizou a narração de seu dia bastante agitado ao lado da sobrinha.

— Vocês são fofos. — Balbuciou com o rosto apertado contra o travesseiro, mas Subin ouviu perfeitamente e não deixou de revirar os olhos mesmo estando sorrindo. — Subin-ah é fofo!

— Sejun. — Murmurou constrangido, desviando o olhar para o lado, onde a câmera do Lim já não alcançava.

Sejun riu regalado enfiando um dos braços debaixo do travesseiro para melhor seu equilíbrio sem perder a expressão contorcida em suplício do mais novo.

— Os Muffins ficaram bons?

— Sim! — Concordou ligeiramente empolgado, iniciando em seguida uma narração hiperbólica de sua aventura na cozinha da mãe arrancando gargalhadas do Lim e comentários brincalhões que lhe incentivaram a contar mais detalhes.

O Lim estava atento a cada palavra que saíam dos lábios finos de Subin, mas não fazia questão alguma de registrá-las, toda a sua atenção estava concentrada nos olhos pequenos que não paravam de piscar, provavelmente a falta dos óculos de grau e a escuridão estavam incomodando-o, mas não deixava se ser fofo. Vez ou outra, risos divertidos com as lembranças frescas de situações que agora pareciam ainda mais engraçadas, como sua mãe lutando contra a vontade de interrompê-lo e fazer ela mesma a massa, e os sustos que dava de propósito enquanto pegava objetos cortantes para preparar o recheio e a cobertura dos bolinhos.

A sinfonia contagiante fazia Sejun fechar os olhos e aproveitar a calmaria que a risada gostosa trazia, sorrindo genuinamente enquanto agarrava a ponta do cobertor entre os dedos, imaginando-se abraçando Subin e enchendo as bochechas macias de beijos molhados para vê-lo reclamar de seu jeitinho grudento.

— Você está com sono? — Questionou Subin, ao vê-lo de olhks fechados. — Sei que tu trabalhaste o dia todo e ficou acordado até agora só para falar comigo.

— Hm… — Resmungou fechando os olhos sentindo-se amolecer entre o calorzinho confortável do cobertor e o colchão macio. — Só pouquinho, mas prefiro ficar com você.

— Sejun. — Chamou em repreensão. A expressão séria no rosto jovial deixava-o ainda mais bonito. — Você precisa descansar, amanhã ainda é quinta-feira.

— Eu não quero! — Choramingou. — Prefiro perder mais alguns minutos de sono a perder alguns minutos de você todo felizinho.

— Juro que se você me mandar mensagem depois da academia reclamando que está com dor por fazer algo errado enquanto cochilava durante os exercícios, eu vou até aí apenas para te bater, Lim Sejun. — Ameaçou estreitando os olhos.

— Subinnie. — Resmungou de olhos fechados. — Eu não quero dormir sozinho.

Subin mordeu o interior da bochecha impedindo os lábios de se curvarem em um sorriso bobo que insistia em escapar diante da cena de seu namorado manhoso, resmungando todo sonolento.

— Eu vou ficar com aqui até você dormir, certo? — Sugeriu calmamente, como se estivesse falando com a sobrinha. Mas Sejun não pareceu se incomodar, ao menos Subin não interpretou as covinhas aparecendo lindamente no rosto com um protesto. — Mas antes coloque o celular um pouco mais perto da mesinha de cabeceira e conecte-o ao carregador, assim você não perde a hora amanhã.

Embriagado pelo sono Sejun obedeceu em silêncio a orientação que lhe foi dada lutando com o tamanho do fio do carregador entre resmungos e risinhos de Subin que se divertia com o Lim moroso tentando organizar tudo certinho.

Quando finalmente — após minutos procurando uma posição legal para deixar o celular sem o travesseiro do Jung que usaria para abraçar — conseguiu deixar Subin dentro de seu alcance de vista, mesmo estando deitado quase do outro lado da cama, Sejun enrolou-se no edredom macio e afundou contra o travesseiro com os olhos pesados procurando pela tela brilhante do aparelho no meio da escuridão para olhar Subin sorrindo uma última vez antes de entregar-se ao sono.

Você é mais bonito que... - VICTON | SEBINOnde histórias criam vida. Descubra agora