Capítulo 9

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O diretor abriu e fechou a boca várias vezes, como se estivesse escolhendo as palavras certas.

― O Colégio Lawvencille Jensen se encontra em luto. ― O Sr. Jensen começou e nós nos entre olhamos. ― Depois do jogo de ontem, alguns alunos do 3° ano do Ensino Médio fizeram uma festa para comemorar a vitória do time Leons. ― Deu uma pausa. ― E nessa festa, aconteceu algo desagradável. ― Deu um passo à frente. ― Perdemos o aluno e jogador dos Leons, James. ― Anunciou e algumas pessoas começaram a cochichar. ― Lamentamos muito por essa perda. Alguns de vocês devem estar abalados com tudo isso, e é por isso que teremos psicólogos disponíveis na sala 115, do conselho escolar. O funeral acontecerá amanhã.

Algumas pessoas no auditório conversaram sobre o ocorrido. Outras choraram.

Aquilo tudo me fez lembrar do pesadelo que tive.

Aquilo foi mesmo coincidência?

Eu poderia ter impedido?

A culpa... foi minha?

Eu estava surtando com todas essas dúvidas.

E uma certa frase não saía da minha cabeça: foi culpa minha?

Só podia ter sido coincidência!Acidentes acontecem.

Não foi culpa minha.

Eu não vou ser culpado por algo que não fiz.

Não foi culpa minha.

Se eu não tivesse ido à festa, talvez aquilo não acontecesse.

― Não foi culpa minha! ― Gritei me levantando e todos me fitaram, assustados.

Saí do auditório com passos firmes e me sentei no chão do corredor.

Meus olhos já estavam marejados, então deixei as lágrimas quentes rolarem pelo meu rosto.

Comecei a soluçar quando Thomas apareceu e se sentou ao meu lado.

― Ei! ― Ele disse pousando a mão no meu ombro. ― Vai ficar tudo bem. ― Me confortou e eu acabei o abraçando.

Logo, uma garota de cabelos castanhos se aproximou e se sentou na minha frente.

― O que foi isso, Harris? ― Rachel perguntou me olhando atentamente.

― Não foi minha intenção. ― Respondi saindo do abraço e limpando as lágrimas.

― Do que você está falando? ― O moreno inclinou o rosto.

― Do acidente na piscina. ― Falei e meus amigos se entre olharam.

― Nós sabemos disso. ― Rachel tentou me reconfortar. ― Não foi sua culpa.

― Não foi culpa de ninguém. ― Thomas afirmou e eu engoli em seco.

― Eu não teria tanta certeza. ― Falei e rolou mais uma troca de olhares.

― Como assim? ― Perguntou o meu amigo, curioso.

Engoli em seco antes de responder.

― Vocês juram que irão acreditar em mim e não me chamarão de doido ou maluco? ― Perguntei os fitando.

― Prometemos, agora fala logo! ― Rachel disse, já impaciente.

― Um dia antes do acidente, eu sonhei que me afogava em uma piscina e as pessoas chamavam por alguém. ― Falei e meus amigos me fitaram, ansiando para que eu continuasse.

― Não me diga que eles chamavam pelo... ― Rachel não completou a frase.

― Eles chamavam pelo James. ― Respondi e Thomas abriu a boca, como se não acreditasse.

― Só pode ser coincidência. ― Retrucou a garota. ― Isso se chama ataque de pânico. É normal quando você se encontra em uma situação de... pânico.

― Eu sabia que vocês não confiariam em mim. ― Juntei minhas pernas à mim.

― Eu acredito no que você disse. ― Thomas respondeu sem me olhar.

― É sério? ― Rachel revirou os olhos. ― Vocês estão pirando. ― Se levantou. ― Enfim, acho melhor voltarmos. ― Ordenou apontando para o auditório e logo o adentrando.

― Você está se culpando? ― Perguntou o moreno, voltando à me olhar. Assenti e ele continuou: ― Então eu posso lhe pedir um favor? ― Fez uma pergunta retórica. ― Não faça isso. Culpa e tristeza não se dão bem juntas. ― Completou levantando e me estendendo a sua mão.

Me levantei com a sua ajuda e voltamos para o auditório.

Jake estava em cima do palco quando eu e Thomas sentamos em nossos lugares e o seu discurso foi finalizado.

―Obrigado pelas belas palavras, Jake. ― O diretor disse. ― Alguém mais gostaria de dizer algo? ― Perguntou e ninguém se manifestou.

O sinal logo tocou e todos começaram a falar.

― Vocês serão liberados mais cedo, porque não tiveram o horário do recreio. ― Falou o Sr. Jensen. ― E não se esqueçam: se quiser desabafar com alguém, vá a sala 115 no segundo andar. Podem se retirar. ― Concluiu e todos levantaram para voltarem as suas salas.

[...]

Me sentei em um dos bancos na frente da escola e Thomas se juntou à mim.

― Não liga pra Rachel. ― Ele disse sem me olhar e logo tive um déjà-vu.

Minha barriga roncou e o garoto arregalou os olhos, deixando escapar uma risada.

― Espere um pouco. ― Meu amigo falou abrindo a mochila e me mostrando uma barrinha de cereal. ― Podemos dividir. ― Sugeriu e eu concordei.

Thomas partiu o alimento em duas partes e me deu uma metade.

― Tudo bem a Rachel não acreditar em mim. ― Falei enquanto mastigava a comida. ― Isso é... bizarro.

Ficamos um tempo em silêncio e eu terminei a minha barrinha.

Vi um carro familiar se aproximar e franzi o cenho ao ver quem estava dentro do automóvel.

― É o seu pai? ― Perguntou Thomas olhando para o veículo parado.

― Sim.

― Ele avisou que viria te buscar?

― Não. ― Respondi levantando e andando até o carro de Joey. Me abaixei um pouco para o fitar. ― Pai? ― Perguntei o olhando e ele deu um sorriso fraco.

― Entre.

Entrei, coloquei o cinto e ele deu partida.

― Eu soube do acidente de ontem à noite. ― Disse enquanto saía com o carro.

Droga.

― Você está bem? Por que não me disse nada?

― Podemos falar sobre isso em uma outra hora? ― Perguntei e Joey me olhou de soslaio.

― Claro, mas irei cobrar. ― Falou de olho na estrada. ― Falaremos sobre isso quando chegarmos em casa. ― Completou e eu estremeci.

•••
Continua...

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