1. Esquecer os problemas

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— Mas por que eu tenho que trabalhar? Desde que me alimente e pague minhas entradas nas festas só a cesta básica e o auxílio do governo já está ótimo. — Shuhua reclamava em voz alta enquanto abria uma latinha de coca-cola e metia a mão no saco de salgadinho que sua amiga trouxe, essa que tinha um olhar reprovador. — Qual é, Yuqi? Quando você e a Minnie fizeram um mochilão com 50 dólares eu não disse nada.

— É diferente! Eu trabalho e pago minhas contas. Shuhua, quem em sã consciência gasta 800 reais de auxílio em festa? — A mais velha pergunta passando as mãos pelas têmporas.

— Eu! Além disso, trabalhar não é pra mim, sabe? É só estresse o tempo todo pra no fim ganhar uma merreca.

— Meu horário de almoço está acabando, preciso voltar pra empresa. — Yuqi falou pegando sua bolsa enquanto checava em seu relógio de pulso. — Juízo, viu? Espero ver você trabalhando até o fim da semana.

A porta da frente se fechou e Shuhua revirou os olhos.

As vezes Yuqi exagerava, segundo a própria Shuhua. Elas eram melhores amigas desde sempre, mas era inevitável; toda vez que se encontravam, a principal discussão eta a vida que Shuhua levava.
Bem, dizem que se trabalhamos com o que gostamos não é um trabalho, e sim diversão. Shuhua gostava de ir a festas, aonde encontraria um emprego assim?

Ela revirou os olhos novamente e olhou para a latinha de coca-cola na mão direita. Uma ideia brotou logo na mente da taiwanesa e rapidamente largou o salgadinho no sofá e correu para cozinha.
Deixou o refrigerante em cima do balcão, tirou do armário um copo e encheu ele de gelo, em cima da superfície de mármore colocou quatro bebidas alcoólicas, uns limões-taiti e folhinhas de hortelã. Aquilo já seria o suficiente.

Expecificamente colocou: 30ml de tequila, 30ml do seu gin favorito, 30ml de água benta russa, 30ml de rum ouro, 40ml de limão espremido e completou o copo com a coca-cola que estava tomando.

Deu um tapinha no ramo de hortelã para liberar o aroma e o sabor e colocou na bebida junto com três rodelas de limão.

— Dois desse e eu consigo derrubar até um brutamonte. — Disse para si mesma rindo dando um gole. — É isso! — Bateu forte a mão balcão e murmurou de dor. — Vou trabalhar fazendo drinks, melhor do que curtir, com certeza é embebedar outras pessoas.

— Soojin, é sério, você precisa sair desse escritório! A Miyeon me disse que você 'tá vivendo na base do café. — Jeon Soyeon batia o dedo indicador na mesa do escritório da amiga enquanto falava em voz alta.

Foi completamente ignorada pela Seo que continuou olhando fixamente para tela do computador.

— 'Ô sua desgraçada! — A chamou gritando. — Me escuta, rascunho do capeta! — Soyeon fechou o notebook da mulher que a olhou com raiva. — Já que a madame agora está prestando atenção em mim, escuta, você precisa sair desse escritório.

— Por que e pra quê? Estou bem aqui e diferente do que Miyeon disse, estou bem descansada. — Soojin retrucou, mentindo descaradamente.

— Mentirosa! Você pulou cinco folgas, sua sem vergonha. Me escuta, palhaça, você tem cem problemas, se você parasse de trabalhar e descansasse resolveria cento e um deles.

— Essa empresa depende de mim, sem eu aqui nada funciona. — Soojin articula mexendo em pilhas de papeladas.

— Na moral, coitada da sua secretária. — Soyeon reclamou com a mão na testa. — Você vai pra festa que minha irmã está organizando no salão que eu abri querendo ou não. Estou contratando pessoas novas para ficar no bar.

— Não acredito até hoje que você abriu um bordel. — Soojin comentou assinando algumas coisas.

— Não é um bordel! É um salão de festas.

Soojin olhou para cima e parou os olhos na amiga de braços cruzados.

— Parece mais um cabaré. — A coreana mais velha disse e logo depois voltou a atenção para os papéis.

— Como posso ter certeza de que você é boa mesmo? — A coreana perguntou desconfiada, estava sentada em frente ao bar com sua possível estagiária atrás do balcão. Segurava uma prancheta cheia de anotações e com vários tipos variados drinks.

— Acredite, Jeon Soyeon, sou melhor do que imagina. Talvez a melhor estagiária daqui.

— Você é bem convencida... Já que é assim, vamos começar os testes. Me vê um drink com cachaça que não seja caipirinha. — A baixinha disse autoritária colocando a prancheta em cima do balcão.

A taiwanesa sorriu sapeca e saiu pelo bar para pegar todos os ingredientes que precisava. Isso precisaria mudar, não poderia ficar trinta minutos apenas procurando um copo ou uma simples cachaça.

Na coqueteleira colocou meia laranja sem casca, 5 pedaços de abacaxi e amassou. Espremeu um limão-taiti, pôs um shot de cachaça e mais quinze folhas de hortelã e xarope de açúcar. Um pouquinho de gelo e deu vida naquilo até cansar. Com habilidade e cuidado, coou a batida para um copo com gelo, decorou com algumas folhinhas de hortelã e finalizou com raspas de limão.

— Aqui está, o melhor drink com cachaça da sua vida. — Empurrou o copo para mais perto de Soyeon.

Soyeon riu sem expectativa e assim que deu um gole da bebida sorriu prontamente.

— Você até que é boa. Mas saiba que não é o suficiente Yeh Shuhua...


Aos prantos, uma mulher de cabelos loiros parou no bar do grande salão e fez um sinal para chamar o barman. Uma garota de rostinho angelical e um terno preto atendeu o chamado da empresária que enxugou as lágrimas e tentou se manter firme.

— O que deseja, senhorita?

— Algo para esquecer os problemas, por favor... — Pediu e a estrangeira sentiu seu coração apertar mesmo sem conhecer aquele ser.

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⏰ Última atualização: Mar 12, 2023 ⏰

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ᴍᴀᴢᴇ | SooshuOnde histórias criam vida. Descubra agora