capítulo 8

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The narrator's point of view.

- Filha? - A voz de Sinuhe soou chamando a atenção de Lauren, a Cabello mais velha parou na porta surpresa ao ver sua filha com a cabeça deitada no colo da vizinha nova. — Lauren?

- Oi senhora Cabello. — Sinuhe arqueou a sobrancelha.- Ah... Trabalho na escola de Camila, então sei o seu sobrenome.- Sinuhe esboçou um breve sorriso.

- Ela dormiu? — Indagou já suspeitando, Lauren guiou o olhar em direção ao rosto de Camila e viu que a menor dormia serenamente e sem sua Cindy.

- Sim, eu nem notei.- Sorriu sem graça. - Posso levá-la para cama?

- Claro, é a única porta rosinha do corredor superior.

- Tudo bem.

Com cuidado, Lauren puxou o corpo da menor para o seu colo, se colocou de pé e entrou na casa, a hispânica subiu a escadaria rumando para o quarto de Camila, o quarto que já conhecia. Lauren deitou o corpo de Camila sobre a cama, a cobriu com um cobertor rosinha, buscou pelo quarto papel e caneta, escreveu um bilhete e o deixou sobre o criado mudo, a morena deixou um beijo na testa da menor e se retirou do quarto em silêncio.

- Lauren? — Sinuhe chamou pela hispânica ao vê-la alcançar o último degrau da escadaria.

-Sim?

- Eu gostaria de agradecer. — A hispânica franziu o cenho confusa. — Pela dica, pela manhã fui a escola de música e matriculei Camila para ter aulas de piano. Se não fosse por você, eu nem saberia dessa paixão da minha filha.- A hispânica sorriu.

- Disponha, senhora Cabello. Espero que Camila goste, assim como eu gostei.

- Acredito que no começo ela vá ficar acanhada, mas vai gostar sim.

As mulheres embarcaram em uma conversa sobre a paixão de Lauren, Sinuhe ficou feliz em ouvir sobre o instrumento tão lindo, que encantou sua pequena filha. Ao notar que estava ficando tarde, Lauren despediu-se da vizinha e partiu para sua casa, a morena subiu a escadaria indo direto para o seu quarto, deitou-se na cama e permitiu-se refletir sobre a tarde agradável que teve ao lado de Camila. Por incrível que possa parecer, a hispânica adorava passar seu tempo ao lado da vizinha, ela tinha algo que a intrigava,que a deixava com seu instinto protetor a mil e só queria fazê-la bem.

Na manhã seguinte, Camila acordou sentindo falta de algo, buscou por toda sua cama e não encontrou sua Cindy, a ovelhinha de pelúcia branca com um lacinho rosa em volta do pescoço, a pequena curvou os lábios em um bico de pré-choro, temendo que sua ovelhinha tivesse sumido de novo, encolheu-se na cama virada para janela e pode ver que em seu criado mudo tinha um papelzinho solto, coisa que nunca aconteceu antes. A menina rapidamente sentou-se na cama, pegou o papel curiosa e o desdobrou, a caligrafia era diferente, não pertencia a sua mãe ou a Ally, ela começou a ler e logo um sorriso apareceu em seus lábios rosados ao natural.

"Bom dia, pequena!

Ontem você dormiu em meu colo e sua mãe deixou que eu te colocasse na cama, antes de sair do quarto eu me certifiquei de que Cindy estivesse ao seu lado, caso ela não esteja mais olhe de baixo da cama, ela pode ter caído enquanto você dormia. Espero-te amanhã para irmos juntas para o colégio, no mesmo horário, ok?

хо, Lauren.”

Com um sorriso bobo no rosto, Camila deixou o bilhete sobre o criado mudo, pendurou-se na cama em direção ao chão e achou sua Cindy de baixo da cama, a menina rapidamente tomou a ovelha para si e se levantou, mais uma vez ela iria para escola com sua vizinha, a mesma que a fez dormir sem sua Cindy e lhe proporcionou carícias bem agradáveis. A pequena Cabello guiou-se para seu banheiro, onde posicionou Cindy sobre a tampa do vaso sanitário, retirou sua roupa com calma e se pôs de baixo da ducha quentinha. Após o seu rápido banho, Camila vestiu seu uniforme escolar, pegou sua mochila e desceu a escadaria de sua casa, sua mãe estava sentada ao sofá com um caneca em mãos, a pequena deduziu ser o chá que sua mãe tem o costume de tomar toda manhã.

-Bom dia, amor. — Sinuhe saudou ao notar a presença da filha, que se limitou a sorrir. — Quer que eu a leve a escola hoje? — Camila negou com a cabeça. – Por que não? Você sempre aceita a minha carona.

- Lauren se ofereceu para me levar, mamãe. — Comentou baixinho, a menor se direcionou para cozinha.

- Entendi, então eu te busco. Hoje você começa a ter aulas de piano em uma escola muito boa.

A menina não disse nada, a ideia de ter aula com pessoas desconhecida não lhe agradava nem um pouco, ela não queria ter mais pessoas pegando em seu pé só por ser autista, não queria passar pelo que passou no dia anterior. Ela queria ter aulas com a sua vizinha, ela era gentil e cuidadosa, tinha os mesmos gostos que Camila e não iria maltratá-la por ela ser autista, ela ao menos sabia da condição da pequena. Na casa ao lado, Lauren tomava o seu café da manhã com Normani, que estava lhe enchendo de perguntas sobre onde a hispânica tinha ido na tarde do dia anterior.

— Estava na casa ao lado. - A negra lançou um olhar maldoso. — Normani!

-Eu não disse nada. — Defendeu-se.

- Nem precisou, só o seu olhar já denunciou os seus pensamentos impuros.

-Estava com a filha da vizinha?- Lauren anuiu a cabeça em um breve sim. — Isso não me surpreende.

- Estávamos apenas vendo o sol se pôr.

- Humrum, sei. Ela estava entre as suas pernas ou você que estava entre as pernas dela? — Indagou fazendo a hispânica corar bruscamente.

- Normani! — Rosnou. - Não fizemos nada disso, está doida? Camila deve ter uns dezesseis anos, fora que ela é aluna do colégio em que trabalho.

-Certo, me diz onde está o problema nisso?

-Eu não posso me envolver com ela, isso vai acabar dando muito errado.

- Só vai dar errado se vocês forem burras demais. -A campainha ressoou antes que Lauren pudesse respondê-la, a a hispânica levantou-se, pegou seus pertences e foi atender a porta, dando de frente com uma Camila que balançava a perna inquieta. Ficar sem ver a mais velha a deixava assim, inquieta.

-Oi Camila. - A menor recuou um passo para mais velha sair, Lauren saiu e fechou a porta atrás de si. — Você está bem, querida?

-Humrum...

Em silêncio elas caminharam até o carro, Lauren o destravou e o adentrou. sendo seguida por Camila, que deixou sua mochila aos seus pés e antes de pôr o cinto de segurança, desferiu um rápido beijo na bochecha da hispânica,que estava distraída demais ligando o carro e foi pega de surpresa com o ato da menor. Camila sentiu suas bochechas pegarem fogo, ela não tinha o costume de dar beijos nas bochechas das pessoas, dificilmente fazia isso com a sua mãe, mas ela tinha sentido uma extrema necessidade de fazer isso com sua vizinha.

A hispânica sorriu feito uma boba, guiou o olhar para menina ao seu lado e viu que ela tentava pôr o cinto, Lauren delicadamente tomou a lingueta da mão de Camila e a afivelou, em seguida arrumou a correia do cinto no corpo da menina, de modo que ficasse transpassada por seu ombro e tórax. Quando a hispânica foi ajustar a parte inferior do cinto, Camila sentiu um calafrio percorrer seu corpo, mas não era um calafrio ruim e sim bom, então deixou que a moça ajustasse a correia ao seu corpo e quando ela estava para se afastar, a surpreendeu novamente com um beijo na bochecha em forma de agradecimento.

AUTISM (Concluída)Onde histórias criam vida. Descubra agora