Capítulo 14

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Entrei no ônibus e me sentei sozinho.

Thomas e Lucy se sentaram na minha frente e Rachel e Jake se direcionaram para o fundo do ônibus.

O diretor entrou no ônibus e começou à fazer a chamada.

― Eu não aguento mais esse gelo da Rachel. ― Retrucou Thomas, em um tom alto o suficiente para que eu pudesse ouvir. ― Ela é a minha melhor amiga, poxa! E fazer isso por causa de uma briga idiota é... infantil.

― Também acho. ― Me intrometi e o garoto moreno e a sua namorada me fitaram. Engoli em seco.

― E eu não sei até agora o motivo da briga! Só sei que ela não fala com vocês por alguma razão bem séria.

― Razão bem séria? Ela não fala com a gente porque é infantil. ― Cuspi as palavras e Thomas arregalou os olhos.

― Você pode estar certo. ― Concordou o meu amigo.

― Eu estou certo. ― Respondi e logo botei a mão na boca, porque percebi que falei como ela.

Como a Rachel Campbell.

[...]

Descemos do ônibus e fizemos um pequeno círculo no gramado.

― Agora, vocês irão montar os seus abrigos com as barracas que estão dentro do ônibus. O campo será divido por meninas e meninos. Lado direito, meninos. Esquerdo, meninas. Alguém não entendeu? ― Perguntou o Sr. Jensen e todos ficaram em silêncio.
― Então podem começar. Vocês têm até meio-dia para montar pelo menos a metade da quantidade de barracas. Se não montarem tudo, depois do almoço vocês continuam.

Andei até o ônibus e peguei uma barraca de lá de dentro.

Eu e Thomas andamos até o lado direito e pousamos as coisas no chão.

― Você tem alguma ideia de como se monta isso? ― Ele perguntou ao meu lado e eu neguei com a cabeça. ― Então estamos ferrados.

Começamos à montar do jeito que pensávamos que era e outro garoto acabou nos ajudando à terminar o trabalho.

Quando terminei, olhei para frente e vi que o lado das garotas estava quase todo tomado por barracas.

― Elas são boas. ― Disse Jake se aproximando de nós e pude ver pelo canto do olho que Thomas revirou os olhos.

― Se você está colocando besteiras na cabeça da Rachel, acho melhor parar. ― Ele falou e o garoto de cabelos castanhos à nossa frente franziu o cenho.

― Eu não estou fazendo nada. Só estou apoiando uma amiga que teve uma briga com o seu grupo de amigos. ― Respondeu e vi a raiva estampada no rosto do garoto ao meu lado.

Amiga? ― Perguntei meio confuso e Jake riu.

Amiga.

[...]

O dia já tinha passado e agora estávamos todos nos arrumando para dormir.

― Você acha que eu sou um trouxa por ainda achar que a Rachel vai falar com a gente? ― Perguntou Thomas, deitado ao meu lado.

4 pessoas dormem em cada barraca, e acho que os outros dois garotos já devem ter dormido.

― Não acho que você seja um trouxa.

Ficamos um tempo em silêncio.

― Boa noite. ― O moreno ao meu lado retrucou e eu sorri fraco.

― Boa noite.

[...]

Estou com algo pesado nas mãos e corri pelo gramado escorregadio.

Estou rindo muito, enquanto sinto algumas bolinhas sendo atiradas nas minhas costas.

Até que, de repente, caí em um buraco e bati a cabeça em uma pedra.

Minha visão fica turva e eu escuto vários gritos.

Até que, finalmente fecho os olhos e eu não vejo mais nada.

Dei um grito e acordei.

Mais um pesadelo.

Estou suando e com a cabeça girando. Minhas pernas doem e Thomas se senta ao meu lado.

― Ei! Tudo bem? ― Perguntou pousando a sua mão no meu ombro.

Os outros garotos na barraca acabaram acordando também.

― Não. ― Falei com os olhos lacrimejados.

― Mais um pesadelo? ― Meu amigo perguntou, enquanto os outros meninos me olhavam com espanto e atenção.

Balancei a cabeça em sinal de afirmação e Thomas levou as mãos à cabeça.

― Droga.

[...]

No dia seguinte...

Nos reunimos no centro do campo e o diretor pegou uma prancheta.

― Hoje iremos jogar... Paintball. ― Falou o Sr. Jensen e alguns alunos comemoraram. ― Vou separar vocês em duplas de meninos e meninas. Quando o apito soar uma vez, é para vocês se espalharem. Quando soar dois apitos, vocês podem atirar e preocurar pela bandeira vermelha, que estará em algum lugar no campo. ― Deu uma pausa, recuperando o fôlego. ― Quando soar três apitos, vocês deverão voltar para o ponto de encontro, que no caso, é este local. ― Avisou, olhando em volta. ― Não pode atirar na cabeça do colega e nem em outra parte do corpo que não esteja coberta pelo colete preto. ― Alertou e alguns alunos resmungaram. ― Os coletes estão em cima desta mesa, assim como as armas de tintas e os óculos de proteção. ― Disse, apontando para a mesinha de madeira ao seu lado. ― Alguma dúvida?

― Podemos escolher as nossas duplas? ― Campbell perguntou, ao lado de Jake.

― Não, eu escolherei. ― O diretor respondeu e a garota de cabelos castanhos bufou. ― Mais alguém? ― Ninguém respondeu. ― Então vamos lá. Vou chamar as duplas e, se eu disser o seu nome, já pode se esconder com o seu acompanhante.

Ele deu uma olhada na prancheta e começou a falar os nomes em voz alta.

― Lucy Carter e Thomas Clark. ― O Sr. Jensen falou e a garota de cabelos escuros deu um gritinho de animação.

Mais nomes.

― Rachel Campbell e... ― Deu uma pausa, olhando o objeto em suas mãos. ― Noah Harris. ― Completou e eu revirei os olhos.

Fui até a mesa, vesti o meu colete, coloquei os óculos e peguei a arma de paintball. Rachel fez o mesmo.

― Ok, não dá pra jogar brigados. ― Ela falou, enquanto andávamos para dentro da floresta.

― Concordo plenamente com você. ― Retruquei e a garota sorriu de lado.

― Vamos nos esconder atrás de uma árvore ou algo assim. ― A menina de cabelos castanhos sugeriu.

Andamos por alguns minutos até parar atrás de uma árvore.

― Vamos esperar aqui.

Ficamos um tempo em silêncio, até que Rachel começou a cantar por conta do tédio.

― Parabéns, você canta muito bem, Ariana Grande. ― Falei de um jeito sarcástico e Campbell me mostrou a língua. Depois, ela riu

― Eu estou brigada com você, Harris. Você não pode me fazer rir.

Ficamos alguns minutos quietos, até que dois apitos soaram.

Rachel me fitou e nos seus olhos tinha uma mistura de desespero e medo.

― É agora.

•••
Continua...

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