Bae

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A claridade invadiu os olhos assim que eles foram abertos com lentidão. Aquela irritação parecia familiar no momento e Jinyoung soube o porquê da sensação quando encontrou o olhar felino vindo do alfa em sua direção.

Ele estava do seu lado, os dedos quentes deslizavam pelo seu cabelo, num afagar gostoso e bem aceito. Ele lhe sorriu também. Aquele sorriso que pede desculpas e ao mesmo tempo ameniza, dizendo em silêncio que tudo vai ficar bem.

"Que bom que você acordou." Jaebeom sussurrou.

"Faz muito tempo que eu estou aqui?" Sua voz saiu rouca, como se rasgasse a garganta.

"Hm... umas três horas. Não foi muito para o estado que você chegou."

"Aconteceu alguma coisa... com o meu filhote?" A voz do Park saiu baixinha e temerosa.

Havia medo estampado na expressão do ômega e Jaebeom logo tomou postura, suspirando baixinho.

"Não aconteceu nada. Sua pressão baixou, você ficou muito tonto e seus nervos fizeram o resto do trabalho para lhe deixar completamente apagado."

"Foi você quem me avaliou?" Sorriu de canto. Os olhos faiscando em diversão, mesmo que o corpo inteiro se sentisse afetado pelos possíveis remédios que havia tomado.

"Eu não lhe daria essa honra."

Jaebeom sorria, ainda acariciando os fios castanhos do mais novo.

O silêncio entre eles permaneceu e diferente de tantas outras vezes, era confortável e bem aceito.

A alta para ir pra casa veio por volta da uma da manhã.

Jinyoung sentia o corpo amolecido, enquanto esperava sentado Jaebeom terminar de falar com o médico que, outrora, já havia esbarrado quando veio para suas consultas.

"Não deixe ele se aborrecer. Foi por pouco que ele não perdeu a criança. Seja lá o que tenha acontecido, seja mais cuidadoso com ele."

"Você acha que foi culpa minha?"

"Você é o responsável por ele, não é?"

"Jackson..." Jaebeom passou a mão pelos fios escuros, suspirando pesadamente. "Não seja ridículo!"

"O único assim, aqui, é você" o amigo lhe deu uma piscadela, dando dois tapinhas em seu ombro. "Agora leve ele para casa e descansem."

"Vou fazer isso... valeu por tudo!"

"Só estou fazendo o meu trabalho."

Jaebeom sorriu fechado. Nunca sabia agir com a presença de Jackson. Sabia que tinham muito a dizer um para o outro; tinham muito que perdoar e pedir pelo perdão.

Era como se as palavras faltassem toda vez que os olhos se encontravam, mesmo que a necessidade gritando de dizer, de se expressar coerentemente corroesse ambos.

Em momentos como aquele Jaebeom apenas preferia virar as costas e fingir que nada havia acontecido; que não fora a si próprio a acabar com a amizade que tinham pela simples falta de maturidade para enfrentar seus erros, seus deslizes.

Seus olhos voltaram a encontrar os de Jinyoung.

Ele estava quieto, envergonhado e um tanto cabisbaixo, como se tivesse receio de ficar muito tempo lhe encarando.

"Você precisa comer algo" Avisou assim que chegou em frente ao outro. "Deve ter algum lugar aberto a essa hora. Que tal irmos lá?"

"E-eu só quero ir para casa." Sussurrou enfraquecido.

"Não vou deixar você terminar a noite assim." Estufou o peito, abrindo um sorriso que Jinyoung conhecia muito bem.

Era aquele mesmo sorriso irritante de tantos dentes que quase lhe cegavam. Jinyoung costumava dizer em seu íntimo e gritar aos quatro vento — depois — que o odiava, mas ali, aquela ação alheia apenas lhe fez sorrir junto.

As Aparências EnganamOnde histórias criam vida. Descubra agora