O primeiro fim de semana após a mudança arrastou-se pela sombra dos dias preguiçosamente antes de finalmente chegar fazendo com que Subin suspirasse profundamente, sentindo-se aliviado pelo momento de descanso que teriam depois de toda a mudança e a semana cansativa em que se dividiram entre trabalho e arrastar móveis para os lados até encaixá-los corretamente pelos cômodos.Entretanto, diferente do que Subin esperava — acordar com Sejun reclamando por estar monopolizando o cobertor e as pernas pesando sobre as suas —, Sejun não estava na cama quando abriu os olhos, relutante, lutando contra a vontade de afundar novamente no conforto e mergulhar no sono confortável que o convidava novamente. A menos que Sejun estivesse indo à academia aos sábados, ele não se daria ao trabalho de levantar cedo, e segundo a tela do celular que descansava ao seu lado na cama Subin descobriu que eram apenas oito horas da manhã.
Curioso quanto ao que o Lim estaria fazendo tão cedo na cozinha, Subin cambaleou com os dedinhos dos pés se contorcendo a cada passo no chão gélido seguindo para a cozinha-sala.
O cômodo comprido era dividido por uma bancada que usariam como mesa até juntarem dinheiro o bastante para comprar uma que coubesse no pequeno espaço da cozinha já preenchida por uma geladeira, a pia de louças com um tampo longo o suficiente para comportar alguns eletrodomésticos menores e o balcão que o fogão de mesa e o micro-ondas dividiam confortavelmente.
Antes mesmo de chegar a cozinha o cheiro de queijo e queimado alcançou Subin, fazendo-o apressar os passos para, no fim, encontrar Sejun virando uma panela com um molho branco numa tigela.
— Juni.
— Oh, Subin. — Balbuciou ao levantar o rosto e encontrá-lo curioso. — Bom dia! — Saudou sorridente.
— O que é isso?
— Isso? É o nosso café da manhã. Acho que sonhei com isso e acordei com vontade de comer.
— Bom dia — murmurou apoiando os braços cruzados sobre o balcão, curioso com o conteúdo da tigela. — Desde quando você sonha com receitas?
— Não sei. — Disse indo deixar a panela na pia, retornando com uma colher. — No sonho parecia bom, então eu fiz do mesmo jeitinho que lembrei e deu nisso.
— Tem certeza de que quer comer isso? — Perguntou encarando a colher mergulhar no mingau grudento antes de sair puxando alguns fios que se assemelhavam a queijo derretido.
— É claro! — Exclamou. — Não tem como ficar ruim. Eu só coloquei coisas que gosto de comer. — Disse como se ter coisas gostosas ali fosse motivo o suficiente para a mistura estar tão gostosa quantos os ingredientes separados.
— E essas coisas seriam?
— Hm… Tem alho picado, cebola ralada, leite, requeijão, muçarela, maionese, manteiga e pimenta.
— Você só pegou tudo que tinha na geladeira e jogou na panela, não foi? — Questionou desconfiado.
— É comida, Subinnie, não deve estar ruim. — Murmurou torcendo para que realmente não estivesse com gosto ruim. — Já está pronto para o nosso dia de filmes?
— Quase. E eu vou ficar com a pipoca mesmo. — Disse indo para o armário em busca dos pacotes de pipoca para micro-ondas. — Mostarda, bacon ou queijo?
— Pega a de chocolate.
— Eu vou fazer a de queijo. — Avisou se levantando com a embalagem amarela.
— Mas…
— Nada de doces de manhã, lembra? — Questionou depois de fechar e programar o micro-ondas, abraçando Sejun de lado enquanto ele comia a mistura estranha de ingredientes derretidos. — Você disse que ia seguir a sua dieta a risca. Tá bom?
— Parece aquele molho branco que a sogrinha fez.
— Sogrinha? — Perguntou balançando a sobrancelha.
— Ela gosta. — Disse balançando os ombros como pôde com Subin agarrado em seu corpo. — Quer um pouco?
— Não, obrigado. — Negou balançando a cabeça contra as costas de Sejun, fazendo-o rir. — Olha a pipoca pra mim? Vou tomar um banho rapidão.
— Ok. — Disse sentindo Subin afrouxar o enlaço em sua cintura, afastando-se em seguida. — Qual filme nós vamos ver?
— Escolhe depois, mas eu quero ver primeiro O grande Hotel Budapeste ou Os excêntricos de Tenenbaum.
— Wes Anderson de novo? — Questionou quando ele já estava atravessando a porta, então Subin girou encostando o ombro no batente olhando para ele, rindo astuto.
— Eu já disse que amo o estilo e as tradições compartilhadas em cada produção dele.
— Eu deveria ficar com ciúmes de toda essa sua admiração? — Brincou apoiando os cotovelos no balcão.
— Você sabe que não, bobo. — Riu acanhado, desviando o olhar para o armário branco preso a parede atrás de Sejun. — Nem mesmo a paleta de cores do Wes Anderson me faria considerar trocá-lo.
— Isso vindo de alguém que queria pintar a casa nos tons de rosa vale muito, não é? — Perguntou sentindo as bochechas doloridas com o sorriso regalado difícil de conter, no entanto, Subin já não estava mais no cômodo para apreciar a curva das bochechas saltadas abaixo dos olhos meia-lua e as covinhas imitando as crateras da lua reluzindo o coração quentinho com a declaração tímida.
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Você é mais bonito que... - VICTON | SEBIN
FanfictionMergulhados no mar alvoroçoso de sentimentos singulares que transbordam em pequenos gestos rotineiros, Sejun e Subin não deixam de submergir vez ou outra para frisar coisas pequenas e grandes que podem ser comparadas com uma lista imensa das coisas...