Estágio IV, Depressão

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Nem mesmo ela podia negar, devia ser a criatura mais patética do planeta.

Sakura deveria estar em alguma boate beijando Neji, descansando ou mesmo fazendo algo para si e aproveitando a própria companhia — uma skincare aleatória, ou assistir algum seriado espanhol, mas não.

Eram onze e quarenta da noite, e naquele sábado tudo o que ela estava fazendo se resumia a chorar enquanto olhava suas fotos com Sasuke.

Puxou a caixa proibida debaixo da cama sob o pretexto de jogá-la fora, mas assim que seu conteúdo entrou no campo de visão da Haruno, ela apenas chorou e se entregou novamente à típica autopiedade. Centenas de fotos, onde ela e o Uchiha pareciam tão felizes, leves e despreocupados com a vida. As imagens coloridas pareciam abrir um talho profundo em seu peito, ela se desesperou enquanto era invadida por cada lembrança: não só da época do colegial, quando eram ela e Sasuke contra o mundo, — quando o garoto, com todos os seus defeitos, a adorava e amava como uma deusa — mas também quando ambos passaram no vestibular, a primeira calourada, a primeira noite no apartamento dos dois, as férias em Malibu junto de Naruto e Hinata; a lembrança da noite em que Sasuke, sob o luar do mar cristalino, prometera fazê-la a mulher mais feliz do mundo, do dia em que prometera uma família, os jantares na casa dos Uchiha e até mesmo as quase desagradáveis tardes na mansão Haruno, quando o garoto lhe levara flores no primeiro estágio e até mesmo quando aquelas fotos traziam lembranças dos dias em que a felicidade estava apenas nos posts do instagram, todas elas a queimavam como o inferno.

Todas esfregavam na sua cara o fracasso que a assolava, o quanto ela havia sido uma otária que tinha dado tudo ao Uchiha e ainda assim não conseguira fazê-lo ficar. Quanto mais ela pensava, mais lhe faltava o ar. Porque?!

Porque Sasuke tinha jogado tudo no lixo? Eles eram perfeitos um para o outro, como ying e yang, desde que se entendiam por gente. Completavam um ao outro, como as duas peças de um quebra cabeça, como langue e parole.

Ela jogou a caixa com raiva para o lado, o objeto bateu no chão, as peças de madeira se desmontaram, espalhando-se pelo chão. As fotos voaram para todos os lados, vários Sasuke's sorrindo para o nada. O punho da Haruno bateu contra o colchão macio, seu grito estridente ecoou pelo quarto.

— Eu odeio você! — Declarou para as fotos jogadas no chão, as lágrimas pingando, escorrendo de seu maxilar para o pescoço. — Te odeio! Te odeio! Te odeio! Te odeio! Te odeio!

Odiava Sasuke.

Sakura não se importou com a mágoa tomando seu coração, pelo contrário, ela a abraçou como uma velha amiga. E arregalou os olhos ao perceber porque estava doendo tanto, porque parecia que ela já tinha passado por isso e agora estava trinta vezes mais quebrada: o Uchiha tinha tirado-a daquela dor antes, mas agora fazia pior.

Desde o início, era ele que lhe abraçava quando Mebuki e Kizashi a machucavam, quando eles faziam questão de desprezá-la, quando faziam Sakura se sentir a criatura mais miserável da terra. Fora Sasuke que mandou o sr Haruno para o inferno quando ele disse que "não passava da obrigação de Sakura ser aprovada em medicina", foi ele quem lhe repetiu trilhões de vezes que a mãe dela mentia quando dizia que ela era estranha e doente, foi ele lhe praticamente jogou a casa dos Haruno no chão quando Mebuki disse abertamente que se arrependia por não ter abortado sua única filha — no dia seguinte, estavam morando no apartamento novo. Eles seriam uma nova família, teriam filhos e seriam tudo o que Sakura sempre sonhou para si. Seriam felizes para sempre, porque era o que estava escrito, era o que Sasuke lhe prometera naquela noite enluarada em Malibu, era o destino dos dois... e uma completa mentira.

Respirou fundo, buscando o ar. Suas últimas palavras não saiam da mente da rosada, tão dolorosa que ela sequer conseguia repetir em voz alta. Nem mesmo para Hinata.

Qᴜᴀɴᴅᴏ (Nãᴏ) Cᴏɴᴛʀᴀᴛᴀʀ Uᴍ Nᴀᴍᴏʀᴀᴅᴏ ᴅᴇ Aʟᴜɢᴜᴇʟ, NᴇᴊɪSᴀᴋᴜOnde histórias criam vida. Descubra agora