15. Espero que não esteja apaixonada por ela

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Delphine POV

Os dias no hospital estavam uma correria, e pela primeira vez, tive de deixar Charlotte sozinha no apartamento, com a promessa de que ela me ligaria caso qualquer coisa desse errado, já que eu não tinha mais com quem deixá-la.

Eu não entendia Cosima. Em um momento, parecia que ela me queria por perto, mas em outros, ela pedia para que eu a deixasse sozinha. Bom, na verdade eu entendia. Ela havia pedido para que eu me afastasse, mas eu simplesmente não conseguia.

– Vocês se beijaram, não foi? – uma voz invadiu o vestiário onde eu estava, e soltei os cadarços do tênis imediatamente para levar as mãos ao peito depois de pular do banco, indicando o tamanho do susto que havia tomado.

– Filha da puta! – exclamei sem pensar, vendo então que era Adele que estava ali, já em seu traje profissional, e não eram nem sete da manhã ainda – Desculpe, você me assustou – expliquei ofegante, justificando o palavreado que havia escapado de minha boca sem querer.

– Quem não deve não teme – disse ela, com um sorriso debochado no rosto – E pelo visto, você tem temido muito esses dias que se passaram.

– Não sei do que você está falando – desconversei voltando a sentar no banco, para terminar de amarrar o tênis antes de ir para a ala de emergência, ver como estava Max naquela manhã.

Adele sentou-se ao meu lado, e dei pouca importância para a queimação em meu rosto, que indicava que ela não parava de me encarar, e aquilo já estava me incomodando. Terminei o que estava fazendo, e a olhei com a mesma intensidade, esperando que ela perguntasse logo o que queria perguntar e acabasse com aquela agonia.

– Está traindo seu namorado? – questionou de forma objetiva, e tentei não engolir seco para que ela não desconfiasse.

Não consegui responder. Adele me conhecia muito, muito bem, e saberia se eu mentisse. Em contrapartida, eu não queria admitir, em voz alta, o que eu havia feito, pois mesmo que tivesse sido uma escolha que eu estava fazendo, eu não me orgulhava de mentir para Cosima, e não fazia a mínima ideia de como sairia daquela bola de neve de mentiras.

– Olha, não estou aqui para te dar sermão – continuou ela, tendo a plena certeza de que eu não responderia às suas perguntas – Mas você sabe que se o seu pai descobrir sobre Cosima--

– Eu sei Adele – interrompi, sem querer ouvir aquelas dolorosas afirmações que ela faria a seguir – Eu não me arrependo do que fiz, porque com ela tudo parece tão... mais fácil, mais leve, entende? – desabafei, sabendo que, naquele caso, Max não saberia como me aconselhar.

– Cosima é muito intensa, não é? – perguntou chamando a minha atenção – Com ela é oito ou oitenta, mas já faz um tempinho que vocês estão se encontrando. Ou estou errada? – neguei com a cabeça.

– Eu não sei como vou sair dessa – confessei cabisbaixa, e meramente envergonhada pelo que estava fazendo.

– É melhor pensar bem, pois em poucas semanas Anthony está de volta – lembrou ela, e apertei os olhos em negação.

– Meu pai mataria Cosima se soubesse sobre ela, não é? – perguntei retoricamente, pois já sabia a resposta para aquela desgraça em que eu havia me enfiado – O que eu vou fazer?

– Bom, você não está apaixonada por ela – disse de maneira afirmativa, e automaticamente assenti com a cabeça – Então só aproveite o tempo que vocês estão juntas, e quando seu namorado voltar, termine de uma vez com ela e vá embora.

Eu sabia que não era o que Adele queria dizer, e ela apenas estava o fazendo, para zombar da minha cara, pois sabia que eu jamais faria isso com alguém.

Não diga que me amaOnde histórias criam vida. Descubra agora