O moreno de olhos verdes após sair correndo disparado e sem rumo foi até a sala precisa, fez todos os feitiços de privacidade possíveis no lugar por precaução, sentou abraçando os joelhos encostado na porta de madeira pesada, chorou e soluçou como nunca. Suas lágrimas arrebentaram como uma represa absurdamente grande arrebentaria. Ele chorou por tudo, pelos seus pais, por Sirius, por ele e por tudo que a vida lhe privou de ser e ter. E principalmente, chorou por amar Malfoy, chorou porque não poderia tê-lo, chorou por ter o machucado e também chorou por nunca ter o aceitado.
Ele estava triste e irritado, tão irritado que após o choro cessar, seu corpo tremia, só não tinha certeza se eram somente dos espasmos pós choro ou da raiva que sentia. Não tinha um alvo específico, ele só estava irritado, com Voldemort, com a vida louca que tinha, com Draco por ter o atacado e o feito machucá-lo, consigo mesmo por ter o machucado, eram tantos pensamentos que sua cabeça borbulhava e rodava. Levantou meio que cambaleando e transfigurou vários bonecos de alvos em diferentes tamanhos e materiais, para que aguentassem seus ataques. Logo, atacou os alvos com todo seu repertório de feitiços, eram eles das trevas, da luz, neutros, não se importava, ele só queria liberar aquele acúmulo de magia e repelir aquela energia opressora raivosa.
Ele ficou por horas naquela sala, seu corpo parecia brilhar e estalar a cada alvo atingido, ele começou a se sentir tão bem que transfigurou mais alvos, no decorrer do tempo. Seu corpo começou a pingar de suor e foi obrigado a tirar todas suas vestes superiores, apesar do motivo principal de as ter tirado ser o sangue seco de Draco que jazia por ali ainda. Esse momento de descarga mágica o ajudou a colocar alguns pensamentos em ordem, por exemplo, o que faria agora que aceitou sua paixão por Draco.
Ao lançar um fogomaldito absurdamente poderoso no último dos bonecos gigantes que criou, vendo ele ser consumido pelas chamas imediatamente, enquanto pingava suor ao tentar controlar as chamas selvagens e opressoras que tomaram formas de serpentes gigantescas, ao conseguir, sentou ofegante no chão, porém satisfeito em como se sentia leve. Seu corpo estava todo molhado, seu abdômen brilhava com a camada de suor, nesse momento, ele pensou que precisaria de um banho se fosse mesmo fazer aquilo que rondava sua mente. Era sua única opção.
Contudo, tinha um problema, ele não queria voltar para o Salão Comunal da Grifinória, não desejava ver seus amigos agora, muito menos Gina, a qual ele tinha certeza que não conseguiria disfarçar a cara de raiva ao lembrar de sua última fala. Por isso, ele ficou por ali enquanto pensava no que fazer, poderia ir ao banheiro dos monitores, porém, o horário já estava perto do toque de recolher e ele estava sem a capa, aliás, ele teria que buscá-la no dormitório para seu plano funcionar. Enquanto pensava, de canto de olho, viu uma porta surgir perto de um armário de roupas em uma parede da Sala Precisa. Levantou rapidamente e foi abrir a porta, encontrou o que poderia ser o banheiro mais luxuoso que já vira em toda sua vida, com direito a uma banheira enorme com várias torneiras que lembravam as do banheiro dos monitores que visitou no quarto ano.
Tomou um banho rápido e notou que não tinha outra muda de roupa, se lembrou do armário que apareceu na Sala Precisa e foi até ele. As roupas eram de tons escuros e pareciam ser bem caras, mas o que mais lhe intrigou foi o fato delas serem do seu tamanho. Vestiu uma calça preta com uma blusa vinho escuro de manga longa e quando se olhou no espelho não reconheceu a figura ali o encarando, a única coisa que o entregava era o cabelo, pegou o que parecia ser uma loção capilar em cima do criado ao lado do armário, - que ele jurava não estar ali antes - e passou nas madeixas rebeldes, o que surpreendentemente funcionou, seus cabelos ficaram alinhados e o deixaram com um ar, ridiculamente, nobre. Harry se perguntava se aquilo não era demais. No entanto, pensou com quem se encontraria e percebeu que não, não era demais. Um brilho prata pendurado na porta do armário chamou sua atenção, pegou o que parecia ser um colar de prata com um símbolo que não conhecia e colocou no pescoço por cima de sua blusa, combinou perfeitamente. Deu uma última olhada no espelho gostando do que via e saiu da sala para buscar sua capa.
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Forgive
FanficHarry aceita seus sentimentos por Draco no meio de todos os acontecimentos caóticos do seu sexto ano em Hogwarts, porém um acontecimento faz com que todas suas dúvidas sejam respondidas e o obriga a enfrentar seus medos e desejos. Serão eles capazes...