Taeil
彡O despertador já tinha se cansado de mim, pelas minhas contas era a quinta vez que alarmava tentando me fazer levantar da cama. Mas eu não queria. Falei ao Jeon que voltaria ao hospital para trazê-lo pra casa, isso seria depois das dez da manhã, ele concordou por tanto que eu não faltasse as aulas. Falhei. Na sexta vez que o despertador berrou no meu ouvido eu desliguei e levantei preguiçoso indo até o armário para escolher uma roupa.
Estava frio, lá fora devia estar congelando cérebros.
Enviei uma mensagem ao Taehyung que ficou responsável por cuidar do meu amigo, segundo ele, Jeon madrugou e dormiu pela manhã, agora estava babando no travesseiro mas que o médico já havia passado para assinar a alta. Pedi para deixá-lo dormir mais um pouco e me esperar pois eu logo chegaria.
O meu logo nem era tão logo assim, fiz uma pausa no café e enchi o meu estômago faminto dessa vez na companhia de ninguém. Provavelmente todos estavam na aula e eu era o único sentado com cara de morto vivo tomando um Matte com torradas quase queimadas.
Fui para o hospital, mais meia horinha de atraso pelo trânsito e uma cara emburrada do Gguk, tudo que eu merecia ganhar pela manhã.
– Eu ia te tratar com amor e carinho mas agora levanta esse traseiro da cama e vamos embora.
– Você está vendo isso? É assim que ele trata um amigo acidentado. — Jeon se esforçou para sair da cama e pôs os pés numa sandália de borracha fraca que disponibilizaram. Quase duas vezes maior que o seu pé.
– O amigo acidentado está bem chato, merece uns tapas bem aqui! — Ergueu a mão para estapear a nuca do rapaz mas se conteve, Taeil não podia negar que sentiu falta do amigo e em vez do tapa lhe deu um abraço. — Vamos embora pra sua casinha.
Nós três partimos do hospital e apanhamos um táxi. Jeon e Taehyung nos bancos de trás, eu na frente. Podia ver os dois pelo espelho do carro, pareciam tímidos e com um certo rubror nas bochechas, como adolescentes envergonhados e introvertidos.
Não é típico deles, estava acontecendo alguma coisa.
Pelo caminho todo eu não deixava de notar o quão bem Taehyung cuidava dele, perguntando se estava doendo a cada vez que o carro passava por lombadas ou fazia curvas, conferindo se o sangue da veia já tinha estancado no adesivo, perguntando se ele estava com fome.
Não há quem no mundo que visse aquilo e não achasse extremamente bonito. Pela primeira vez eu senti que alguém além de mim podia cuidar bem dele, como a sua mãe pediu, como a minha própria mãe pediu. Taehyung pode fazer isso quando eu não puder. Me sinto aliviado agora, eu espero não estar errado.
Foi me perguntado se eu havia visto as aulas mais cedo, eu afirmei mas bastou entrar no quarto para que Gguk notasse os meus livros e equipamentos no mesmo lugar intocáveis. Não ia iniciar uma discussão alí, abri o notebook na escrivaninha e me sentei disposto à recuperar o assunto perdido, ao menos faria o outro calar a boca e acalmar o coração.
– Eu estou com fome agora, não comi nada de madrugada. — Choramingou Jeongguk e Taeil virou-se na cadeira como um contorcionista.
– Pois eu comi.
– E daí? Eu estou com fome. EU. Busca alguma coisa pra mim, Tete. Eu imploro!
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SINAIS | Tae + Kook
FanficOnde Jeongguk passa a encontrar o mesmo garoto em todos os lugares e em diferentes situações. Mas nas lentes da sua câmera ele nunca está presente. Tell me, do angels really exist? •Repost•