Capítulo Extra 1

109 30 214
                                    

Essa é a nossa despedida?




- Não faz essa cara – pedi, pela milésima vez.

Ele sorriu, tristonho, mas sua expressão não se alterou. Não tinha porquê se alterar.

Ele me abraçou apertado. Mamãe nos deixou a sós o tempo todo. Ela sabe que é um momento complicado para nós dois e não queria ser uma intrusa.

- Eu não queria que você tivesse que se mudar – ele falou, perto do meu ouvido. Senti seu hálito quente em meu pescoço, e só isso me fez questionar muitas coisas, muitas atitudes minhas, e tudo o que a gente simplesmente não viveu. Por minha culpa.

- Eu também não – consegui falar, depois de engolir o bolo em minha garganta. É difícil me imaginar daqui para frente, longe dele, mas infelizmente, é assim que vai ser.

Ouvi a chamada do meu voo pelo alto-falante do aeroporto. Seus braços me apertaram mais, sem sinais de que iria me soltar.

- Eu preciso ir – disse. Eu não quero ir. Minhas mãos agarraram seu casaco com força, deixando transparecer um pouquinho do meu desespero. Minhas mãos doíam, mas não me importei.

Ele se afastou apenas o suficiente para me olhar. Seus olhos azuis sempre tão brilhante pareciam apagados.

- Me desculpe – deixei as palavras escorregarem por meus lábios. Tudo o que eu não pude ou não consegui dizer para ele até hoje está entalado em minha garganta. – Por tudo – murmurei. – Por ser uma covarde e preferir terminar com você ao invés de encarar o que estava acontecendo; por ser egoísta de fazer isso sem considerar os seus sentimentos também. Por ter te magoado. Por não ter confiado mais em você – ele me apertou mais contra si, mas não me interrompeu. – Você é um cara incrível, e eu sou uma idiota. Eu não devia ter tido todas essas oportunidades. Me perdoa, de verdade. Por tudo.

- Não me peça perdão. Eu não me arrependo de nada. E não quero que você se arrependa – beijou minha testa. – Tudo o que eu vivi ao seu lado valeu cada segundo.

Senti vontade de chorar, mas as lágrimas não vieram. O que provavelmente é muito pior do que se eu simplesmente tivesse começado a chorar que nem uma criança.

- Eu vou sentir sua falta, Sam – ele disse, quando o alto-falante soou novamente. – Eu espero que você fique bem. Do fundo do coração – concordei com a cabeça e me estiquei na ponta dos pés, encostando meus lábios aos seus pela última vez. A pressão de sua boca sobre a minha, sua língua na minha... O arrependimento de tudo que poderia ter sido bateu com força, e a primeira lágrima veio com ele.

Estremeci quando ele alisou meu rosto com a parte de trás dos dedos, como ele sempre fazia.

O beijo foi longo, calmo e triste. Era um beijo de despedida. Era diferente de todos os beijos que tivemos até o momento, e eu não queria tê-lo sentido nunca.

Eu fui a pessoa quem deu o primeiro e o último beijo.

Me afastei sorrindo tristemente. Ele segurou minha mão, entrelaçando seus dedos aos meus. Ele não queria me soltar. Não queria me deixar ir. E no fundo eu queria que ele pudesse me impedir.

Apertei sua mão gentilmente, mas não o afastei.

- Eu preciso ir – repeti. Ele levantou o olhar de nossas mãos, os olhos marejados, magoados, doídos. – Me desculpa, Jack. Por tudo – pedi novamente.

Eu estou a literalmente um passo de distância dele e já sinto sua falta. Sinto falta de sua risada, do seu sorriso, das suas brincadeiras. Das vezes que brigamos por bobeiras. Sinto falta do seu abraço, da sua companhia e de tê-lo ao meu lado. Sinto saudade do meu melhor amigo, do meu companheiro e do meu amor.

Pensar que eu nunca mais vou ter Jack ao meu lado me deu uma sensação de desespero que eu não saberei nunca explicar.

A pressão de sua mão na minha diminuiu, afrouxando o aperto, até ele me deixar ir.

Com um último olhar, eu me virei e fui embora.

Minha última visão do meu melhor amigo, do meu namorado, do meu primeiro amor foi de destruir o coração.



Até o próximo

Fran

TransiçõesOnde histórias criam vida. Descubra agora