Capítulo 5

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Remus acordou com a luz entre as cortinas que ele esqueceu de fechar completamente e um peso pesado e quente ao redor dele. Ele estava quente com seu moletom e calça e o peso, e ele tentou empurra-lo brevemente, mas apenas o segurou mais apertado. Ele abriu os olhos, acordando devagar, e seus lábios roçaram a pele. Ele ficou muito quieto.

Sirius fez um barulho em seu sono e se mexeu, rolando um pouco de costas e puxando Remus com ele. Remus se viu com a cabeça apoiada no ombro de Sirius e o nariz pressionado em seu pescoço. Uma das mãos de Sirius caiu na cintura de Remus, a outra na cabeça de Remus, os dedos em seu cabelo e roçando seu pescoço. Remus tinha certeza de que nunca mais respiraria direito.

Seus olhos encontraram o relógio na mesa de cabeceira do hotel. Marcava seis e vinte e quatro da manhã. O ônibus da equipe sairia para o aeroporto às oito e meia. Eles tinham tempo. Remus soltou um suspiro silencioso. Eles tinham muito tempo. A luz era suave e Remus se sentiu confuso, como se ele estivesse em um mundo diferente e fossem apenas os dois. Ele poderia fechar os olhos agora, fingir que está dormindo e fazer o que quisesse.

Ele fechou os olhos e pressionou o pescoço de Sirius, deixando seus lábios roçarem ali. Só um pouco. Só uma vez. Parecia que era agora ou nunca. Nunca. Ele lentamente, e o que ele esperava parecer sonolento, deslizou sua mão para descansar em cima do peito de Sirius.

Sirius fez outro barulho e Remus congelou, mantendo a respiração estável.

A respiração de Sirius parou, segurou por alguns momentos, e então reiniciou.

Remus podia sentir, sob sua palma, enquanto o coração de Sirius ia de batidas sonolentas para mais rápidas, batidas de coelho.

Como se ele estivesse com medo, ou nervoso, ou...

Remus fechou os olhos com força e fingiu que o coração de Sirius estava batendo tão forte porque ele era como Remus, porque ele queria. Porque ele queria Remus também.

Remus esperava ser acordado a qualquer minuto, a qualquer segundo. Ele respirou Sirius, o calor da manhã despenteado dele, o leve suor em sua pele de seu próprio moletom grosso, e se preparou para se lembrar disso. Preparado para valorizá-lo. Preparado para que Sirius nunca mais olhasse nos olhos dele.

Ele convidou Sirius na noite passada para consertar tudo, não para piorar.

E então a mão de Sirius apertou seu cabelo, só um pouco, seus dedos roçando suavemente, quase reverentemente, incrédulo, pelos fios de areia. Sua palma segurou o quadril de Remus e ficou lá, como se ele estivesse tentando impedir Remus de rolar para longe. O tempo todo, o coração de Sirius batia forte sob a palma da mão de Remus.

Remus abriu os olhos onde Sirius não conseguia ver. Remus não conseguia nem ver além do travesseiro e os cachos escuros do cabelo de Sirius, mas ele não precisava ver nada disso. Ele podia sentir isso. Ele fechou os olhos novamente, determinado a ficar parado. Agora ou nunca. Sirius poderia estar meio adormecido, ele poderia pensar que Remus era outra pessoa, ele não poderia ter a menor ideia do que estava fazendo...

Remus queria que isso durasse. Então, ele respirou e deixou Sirius cercá-lo.

Eles dormiram até que o alarme os acordou uma hora depois. Teria parecido um sonho, só que nenhum dos dois havia se movido e Remus sentiu o peito de Sirius se mexer quando ele estendeu a mão para a mesa de cabeceira para desligar o telefone de Remus. Os dois ficaram ali por alguns minutos, sem se separar. Sirius mal se soltou.

"Ei." Sirius disse, e Remus teve que fechar os olhos novamente por um segundo, a bochecha pressionada contra o peito de Sirius. Era ssim que a voz de Sirius soava pela manhã. Arranhada de sono.

Sweater Weather • WOLFSTAROnde histórias criam vida. Descubra agora