A fogueira

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Sempre fui muito romântica. É algo de que não tenho exatamente o orgulho em ser. Sempre li muitos romances e tenho uma coleção de dvd das princesas da disney. Meu primeiro beijo não foi nada romântico, no entanto.

Nathan e eu estávamos em uma fase estranha da nossa amizade, muito gente pressionando para que estivéssemos juntos. Como se eu e ele sermos amigos fosse a coisa mais bizarra do universo. Por causa disso, no meu aniversário de 13 anos, enquanto abríamos os presentes das minhas tias em seu quarto ele me puxou e me beijou.

Não consegui fechar os olhos ou reagir. E em alguns segundos ele me soltou, seu cabelo ainda com o corte Justin Bieber e sua camiseta do Panic! At the Disco ficaram gravados na minha cabeça enquanto eu processava o que diabos tinha acontecido.

— Nathan, você gosta de mim? — perguntei sem nem mesmo conseguir olhá-lo nos olhos

Suas bochechas ficaram vermelhas.

— N-não desse jeito... — gaguejou — Eu só queria saber, sabe? Hm, deixa pra lá

Nathan inclinou a cabeça para o lado e passou as mãos no cabelo.Limpei a garganta e mordi o interior da minha bochecha.

— Ah...Bom.

O embrulho do presente que eu segurava com força sem perceber fez um barulho.

— Certo — ele falou

Todos os momentos que deveriam ser românticos na vida não foram. Eu culpo Hollywood. Entretanto, ao ver Lara novamente meu coração disparou, como se eu estivesse em alguma comédia romântica.

Existem pessoas que nunca esquecemos e ela com certeza vai ser uma delas. Lara arqueia a sobrancelha e sorri. Os lábios se movem formando uma palavra:

— Oi

— Oi — respondo sorrindo

Ela só sorri como resposta e se vira para os amigos de novo.

— Maia, bem? — Júlia puxa meu braço

sim

É claro. Por que ela iria vir falar comigo?

Lucas termina de tocar e seus amigos batem palma, ele coloca o violão de lado e puxa do chão uma coroa de flores. Ele não poderia ser mais clichê nem se tentasse.

— E ai — fala ao se aproximar

— Legião Urbana? — pergunto

Ele pisca.

— É um clássico, você gostava quando eu cantava

— Uhum — respondo

Cruzo os braços. Nathan chega por trás de Lucas e passa o braço pelo o pescoço dele o puxando para um abraço desengonçado.

— Seu babaca, por que não veio na aula de surf?

A Júlia puxa o celular conversando com a melhor amiga no celular enquanto Nathan fala besteiras com o Lucas.

E eu estou aqui. Deslocada de novo.

Suspiro. O cheiro do mar é gostoso, apesar de se misturar com a fumaça de cigarros e da fogueira. Pego meu celular e fico rolando o feed das minhas redes sociais sem realmente me interessar com as fotos das pessoas. Respondo a mensagem da minha mãe sobre um vídeo da igreja dela com uma figurinha de risada.

— Agatha?

Uma mão toca no meu ombro. Olho para trás vendo Lara, minhas bochechas esquentam. É por causa do meu nome falso ou porque gosto dela que fico tão nervosa?

As Coisas Que Nunca SentimosOnde histórias criam vida. Descubra agora