A natureza desse pensamento é indescritível e não limita-se somente ao machismo. É fruto da imaginação de um ser com uma quantidade de neurônios equivalente a 3.10³, sendo generoso. Sim, esse é um pensamento machista. Mas acalme-se, não teria graça se acabasse em um consenso. O problema está em como essa ideia é passada adiante, o neofeminismo afirma que a sociedade funciona segundo esse pensamento, e por isso existe a desigualdade salarial. E quão deturpada é essa indagação, a maioria esmagadora das pesquisas apontam que a média salarial das mulheres equivale a 80% da média salarial dos homens, e sem cerimônia as neofeministas usam esses resultados para afirmar “o mercado de trabalho discrimina as mulheres e favorece os homens". Então quer dizer que em todas as áreas profissionais as empresas estabelecem a seguinte regra: “Se você for homem, receberá tanto, se for mulher, tanto”. Isso não foge muito da realidade?
Não estou dizendo que não existam empresas machistas, estou dizendo que não acredito que empresas com políticas misóginas seja algo tão normal assim, como fazem parecer ser. Sou cético quanto a todo esse alvoroço, “a mulher não é contratada somente por ser mulher”, há outras justificativas mais aceitáveis para esse problema, e existem fatos que provam isso. Mostrarei uma pesquisa realizada pela “Quero bolsa”, que mostra a média salarial de homens e mulheres nas dez profissões que mais geram postos de trabalho.
Analista de negócios: homens ganham R$ 5.334 e mulheres, R$ 4.303.
Analista de desenvolvimento de sistemas: homens ganham R$ 5.779 e mulheres, R$ 5.166.
Analista de pesquisa de mercado: homens ganham R$ 4.191 e mulheres, R$ 3.624.
Biomedicina: homens ganham R$ 2.761 e mulheres, R$ 2.505.
Enfermagem: homens ganham R$ 3.417 e mulheres, R$ 3.288.
Nutricionista: homens ganham R$ 2.781 e mulheres, R$ 2.714.
Farmacêutico: homens ganham R$ 3.209 e mulheres, R$ 3.221.
Avaliador físico: homens ganham R$ 2.107 e mulheres, R$ 2.303.
Muitos ao verem esses resultados, olham somente para os fatos convenientes e chegam instantaneamente a conclusão de que há uma política misógina nas profissões onde os homens tem uma média salarial maior do que a média salarial das mulheres. Mas quando é o contrário, quando a média salarial das mulheres é superior a média salarial dos homens, não há nenhum problema, “mérito”. Bom, nunca existirá uma “igualdade salarial”, pelo simples fato de que há um piso e um teto salarial. O profissional iniciante, seja homem ou mulher receberá um salário menor do que um profissional experiente. E há uma outra série de fatores para se considerar, profissionais que exerçam as mesmas funções, mas que tenham cargas horárias diferentes receberão salários diferentes. E, vale ressaltar, o nível de experiência, ou seja, o tempo que o profissional exerce a sua profissão, assim como a região onde ele atua influenciará no seu salário. Agora mostrarei algumas pesquisas que apresentam a média do piso e do teto salarial de cada profissão mostrada em uma pesquisa do “Quero bolsa”, para destacar o tamanho da variação salarial que cada uma dessas profissões pode ter.
Média do piso e do teto salarial das dez profissões que mais geram postos de trabalho:
Analista de negócios:
Piso salarial (em média): 3.000,00
Teto salarial (em média): 6.510,00
Variação salarial: 3.510,00
Analista de desenvolvimento de sistemas:
Piso salarial (em média): 3.312,00
Teto salarial (em média): 7.301,00
Variação salarial: 3.989,00
Analista de pesquisa de mercado:
Piso salarial (em média): 3.572,10
Teto salarial (em média): 9.203,22
Variação salarial: 5.631,12
Biomedicina:
Piso salarial (em média): 2.502,87
Teto salarial (em média): 5.346,03
Variação salarial: 2.843,16
Enfermagem:
Piso salarial (em média): 3.120,61
Teto salarial (em média): 6.471,11
Variação salarial: 3.350,50
Nutricionista:
Piso salarial (em média): 2.608,79
Teto salarial (em média): 5.119,62
Variação salarial: 2.510,83
Farmacêutico:
Piso salarial (em média): 3.202,23
Teto salarial (em média): 6.171,59
Variação salarial: 2.969,36
Avaliador físico:
Piso salarial (em média): 1.217,00
Teto salarial (em média): 2.508,73
Variação salarial: 1.291,73
Os resultados mudam de acordo com cada fonte de pesquisa, mas podemos considerar esses dados pelo menos como orientadores. O meu intuito ao apresentar esses dados é mostrar a variabilidade salarial do mercado de trabalho. Não existe um salário fixo em cada profissão, então ainda que não existisse “machismo no mercado de trabalho”, haveria desigualdade salarial entre profissionais que atuem na mesma área e principalmente, quando exercem funções diferentes. Uma mulher com uma carreira profissional recém iniciada não terá o mesmo salário de um homem com mais experiência profissional, pois dificilmente, exercerão as mesmas funções, pelo fato de que alguns trabalhos demandam mais experiência, o mesmo vale para o contrário. Até a região que os profissionais atuam influenciam em seus salários. As pesquisas sequer notificam essas hipóteses, elas não dão nenhum detalhe, como por exemplo, quantas pessoas foram entrevistadas, se foram mais homens ou mais mulheres, se existem mais homens ou mais mulheres na determinada profissão da pesquisa, o nível de experiência de cada entrevistado, e assim por diante.
A equiparação salarial está prevista na Lei 1.723/1952, que diz: “Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade”. A preconceituosa, a misógina sociedade brasileira, tem uma lei que combate esse preconceito, mas não é nada para se vangloriar, o Estado com suas leis mais atrapalha do que ajuda. As neofeministas afirmam que o mercado de trabalho é machista, ou seja, todas as empresas e instituições, inclusive as dirigidas por mulheres, então até mesmo mulheres estão desprezando mulheres, e a exclusão da mulher no mercado de trabalho é culpa do homem?
Todas essas pesquisas apresentam sempre um “resultado”, nunca revelam quais critérios e métodos foram utilizados ou a quantidade de pessoas que foram entrevistadas para a realização dessas pesquisas. As pesquisas apresentam a “média salarial” de cada sexo, essa “média” é obtida dividindo o resultado da soma dos salários de todos os trabalhadores de cada sexo pela quantidade de trabalhadores de cada sexo. Nunca haverá igualdade salarial no mercado de trabalho. É forçoso admitir que até o momento, o mercado de trabalho continua sendo mais favorável ao homem, mesmo com todos os avanços femininos. Os homens realizam as mais variadas funções, principalmente as que envolvem riscos de vida e esforço físico. O homem quando frustra-se no topo do mercado de trabalho, adapta-se ao térreo.
Os homens entram no mercado de trabalho com mais facilidade do que as mulheres, pois são mais versáteis, o trabalho braçal (que exige esforço físico) é a área que emprega com mais facilidade, e é composta quase totalmente por homens. Pedreiros, serventes, carpinteiros, mecânicos, encanadores, eletricistas, soldadores, etc., são quase todos homens, as mulheres não demonstram sequer interesse nesses trabalhos, que seria o térreo do mercado de trabalho, deixando mais difícil a sua inserção no mercado. A taxa feminina de desemprego é 39.4% superior a taxa masculina, e isso é totalmente esperado visto que os homens “criam” suas próprias oportunidades de emprego. Então no geral, é totalmente previsível que a média salarial masculina seja maior do que a feminina (no mercado de trabalho em geral, não em uma profissão específica). Darei um exemplo para facilitar o entendimento.
Há em um açougue 7 funcionários, 4 são homens, 3 são mulheres. Dos 4 homens 3 são açougueiros, responsáveis pelo abatimento e corte dos bois, recebem um salário equivalente a 1.578,00 reais cada, o último é responsável pelo transporte da carne, recebe um salário equivalente a 1.430,00 reais. Das 3 mulheres 2 são faxineiras, responsáveis pela limpeza, recebem 1.380,00 reais cada, a última trabalha no caixa, é a responsável pelas finanças, recebe um salário equivalente a 1.600,00 reais. Agora vamos descobrir a média salarial de cada sexo nesse açougue.
Quantidade de homens na empresa: 4
Total do salário dos homens: 1.578,00 + 1.578,00 + 1.578,00 + 1.430,00 = 6.164,00.
Média salarial dos homens: 6.164 ÷ 4 = 1.541,00.
Quantidade de mulheres: 3
Total do salário das mulheres: 1.380,00 + 1.380,00 + 1.600,00 = 4.360,00.
Média salarial das mulheres: 4.360,00 ÷ 3 = 1.453,33.
Homens e mulheres (no geral) tem uma média salarial discrepante porque na grande maioria dos casos exercem funções diferentes, mas as neofeministas fazem parecer que não, que a mulher sempre exerce as mesmas funções de um homem recebendo um salário inferior ao dele, divulgam descuidadamente resultados de pesquisas parciais, nada detalhadas, pouco esclarecidas, e como sempre, tomam as próprias convicções como verdades absolutas. Para qualquer desinformado esses resultados são realmente alarmantes, “as mulheres recebem 80% do salário dos homens”, esse tipo de manchete deixa a entender que esse é um fato genérico, que todas as empresas quando entrevistam uma mulher jogam na cara dela “você receberá 20% a menos do salário dos homens daqui, porque você é mulher”. Isso acontece? Não vou negar a existência de empresas com políticas misóginas, mas esse não é o fator que causa a diferença na média salarial de homens e mulheres, está longe de ser, e não, não existe misoginia nas empresas como fazem parecer existir.
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Em defesa do homem: o processo de demonificação
SaggisticaO homem está sendo colocado no extremo negativo existencial, sentado no banco dos réus, sem chances de defesa, em um julgamento, onde o acusador é também vítima e juiz. O masculino está passando por um "processo de demonificação", protagonizado pelo...