Capítulo 18: Me leve de volta!

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Parei por um segundo, absorvendo o que ela havia dito com um pouco de incredulidade, tentando ter certeza que eu tinha ouvido certo. Mas pela forma que Amélia me olhava, ela não estava brincando. Eu a encarei, de pé ali, me olhando com tanta determinação.

—Eu não quero ir pro seu mundo. Eu não quero ter nenhuma ligação com vocês! —Afirmei, soando um tanto rude dessa vez, porque não tinha certeza de que ela estava entendendo o que eu estava falando e repetindo desde o inicio. —Não sei o que está se passando na sua cabeça agora, mas meus pais eram arcadianos. Eu sou arcadiana. Não tenho qualquer ligação com vocês.

—Você nos odeia. —Ela soltou, como se estivesse constatando um fato surpreendente. Acabei rindo disso, porque ela não fazia ideia de absolutamente nada.

—Eu não odeio vocês. Eu só tenho certeza de que vocês não gostam da gente. Vocês vem aqui e nos dão esses belos espetáculos, fingindo se importar com nosso povo. Fingindo querer melhorar as coisas pra nós. —Afirmei, balançando a cabeça negativamente. —Mas é um teatro. É tudo uma farsa. Vejo como a maioria de vocês olha para os arcadianos. Somos aquelas criaturas inferiores que vocês sentem vontade de ajudar, apenas para massagear o próprio ego.

—Nossa. —Ela riu, um pouco chocada, enquanto parecia pensar no que eu havia acabado de dizer. —É uma analise e tanto de um povo que você nem conhece.

—Eu não preciso conhecer, eu só preciso conviver com vocês pra saber. —Rebati, saindo da cama de novo, porque estava determinada a colocar um ponto final naquela conversa. Ela já estava indo longe demais, para um rumo que eu não estava gostando. —Olha, foi um prazer conhecer você, Amélia, mas eu vou embora pra casa agora.

—Você descreveu meu povo dessa forma, e não pensa nem um pouco no que eles vão fazer com você? —Indagou, me fazendo parar o movimento de sair dali, erguendo os olhos para encará-la. —Como eu disse, todos viram e todos estão falando de você. Elementais e guerreiros nível são extremamente raros no nosso mundo, Zaia. Infelizmente isso não é algo que você possa ignorar. Se não vier comigo, alguém vira atrás de você. Porque não existe nada que assuste mais os falesianos, do que uma arcadiana ligada a um dragão.

—Não estou ligada a um dragão. —Retruquei baixinho, engolindo em seco quando ela sorriu de forma gentil pra mim, como se eu fosse muito inocente. —Eu eu acho que você pode perceber sozinha que eu sei me defender muito bem.

—Eu sei. Eu vi. —O sorriso dela se tornou maior, enquanto a cortina era afastada e uma garota loira surgia dali, trazendo uma bandeja com comida e água.

Ela sorriu assim que me viu de pé, enquanto eu a reconhecia, porque a vi ao lado de David no dia do sorteio dos nomes, além de ela ter aparecido nos meus sonhos, que agora eu sei que não eram sonhos de fato. Assim como aqueles olhos violetas, que eram muito reais e diferentes, como se brilhassem como magia.

—Achei que estaria com fome, depois de passar tanto tempo apagada. —Ela se aproximou, deixando a bandeja sobre a cama ao meu lado, enquanto se afastava e parava ao lado de Amélia. —Tudo está pronto no Chalé Azul. David já resolveu as coisas por aqui também, ele só está esperando por você.

—Obrigada, Mia. Nós já estávamos terminando de conversar. —Amélia afirmou, quase me arrancando uma risada, porque eu nem queria estar tendo aquela conversa, enquanto ela parecia determinada a não colocar um fim nela. —Você se lembra dos guerreiros que estavam competindo com você?

—Sim, por incrível que pareça eu não cheguei a perder a memória. —Sussurrei, me virando para a bandeja de comida, vendo Mia levar a mão aos lábios para esconder a risada, enquanto Amélia soltou um suspiro pesado, como se já estivesse acostumada a lidar com pessoas como eu.

As Crônicas de Scott: A Profecia / Vol. 1 Onde histórias criam vida. Descubra agora