— Como foi a terapia?
Entrego-lhe uma caneca de chocolate quente enquanto me sento no sofá a sua frente com minha própria xícara na mão. A fumaça do liquido escaldante embaça minha visão enquanto a observo atentamente.
Alessa deposita a caneca na mesa de madeira entre nós duas e afunda na poltrona de minha sala. Sua bunda escorrega ate o fim, tentando ao máximo se fundir ao objeto. Seus olhos passam por toda a sala fugindo dos meus que apenas a esperar. Finalmente ela me encara, os olhos vazios implorando por uma ajuda que não sou capaz de dá e dói, dói como o inferno a ver morrendo aos poucos. Ela não me responde, apenas continua me encarando e eu sei o que ela está dizendo.
Como sempre ela fala pelo o laço vermelho que liga nossas almas eu falei, falei e não aliviou o nó em minha garganta.
— Não é veneno, querida. Com o tempo vai surgir efeito. Lembre-se é...
— Como matar um leão por dia — sua voz rouca me interrompe, sua expressão continuava intacta. Continuava vazia.
É apenas difícil é o que ela quer falar, porém não tem forças para isso.
Eu sei é o que eu quero falar. Apenas ficamos ali, eu bebendo meu chocolate e ela me encarando. O silêncio é bem vindo, a solidão que não é. Por isso, nem uma das duas ousou desviar o olhar.
Termino com a xícara e a deposito na mesa de madeira de centro, abro o coberto grosso do meu lado cobrindo minhas pernas, não preciso dizer nada. Alessa se levanta e se senta no espaço vazio, lanço uma parte do coberto sobre seu corpo frágil e a puxo para perto. Sua cabeça descansa em meu ombro e a minha em cima da sua. Ligo a televisão e coloco em nossa serie favorita. Supernatural. Vejo a relaxar ao meu lado e me permito o mesmo quando observo Dean Winchester pilotando sua baby.
Decreto depois de alguns minutos de episódio:
— Dean e Castiel são um casal. Isso é um fato.
Sinto ela se mexer levemente irritada ao meu lado, não preciso olhara para saber que me encarava indignada.
— De onde tu tira essas merdas sua doente? — sua voz esta banhada de falsa irritação.
Eu aponto para a TV com uma expressão exagerada de indignação. Castiel encara Dean intensamente com o cenho levemente franzido.
—Ohh Castiel — a voz do Dean preenche a sala vazia. — Não é por nada não, mas da ultima vez que me encararam assim. Eu transei.
Um sorriso vitorioso cresce em meu rosto quando vejo que o Anjo do Senhor ficou corado com as imundices de Dean Winchester.
— Ah cala a boca — ela diz enquanto cruza os braços e deita a cabeça em meu ombro. Eu solto uma gargalhada e ficamos ali assistindo mais três episódios.
Quando o relógio bate 20:00 p.m em ponto eu me levanto para ir a faculdade, tenho duas aulas extras hoje. Examino Alessa dormindo em meu sofá e saio do apartamento torcendo para que ela resolva ficar, o que me permitiria vigia-la. Todavia quando abro a porta novamente por volta das 22:30 p.m ela não estava mais lá.
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E no final ela disse sim
Short StoryEra 31 de dezembro. - Sim ou não? A cada ano ela piorava. - Não Ela suspirou. - Okay - Okay.