– Bom, Sr. Christopher, o que gostaria mais precisamente?
Me sentei no sofá e pensei um pouco antes de responder ao homem de cabelos grisalhos e óculos retangulares que estava sentado em uma poltrona em minha frente.
– Eu quero um anel – respondi – Nada muito chamativo. Tem que ser uma coisa mais sutil, mas que não deixe de causar impacto.
– Compreendo – o homem concordou abrindo uma grande e fina caixa aveludada e a estendendo em minha direção.
Eu a abri e analisei atentamente cada anel. Não sei muito sobre jóias, mas sei o gosto da maioria das garotas normais e elas se contentariam com uma daquelas. O único problema era que a que receberia aquilo não se encaixava nas características que a palavra normal englobava.
– Comuns demais – disse fechando a caixa e a devolvendo.
Vi o homem tirar uma pequena caixa de veludo preto de dentro de uma caixa maior.
– E esse? – ele perguntou me entregando.
Não precisei olhar duas vezes para o anel para saber que era aquele. O aro de ouro branco era simples, destacando ainda mais o pequeno diamante em forma de coração cravado nele.
– Perfeito – sorri, satisfeito – Fico com esse.
– Devo avisá-lo, senhor, que essa joia é exclusiva por isso o preço está fora da nossa tabela habitual – o joalheiro me alertou, mas eu não estava preocupado com esses detalhes.
– Quanto? – perguntei ainda olhando para o anel.
– 16 mil libras, senhor.Fechei a caixa com um suspiro e sorri.
– Aguarde aqui. Vou assinar o cheque
Depois de pagar e acompanhar o joalheiro até a porta voltei a admirar o anel. Estava tão perdido em meus pensamentos que não reparei que alguém muito indesejável agora me fazia companhia.
– Vai dar a ela um anel de 16 mil libras? – Belinda perguntou com o tom de voz incrédulo.
– Não te devo explicações, irmãzinha – eu sorri guardando a caixa em meu bolso – Nossa aposta acabou. O que eu faço agora ou deixo de fazer é problema meu.
Ela me olhava com aqueles olhos frios, os braços cruzados por cima dos seios e os lábios apertados, com raiva.
– Nunca vi você gastar tanto dinheiro com suas vagabundas.
Estava disposto a ignorá-la, tanto que já estava perto da escada quando ouvi sua última frase. Por impulso voltei, me aproximando dela que me olhava ameaçadoramente.
– Maite não é nenhuma vagabunda. Deveria saber já que ela é tão diferente de você.
Belinda pareceu não se importar com o que eu acabara de dizer. Continuava me olhando com desgosto e raiva.
– Você gosta dela – ela murmurou com dificuldade. Os olhos castanhos brilharam ameaçadoramente.
Não a respondi, por que não precisava. Subi as escadas e fui para o meu quarto pensar em como daria aquele anel para Maite.
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Cruel Intentions (Romancier)
PovídkyHistória repostada da antiga comunidade do orkut "webnovelas uckerroni". A escritora é a Romancier, estou apenas repostando. Todos os direitos reservados.