Capítulo 4

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Aquela sombra me arrasta por um caminho escuto, a trajetória dura pouco antes de eu sentir tudo escurecer

...

Acordo com um susto e levanto rapidamente.

Sinto um impacto na minha testa e percebo que bati em alguém

- Aí! - uma voz masculina soa como um eco em uma sala vazia

Coloco a mão na testa com intenção de amenizar aquela dor mas logo tiro quando olho em volta.

O quarto é grande só com a cama que estou e uma poltrona, as paredes são totalmente espelhadas, chão e o teto pretos como carvão.

Acordo da distração e vejo duas pessoas, o menino em que eu bati a testa tem a aparência familiar, cabelos pretos e olhos tão escuros quanto o teto do lugar, logo ao lado na poltrona uma menina loira dos olhos azuis e a pele tão branca quanto a neve.

De uma coisa eu tenho certeza, os dois são talvez as duas pessoas mais lindas que vi em toda a minha vida

- Eu concordo - a voz masculina do menino soa e me dá um susto

- O que? - digo enquanto a menina da uma risadinha, mas logo para quando percebe que olhei pra ela

- Então é assim que é a mente de um humano, tão patético quanto imaginei - diz o menino com um tom irônico

- Onde eu tô? Quem são vocês? Ah não... Eu morri

A figura masculina cai na gargalhada, ele ri tanto que chega a chorar, quando finalmente para olha pra mim

- Por mais que eu pudesse confirmar sua informação só pra ver até onde isso ia chegar... Não, você não morreu.

- Ah, ok então - digo

- Sério? Você aparece em um lugar totalmente aleatório com pessoas estranhas e bonitas demais para serem humanas e essa é sua reação? - ele olha surpreso pra menina atrás dele

- Meu dia foi tão horrível que se eu caísse em um poço direto para o inferno eu não me surpreenderia - sorri e ele ri

- Humanos são engraçados... Que falta de educação a minha, sou Peter, e essa é minha irmã Nora

- Legal, vocês vão me explicar o que tá acontecendo?

Aquela gargalhada rouca volta

- Você é...?

- Não vou dizer meu nome pra um estranho - cruzo os braços

- Obrigada por ser uma menina educada e me dizer que seu nome é Carolina

Como ele sabe meu nome? Quem são eles? Agora eu tô me desesperando

- Calma... Carol. É assim que você gosta de ser chamada, certo? Vamos te explicar - ele mostra um sorriso com uma certa ironia

A menina que estava calada na poltrona logo se levanta e vem até mim

- Me perdoe meu irmão idiota... Vou tentar ser resumida pra não te assustar... Somos Mirs, protegemos a dimensão dos humanos e não sabemos como você veio parar aqui - ela tenta sorrir de uma forma tranquilizadora mas não dá certo

- Eu posso fazer algumas perguntas?

- Não. - Peter diz e eu entro em desespero interno

- Peter! - Nora da um tapa no braço dele

- Não seja tão séria irmãzinha, estava brincando, você tinha que ver a mente dela quando eu disse isso, ela entrou em desespero - ele ri

- Como vocês lêem minha mente? O que são Mirs? Eu acho que minha cabeça vai explodir

- É o que parece - ele diz entre as gargalhadas e eu volto para o desespero - calma, não vai explodir - ele continua rindo e eu suspiro aliviada

Quando presto mais atenção vejo que ele está sentado em frente a uma espécie de computador

- Isso é... Bom... Uma especie de leitor de memórias, estamos tentando descobrir como você veio parar no nosso mundo - Nora diz quando percebe minha atenção no computador - mas suas memórias recentes têm uma grande parede as protegendo

- E isso normalmente acontece quando as emoções de tristeza e raiva predominam, então você com certeza tem coisas bem interessantes escondidas atrás dessa parede - Peter continua mas Nora dá um empurrão nele e o interrompe

- Precisamos que você tire essa parede daí - ela sorri

- Parede? - digo

- É um modo de dizer, são espécies de barreiras que cercam certos acontecimentos na sua memória, você as cria sem perceber, na verdade, suas emoções criam elas, normalmente a tristeza e a raiva... Pra tira-las daí basta recordar essas memórias, e deixar as emoções nelas fluírem, saírem de dentro de você - ela mostra outro daqueles sorrisos reconfortantes

Automaticamente me recordo de todo o dia de hoje e como ele foi horrível e meus olhos enchem de lágrimas.

- Isso! - Peter grita enquanto bate palmas e volta para o computador - uau... Nossa... Credo... - ele diz enquanto assiste minhas memórias como uma novela - você atropelou ele? Menina...

- Peter! Vamos para o que importa - Nora corre para o computador - ela quebrou um espelho - ela mostra uma expressão surpresa enquanto olha pra ele

Ele devolve uma expressão confusa

- Achei que não existissem mais espelhos no mundo humano...

- Alguém pode me explicar o que tá acontecendo? - suplico

- Nós Mirs protegemos vocês humanos patéticos, mas não vivemos no mesmo mundo que vocês, existem portais que nos levam até lá quando necessário, aqui temos magia e coisas que vocês nem conseguem imaginar, criaturas sinistras que querem escravizar sua raça e... - ele leva outro tapa de Nora

- Cala a boca! Basicamente, isso que ele falou, mas vocês não podem ter acesso ao nosso "mundo" - ela enfatiza a palavra e faz aspas com os dedos - quando vamos para missões no seu mundo vocês nem ao menos conseguem nos ver, não somos iguais...

- Então vocês são tipo Caçadores da sombras - digo e Peter fecha a cara

- Não, somos melhores e mais bonitos... Deviam escrever livros sobre a gente

- Você não é nenhum Jace - digo irônica e antes que ele responda Nora continua

- A questão é que tínhamos portais através de espelhos, que ficavam na terra com guardiões aposentados em respectivos pontos, mas depois de alguns... problemas, somente nos temos espelhos que ficam aqui e os portáteis que nos ajudam a voltar, e os da terra foram destruídos. Mas de alguma maneira você teve acesso a um deles.

- Entendi, entendi. Me levem de volta e tá tudo certo. - digo enquanto levanto da cama

- Não é assim que funciona humana

Por que ele me chama de humana como se fosse algo ruim? Que idiota

- Ei! Não precisa ser grossa... Mortal!

- Para de ler minha mente!

- Você que manda

ele põe a mão na minha nuca que arrepia na hora, e arranca algo tão rápido que quase não deu tempo de sentir a dor, quando vejo é uma espécie de chip não pequeno que é quase invisível

- Aí! - exclamei - me tirem daqui ou eu vou...

Antes que eu termine a frase a porta de abre como um estouro, e uma menina morena entra

- Pra que a pressa, flor?

O Outro Lado Do EspelhoOnde histórias criam vida. Descubra agora