Visita a noite

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Acordo como sempre as três da manhã, aquela sensação percorre o meu corpo e levanto rapidamente da cama, pego aquilo que sempre mantenho escondido em minha coleção de Edgar Allan Poe e sigo para a cozinha. Está escuro, um completo breu que assombra a essa hora da madrugada e engole toda e qualquer luz que ouse me mostrar esperanças.

Ponho aquilo em cima da mesa, bem em frente a cadeira que vou me sentar e ele aprece.

- Olá querida! – Me cumprimenta com um sorriso malicioso e seu cheiro cadavérico começa a engolir o lugar.

- Boa madru – respondo eu com a cabeça baixa (por que eu sempre baixo a minha cabeça? Droga!)

- Que milagre por aqui!

- Você foi me acordar! Não se faça se sonso!

- Eu sou tudo minha querida! Menos sonso! – Respondeu ele com ira.

- Não quis ofender. – Respondo eu com a cabeça mais baixa ainda.

- Eu vim aqui, com toda a humildade do mundo, tentando lhe proporcionar a saída para os seus problemas, na melhor das intenções e sou ofendido por uma pirralha que ainda nem terminou a faculdade?

- Você não quer me ajudar – protesto com veemência.

- Eu não quero ajudar você? – O tom era de ofensa – Me sinto extremamente ofendido por isso minha querida. O que mais anseio é ajudar você minha pequena!

- Não, você não quer...

- Ora, me diga, como foi o dia hoje?

- Foi um dia normal, monótono, cheio de brigas familiares, mortes na televisão e violência estampada não somente nas ruas, mas nas redes sociais também – Quando me dei conta da frase formada eu pude sentir a euforia vindo dele.

- Então me diga pequena? Esse mundo, não é horrível? Não gostaria de deixa-lo? Todas essas pessoas que aparecem aos montes são totalmente corrompidas, seja pela sensação de poder ou simplesmente porque se sentem bem ao maltratar o próximo! O mundo está totalmente cheio disso: Guerra, peste, antipatia, ódio, traição, morte, estupro, violência, culpa e principalmente, dor. Sair daqui como eu proporciono não seria um bem?

- As pessoas são ruins sim, mas tem seu lado bom.

- O lado bom delas não compensa a falta de empatia que têm pelo próximo!

- Mas também não significa que tudo está perdido!

Ouço um suspiro alto, era típico dele suspirar assim quando eu me mostrava indiferente a sua conduta ou quando percebia que suas indagações não me atingiam como ele queria.

- Me diga, pequena. Você está feliz com essa "bondade" que vê?

- Não completamente, sinto que muitas das vezes eu realmente preferiria viajar com você. Mas me pergunto se realmente valeria a pena.

- Você é livre para escolher – respondeu ele pondo as mãos na mesa.

- Foi isso que você disse para a Luana?

- Sim.

- E o que ela respondeu?

- Você sabe minha pequena, você viu e ouviu.

Lagrimas começaram a cair e me vi em prantos enquanto sentia ele me encarar com aquele maldito sorrisinho de canto.

- Você me escolheu há dois anos atrás, foi assim que nós nos conhecemos, lembra?

- Você sabe que não deu certo.

- Sim, sim e você voltou atrás e não veio mais até mim, isso me machucou minha pequena.

Contos para ler após a meia noite (CONCLUÍDO)Onde histórias criam vida. Descubra agora