Capítulo 20.

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Eu sempre fui trouxa e nunca quis muito seguir os conselhos dos meus amigos, então, para não perder o costume e ocupar a mente, fui escrever, e em algumas horas o meu texto estava pronto e eu já havia entregado para Louis, tudo o que precisavam saber sobre o blogue anônimo e provas de quem ele era, tudo estaria indo bem, até ele falar que esse assunto não era mais meu, eu estava de licença e teria que desconsiderar o meu maravilhoso texto para publicação até eu voltar, mas, quando eu voltasse, poderia continuar investigando até descobrir como Eduarda consegue as notícias em primeira mão.

Frustrante? Demais.

Will ficou aqui em casa e maratonamos Orange Is The New Black, foi uma noite maravilhosa e que eu não tinha há alguns meses com os meus amigos. O Vitor até mandou mensagem sugerindo irmos viajar amanhã, antes do planejado, porque ele queria um tempo a sós comigo, mas recusei e fui dormir, não estava muito afim de falar com ele e as circunstâncias não me permitiam viajar agora.

Eu não conseguia parar de pensar em Artur, desde que ele ligou e me mostrou o seu olhar cansado, o seu desleixo - coisa que ele nunca teve -, as coisas não estavam legais e acho que ele não esperava que eu estivesse com alguém. O meu coração aperta por saber que não posso abraçá-lo e não largar nunca mais, e por saber também que, nem tão cedo vou ter notícias dele, eu deveria ter aceitado fugir e forjar um sequestro enquanto ele estava em Pembroke, nos casaríamos em um daqueles castelo com o dinheiro que iríamos extorquir ilegalmente do Sr. Evans como vingança.

Acho que o que eu mais gosto no Artur é o jeito que ele me faz querer viver como se não existisse amanhã e nem consequências, ele desperta o meu lado ousado que eu nem sabia que tinha. E mesmo todo mundo falando que ele é a pior pessoa do mundo, ele é a minha pessoa.

O silêncio da vinda do ginecologista era bem diferente de como fomos, eu e Hermione, duas amigas conversando e fazendo planos, sem imaginar do diagnóstico que me arrasaria tanto por uma coisa que nem eu mesma dava importância. Mesmo alguns episódios de enjoo e Caio me julgando por eu estar gorda, nunca passou pela minha cabeça estar grávida, até mesmo com a menstruação desregulada e mesmo algumas pessoas dando palpite nisso e perguntando se usei camisinha, sempre foi uma bobagem e as possibilidades agora foram descartadas. Endometriose, baixas chances de engravidar no meu caso, ou nenhuma chance.

Eu sabia que uma hora ou outra ia pagar língua quando falava que não pensava em ser mãe, e agora, eu sei que um dos meus sonhos ocultos, era construir uma família.

— Você está com essa cara de bosta desde que chegamos. Quer me ajudar no almoço? — Hermione abriu a porta do quarto e me olhou.

— Não estou bem, você sabe disso. Não é todo dia que você recebe uma notícia dessas e que... a sua vida está de ponta cabeça! — joguei a almofada que estava entre minhas pernas no chão e me levantei.

— Você quer um bebê? Eu te dou o meu. — ela riu, tentando descontrair e me abraçou.

— Idiota! Eu tenho uma doença, posso ter câncer, sei lá. Eu não estou preocupada só com os bebês. — ri meio sem jeito, eu estava arrasada, e a maior parte era pelos bebês, e por mais que eu tivesse um medo absurdo de morrer e estar doente, acho que havia um instinto materno que nem eu sabia que tinha, que falava mais alto. — Vamos fazer o almoço. Lágrimas e lástima de sobremesa.

— Você vai fazer o tratamento, vai ficar tudo bem... nada é impossível, Chloe. Estamos juntas nessa. — caminhando até a cozinha, me sentei na cadeira e parecia que a minha alma estava fora do corpo. Animação zero!

O meu celular tocou e eu o olhei em cima do sofá, sem dar muita importância porque talvez não fosse nada importante. Sabe quando você não está com a mínima vontade de viver? Pois é, essa sou eu. Uma vida sem sentido e sem motivos.

Meu Inesquecível Vizinho Onde histórias criam vida. Descubra agora