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Sem beta, e eu escrevi isso em vez de dormir, então perdão qualquer erro de escrita.
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Acabou não sendo apenas até a manhã chegar, mas até a noite seguinte. Deu a desculpa de que não teve bom sono e se sentia cansado para continuar lá dentro (mesmo que a verdade fosse que não duvidava que havia de fato alguém fora que pretendia chupar seu sangue ou pior).
O consolo que tinha para o distrair do estresse mental era o pequeno Langer, que se recusava a sair da perto da mãe naquele momento de choque. Porém, não poderiam ficar lá para sempre: ainda estavam vivos, ainda sentiam fome, então acabaram tendo que sair pouco depois de anoitecer.

Não pôde não se sentir tocado, em que sentido era difícil explicar. Dessa vez seu menino não havia lhe deixado o pegar no colo, e não quis sentar em suas pernas quando foram à mesa (mesmo que tenha ficado um pouco alto). Sabia que essa hora chegaria, Langer estava crescendo, mas ainda não estava pronto.

O ar no lugar não era agradável; parecia ficar mais pesado cada vez que algum dos vinte entrava, e supor quem provavelmente havia ido atrás de si havia sido mais ou menos fácil: duas com aparências de masics e uma com aparência de metazoan felina. Imaginou que haviam sido elas, porque a raiva que escutou não poderia vir de algo que poderia ser relevado, então fazia sentido os pequenos sinais de estarem sentindo dores que podia achar quando se moviam. O que é necessário para deixar um vampiro dolorido? Talvez fosse melhor não saber.

Talvez fosse melhor evitar olhar demais. "Estava dormindo", afinal, não era para notar nada. Não olhasse muito para quem tentou lhe fazer preferia-não-pensar-no-quê, ou o seu anfitrião enquanto tivesse a voz enfurecida ainda ecoando na mente.
Que olhasse a sua criança, aquele pelo qual mudou sua vida inteira. Que pensasse no que mudou e não mudou nos anos que o teve consigo.
Que pensasse até em como as luzes de seus olhos pareciam brilhar com mais força nos últimos tempos.

A recusa se repetiu quando se deu licença para voltar ao quarto. Parecia que algo incomodava o menino, mesmo que tivesse certeza que o mesmo estava dormindo quando o pequeno incidente aconteceu. Havia visto através da sua máscara? Notado que andava assustado? Esperava que não, era para ser o pilar do filho, não o contrário.

Bom, também não seria bom o manter entediado, então depois de fechar a porta atrás de si, foi até onde guardava seus cadernos de rascunho e puxou um deles, junto com um lápis.

-- Você quer ser um bom ilustrador, não quer? -- o sorriso mínimo se tornou maior e verdadeiro quando o viu acentir -- Bom, podemos tirar algum tempo para ir treinando.

Langer pareceu feliz com a oferta, então foi fácil tirar alguma alegria verdadeira. Se sentou na cama e o chamou para perto de si, entregando o caderno e o lápis.

Era algo gostoso de ver. Ainda era uma criança, e nunca havia tido algo que realmente poderia ser chamado de ensino, mas tentava, com uma atenção e paciência que não lembrava de ter visto em algum outro pequenino de seis... nem alguns adultos, mas isso não vem ao caso.
Mais de uma vez se viu pegando na mãozinha, fosse para ajudar a fazer alguma linha ou porque viu que levava o lápis à boca ("Não faça isso, você vai se envenenar com o chumbo"). O resultado final era o que se esperaria de uma criança pequena desenhando uma paisagem por memória, mas tudo bem, seus primeiros desenhos também não eram nenhuma maravilha - talvez aprender rápido seja um dom, mas a habilidade em si não é.

Ficou tão imerso na pequena atividade de vinculação que acabou quase levando um susto quando escutou batidas na porta. Deu um carinho rápido por cima do capuz e foi rápido atender a porta. Esperava uma das empregadas, mas não, era o proprietário.

Por um momento, se viu se perguntando se deveria sentir a porção de honra que sentia. O homem às vezes ficava no escritório até o meio da manhã às vezes, e mesmo assim conseguia arrumar tempo para ir até si pessoalmente. Era um sentimento bom, quase o fazia esquecer que quem o trazia era um vampiro.
De qualquer modo, não era uma boa hora para reflexões de natureza questionável. Ofereceu um sorriso educado e manteve a voz calma enquanto falava:

-- Boa noite, Lord Fallacy. Há algo que deseja, para vir aqui pessoalmente?

-- Boa noite. -- o sorriso foi retribuído, e aqueles olhos, sempre tão expressivos, não tinham qualquer rastro da raiva crual de tão pouco tempo antes, como se o que lembrava sequer tivesse ocorrido -- Sim, há. Não é uma emergência, mas prefiro contar eu mesmo para evitar distorções.

Bom, se ia ignorar, não era Encre que perguntaria sobre e entregaria que o enganou de propósito. Acentiu para mostrar que entendeu:
-- Pois bem, o que é?

Talvez fosse algo que queria ver, talvez fosse um truque, mas suspeitou que não se tratava apenas de evitar distorções quando notou um brilho de timidez no olhar, embora a expressão continuasse calma.
-- As nevascas estão se reduzindo, às vezes o céu fica limpo.

-- Quer que eu pinte o céu, senhor?
Saiu por conta própria, mas não tentou fazer nenhum contorno. Fazia sentido, não fazia? Se aquele quarto era dele, não ia querer nenhum raio de sol entrando; naquela altura, só tinha a floresta para olhar, e mesmo para si ver uma floresta de cima não era muito apelativo. Faria mais sentido o quarto ser todo de paredes inteiriças do que ter janelas com cortinas que eram basicamente armaduras de tecido - ao menos que fosse o tipo de pessoa que gosta de às vezes olhar o céu.

Aquele leve brilho ainda estava presente, embora houvesse junto um sinal de diversão, como se achasse engraçado ter sido a primeira coisa que pensou, e talvez realmente achasse.

-- Não, eu quero que pinte a mim, e o céu será parte do cenário.

Uma imagem se formou na mente do pintor, uma que fez sua alma pular uma batida. Fallacy, naquele quarto mau iluminado, o luar como luz principal, fazendo aqueles olhos coloridos e dentes amarelos parecerem brilhantes. Duvidava que teria algo a dizer sobre a imagem em si, mas se tivesse, tentaria satisfazer o que seu espírito pedia. Mas, por enquanto...

-- Um céu limpo por tanto tempo, ainda mais à noite, é como um jogo de sorte no inverno, senhor. Tem certeza que é algo viável?

-- Quanto ao céu, não posso discordar. Quanto a ser inverno... O senhor pretende partir no começo da primavera, não pretende? -- Encre acentiu, e a atenção voltou por tempo o bastante para pegar o breve momento de suavidade na expressão do maior -- Pois bem. Sem um artista verdadeiro no castelo, e duvido que outro arriscaria vir com as lendas, a outra opção seria pôr algum dos criados para pintar, e conhecendo as peças, o desenho pareceria mais com um pato do que comigo. Ah, não, prefiro gastar parte da paciência esperando o clima certo e deixar que o senhor, cuja habilidade eu já sei que é confiável, cuidar disso.

Oh, meu senhor, minhas senhoras, o que quer que fosse. Pintar uma pessoa não era tão diferente de pintar um lugar... significava olhar para ela por muito tempo, horas até.
Uma sensação fervente cresceu uma seria seu estômago, e descobriu que não conseguiria dizer "não" mesmo se quisesse.

-- O farei.

Vampire Verse - Sun and MoonOnde histórias criam vida. Descubra agora