Recebi uma mensagem de Seth, basicamente reclamando por eu ter voltado para casa andando, sozinha, de noite, e por eu não ter sequer aparecido para dar um beijo nele. Ri. O tamanho dele é proporcional ao drama...
O jogo de hoje não vai ser em um horário tão diferente para nós dois, mas as escolas são bem distantes uma da outra, então também seria mais prudente manter as coisas desse jeito.
Tomei um banho gelado para terminar de acordar e desci as escadas. Mamãe está sentada à mesa, olhando para o nada, pensativa. É a primeira vez que a vejo assim em algum tempo, o que me preocupou.
Beijei sua bochecha, desejando bom dia.
- Bom dia, Sam. Como estão indo os jogos?
Suspirei. Esse, definitivamente, não era o primeiro assunto que eu queria falar sobre.
- Bem, eu acho... – hesitei por um milésimo, mas isso foi tempo o suficiente para ela saber que tem algo errado.
- Aconteceu alguma coisa? – desviei o olhar.
- Nada de mais, não se preocupe – dei de ombros.
- Ok, eu paro de me preocupar quando você parar de fazer essa cara de assustada... – arqueou a sobrancelha e eu suspirei, desistindo.
- Eu briguei com uma das garotas do time.
- Brigou? Discutir é normal, não é? Por que essa cara só por isso? – peguei a xícara de café e sentei ao seu lado na mesa.
- Não foi... verbal... – esperei sua reação, mas ela não traiu nenhum sentimento em seu rosto cansado, embora eu tenha uma boa noção do que ela está pensando quando seus olhos percorreram rapidamente os machucados em minhas mãos.
- Como ela está? – perguntou por fim e eu dei de ombros.
- Não faço a menor ideia. Eu não lembro do que aconteceu. O que eu sei do ocorrido foi o que me contaram – bebi meu café, mais ou menos em paz com esse assunto. O que Seth disse é verdade: me culpar não vai ajudar. Eu sei que eu fiz merda, mas eu preciso sair do ciclo de me culpar por tudo.
- Essa marca no seu rosto... Foi ela quem fez? Você só estava se defendendo?
Ri.
- Isso? Não. Esse foi cortesia da Lucy – revirei os olhos. – Pelo o que me contaram, basicamente sim. Não fui eu quem começou pelo menos – olhei a hora no relógio de parede e me levantei para poder lavar o que eu usei. – Preciso ir. Eu não tenho certeza se eu vou jogar hoje, mas eu preciso estar lá de qualquer forma.
- Você mudou, Sam – disse e eu parei. Fechei a torneira e me virei para ela.
- Mudei? Como? Eu continuo fazendo as mesmas idiotices de quatro anos atrás...
- Verdade, você fez besteira, mas também não está se penalizando por isso – se levantou também. – Há quatro anos você estaria tão em choque e se culpando tanto que ainda estaria paralisada – sorriu um pouquinho, fazendo covinha nas bochechas. – Eu estou orgulhosa de você – afagou minha cabeça e me estendeu a xícara que ela usou para eu lavar também. Peguei o objeto ainda meio sem reação e ela foi embora como se nada tivesse acontecido. Sorri um pouquinho, contente.
Cheguei ao colégio e percebi que algumas garotas me olhavam e sussurravam enquanto eu passava. Suspirei. Claro que eu vou ser o centro das atenções por um tempo.
Encontrei com a Lucy no estacionamento, já entrando no transporte - o ônibus dos rapazes já tinha saído, então eu não consegui ver Seth por agora.
- Bom dia, Sam – desejou. Me sentei ao seu lado, no corredor.
- Bom dia – respondi. – Preparada para o jogo de hoje? Só temos esse e mais dois... – ponderei, e então começam as eliminatórias.
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Transições
Любовные романыSam é uma garota com um passado complicado e marcado por traumas familiares e pessoais, que foi obrigada a virar as costas para toda uma vida e começar tudo de novo ao precisar se mudar para um lugar completamente novo. Movida pela paixão por esport...