Giovanna, 09h32.
“Se você chega amanhã,
Eu já te espero hoje
Com saudade do que a gente
Ainda não viveu
E talvez eu já te esperasse
Sem saber teu nome
São coisas que nem Freud entende,
Muito menos eu.”
Se eu pudesse definir minha relação e tudo o que aconteceu até o momento de hoje entre eu e Manoela, com certeza essa palavra seria: maktub. Tanto pelo nosso sentimento, pela as coisas que nos aconteceram e tanto pela as coisas que ainda vamos viver ao longos anos juntas. Eu olho pra ela e sinto que nós duas estávamos predestinadas desde antes o mundo virar mundo, desde quando a primeira pessoa no mundo começou a existir. Eu sempre acreditei nessas coisas, mas tê-la do meu lado é ter a certeza disso, nós duas tínhamos que acontecer, e hoje eu já não consigo enxergar meu futuro sem ela do meu lado e eu não estou sendo exagerada, mas é que com ela tudo é tão certo que imaginar meu futuro longe, é meio dolorido e incerto.
Hoje estamos completando um mês de namoro e parece que é a primeira vez que tentamos, parece que somos duas adolescentes descobrindo o primeiro amor e a diferença disso pra nós duas hoje, é que sabemos que não terá outros amores para encontrar e amar daqui um tempo. Ela é o meu último amor, aquele que chega pra durar até o fim de uma vida e eu sou o último amor dela, recíproco e grandioso.
Enquanto divago sobre meus sentimentos, Manoela está adormecida ao meu lado, minhas pernas jogadas sob as delas e seu braço rodeando minha cintura. É um sentimento de lar. Viro meu rosto pra vê-la dormir e sorrio comigo mesma, sabendo da sorte grande que eu tenho em estar aqui, em ter o seu amor e em poder amá-la. Parece que ela lê meus pensamentos porque se mexe na cama e vira seu rosto, abre os olhos e sorri ao me ver a observando.
– Tá acordada a muito tempo? – Ela pergunta meio sonolenta e eu nego com a cabeça.
– Tem uns dez minutos, eu acho. – Dei de ombros, eu não sabia ao certo, mas era mais do que isso.
Ela concordou com a cabeça e puxou meu corpo pra ficar ainda mais colado no seu, enfiou seu rosto na curva do meu pescoço e puxou todo o ar que conseguia, fazendo meu corpo arrepiar. Senti sua mão passear pela a minha barriga e mordi o lábio, já imaginava onde isso iria terminar e sinceramente? Estava ansiosa pra isso.
A língua de Manoela veio de encontro ao meu pescoço, quente e provocativa, em menos de alguns segundos nossas roupas estavam no chão e ela dentro de mim, penetrando seus dedos até onde conseguia e na força que combinávamos. Eu adorava transar com ela, gostava da forma que me tinha e da forma que fazia meu corpo implorar por mais e por mais, e ah, isso ela sabia fazer bem, além de outras coisas mais. Ao atingir o orgasmo, Manoela uniu nossas bocetas e iniciamos uma dança lenta até o próximo orgasmo, aproveitei que ela estava no meio de minhas pernas e abracei mais o seu corpo enquanto nossas bocetas se chocavam com vontade e desejo. É claro que não precisou de muito para eu atingir meu segundo orgasmo, mas eu queria mais, assim como Manoela, inverti as posições e me deliciei com a sua boceta, com seu gosto, penetrei-a com dois dedos e iniciei aquela dança lenta que estávamos tendo, suas mãos seguravam meu cabelo e me faziam continuar no meu ritmo.
Ao atingir novamente ao ápice, Manoela me puxou, fazendo-me deitar em seu corpo e beijou minha boca, no meio disso, ela me fez sentar em seu colo e me penetrou mais uma vez, agora com três dedos. Soltei seus lábios e acolhi seus dedos bem dentro de minha boceta e comecei a cavalgar, sentindo seus dedos indo com força dentro de mim até atingir sabe se lá qual orgasmo da noite. Me deitei em seu peito e em silêncio ficamos até nossas respirações voltassem ao normal.
– Que bom dia, ein? – Falei após alguns minutos, a escutei dar uma risada baixa, levantei meu rosto pra olhá-la.
– Por mim nós podemos ter um bom dia desses todos os dias... – Ela sorriu e começou a fazer um carinho em minhas costas nua.
Dei uma risada e beijei sua boca mais uma vez, ela sabe que por mim também podemos ter um bom dia desses todos os dias.
20h56.
“Pouco a pouco e de repente,
Como pegar no sono
Deus tem dessas ao criar encontros
Já estava escrito
Eu você, a nossa história e fim
Me sinto infinito
Enquanto com você, feliz.”
Manoela tinha saído por alguns minutos e eu tinha ficado sozinha em seu apartamento, vasculhava o Instagram quando vi uma foto nossa em algum “fc", abri e li a legenda.
“Maktub é uma palavra em árabe que significa "já estava escrito" ou "tinha que acontecer". ... Esta palavra é considerada um sinônimo de "destino", porque expressa alguma coisa que estava predestinada ou um acontecimento que já estava "escrito nas estrelas".
Dei um sorriso ao me lembrar que hoje de manhã enquanto esperava Manoela acordar, os meus pensamentos foram até isso. Deixei um curtir na publicação, já sabendo que isso poderia causar uma grande explosão. Fui até a galeria do meu celular e achei a nossa foto mais recente, era de semana passada, depois de assistirmos três filmes de uma vez só. Fiquei observando nosso jeito, os cabelos desarrumados, os pijamas velhos e alguns restos de comida ao nosso lado, isso era o nosso amor, nas pequenas coisas e também nas grandiosas, como os restaurantes chiques que ora ou outra íamos.
Mais uma vez fui tirada dos meus pensamentos ao ouvir o barulho da porta e alguns de sacola, me levantei da cama e fui até a sala que era interligada a cozinha. Encontrei minha amada tirando as coisas da sacola e quando ela me viu, abriu aquele sorriso que eu tanto gosto. Me aproximei lentamente dela e a recebi com um beijo apaixonado, como todos os outros que dávamos.
– Uau, oi... – Ela disse sorrindo assim que nos separamos.
– O que você trouxe? – Perguntei curiosa.
– Alguns chocolates, um vinho daquele que você gosta, queijos, morangos, uvas e sorvete... – Minha barriga roncou só de ouvir – Pensei da gente fazer um fondue, o que acha?
– Meu nome é pronto, Manoela.
Ela riu e concordou com a cabeça. Foi olhando pra ela que eu entendi, eu não quero deixar nosso amor escondido, guardado apenas para nós duas. Eu quero que as pessoas vejam que nosso sentimento é gigante e palpável.
– Você lembra de quando a gente falou sobre tornar nosso namoro público? – Eu perguntei e ela concordou com a cabeça – Então, você ainda pensa nisso?
– Eu penso todos os dias, pra ser bem sincera com você. – Ela respondeu e eu não consegui segurar o sorriso – Eu olho pra você e fico: as pessoas precisam saber que eu namoro a mulher mais incrível do mundo todo e outra, um amor como o nosso não pode ficar escondido.
– Sabia que eu penso da mesma forma? – Ela negou com a cabeça – Você acha que tá na hora de fazermos isso?
– Sinceramente, Gi? – Concordei e esperei que ela terminasse – Já passou da hora de fazermos isso e nada melhor que uma foto bonita com um texto fofo no Instagram.
Abri a boca um pouco chocada com a resposta dela, porque Manoela é bem reservada, quase não mexe e não posta no Instagram e em todas suas redes sociais, até o WhatsApp ela evita.
– Quer dizer, só se você quiser... – Ela disse com um sorriso amarelo, como se pensasse que eu não queria isso.
Me aproximei ainda mais de minha namorada, colando nossos corpos, abracei seu pescoço e logo senti suas mãos tocarem minha cintura. Beijei sua boca com vontade, como se fosse um aviso de que é o que eu quero, sem dúvidas. Após nos separarmos, decidi deixar claro.
– É claro que eu quero, meu amor.
Ela sorriu e concordou com a cabeça, decidimos que iríamos oficializar para todos depois de comermos e assim fizemos. Preparamos os fondues de queijo e doce e comemos conversando sobre amenidades e assuntos aleatórios. Tiramos algumas fotos e também dos fondue. Arrumamos toda a cozinha pra não deixar pra depois e fomos para a o quarto, colocamos nossas roupas de dormir e entramos de baixo das cobertas, já que estava fazendo um friozinho gostoso.
“É totalmente indizível o que
Só se sente
Mas mesmo assim,
Quem ama sempre escolhe dizer mais
Na tentativa de falar
Pro mundo gentilmente
Que não tem nada mais
Gostoso que amar em paz.”
No mesmo segundo pegamos nossos celulares e abrimos no insta, decidimos que usaríamos aquela foto que eu tinha visto mais cedo no insta, uma das nossas personagens na balada Paz E Amor, que foi onde Limantha começou, outra de quando iniciamos nossa primeira tentativa de namoro, outra de quando nos reencontramos e deixamos as feridas do passado de lado e as outras de hoje, e é claro, uma da nossa mesa de fondues.
Decidimos também que colocaríamos a mesma legenda, pensamos por alguns segundos e não tinha nenhuma melhor que a que escolhemos. Manoela sorriu e leu nossa legenda em voz alta.
– “Pouco a pouco e de repente, como pegar no sono, Deus tem dessas ao criar encontros. Já estava escrito eu, você, a nossa história e fim, me sinto infinito, enquanto com você, feliz.” – Ela me olhou e sorrimos juntas – Eu amo você, Giovanna.
Meu coração acelerou como se fosse a primeira ao ouvir isso, dei mais um sorriso e abracei a mulher ao meu lado, a mulher da minha vida. Nosso amor era o amor que eu esperei por longos vinte anos, mesmo que não soubesse dessa espera.
– Eu te amo, Manoela.
“Maktub: Já estava escrito ou tinha que acontecer...”▪︎▪︎▪︎
Oi, meus amores. Vocês estão bem? Espero que sim.
Finalmente eu voltei com o último capítulo dessa fanfic incrível que eu tive o prazer de continuar de um certo ponto. Eu peço desculpas pela a demora e que demora, viu? Afinal, já são dois anos sem atualizar, mas aqui estamos, espero que vocês gostem e obrigado por acompanharem, esperarem essa atualização tão demorada e esse final.Eu gostei bastante de escrever essa fanfic, agradeço a autora que começou - ela possivelmente não vai ler -, mas é isso.
Um grande beijo a todes.
Eric 🏳️⚧️
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A vida imita a arte
FanficUma atriz beija uma pessoa por meses em uma novela e não se apaixona, ou será que se apaixona?