billie
antes
Já se passavam cerca de horas desde que Mike tinha ido para o seu treino de futebol. Eu, minha mãe e Amy ainda estávamos na sala de estar conversando sobre os acontecimentos que ocorreram durante a ausência das duas... quero dizer, da minha mãe, que me contou sobre a pequena palestra que Amy tinha dado na clínica durante algo que se chamava "bate-papo". Fiquei chocada ao ver que uma mulher como aquelas já poderia ter passado por aquelas coisas, era inacreditável o quanto que ela é forte hoje em dia. Ela nem chorou enquanto refletia e contava sobre aquilo, algo que fez perceber de que ela não é uma pessoa fácil de se magoar. Nunca pensei se isso é algo bom ou ruim, nem só por ela, mas por todas as pessoas que são assim.
Uma coisa que percebi graças à minha mãe é que não podemos mudar o passado, e as drogas são um grande exemplo para isso. Quando você começa, fica muito difícil de parar, assim como roer as unhas, é um tipo de vício. Até hoje me lembro da cena de eu varrendo a casa e, quando fui para debaixo da cama para passar a vassoura, a bati em algo sólido e, quando me abaixei, vi uma caixa... aquela merda de caixa de maconha. Não estava lotada, o que era um bom sinal, eu acho, porque, se não estava cheia, era porque ela havia consumido vários e vários. Isso foi duas semanas antes de ela ir para a clínica.
Percebi que a TV estava ligada só quando peguei o controle remoto para poder ligar na Netflix e escolher algum filme para assistirmos. O programa Money Earned já estava quase no fim, esse era um dos que meu irmão detestava. Ralph Walker estava na frente dos dois casais com pelo menos umas 50 notas de 100 dólares nas mãos e com um olhar levemente triste no rosto. Estava perdendo grana, ele não sabia que o casal ia ganhar o jogo, por isso deveria estar triste.
"Parabéns, sr. e sra. Blandon", dizia Ralph, entregando as notas de 100 para o casal sorridente, "vocês acabam de ganhar o Money Earned, o dinheiro ganho está na mão de vocês. Agora, diga para nós, sr. Blandon, o que pretendem fazer com este dinheiro?"
Estendeu o microfone para perto da boca do homem.
"Bom, eu acho que agora, eu e minha esposa, vamos poder construir a nossa casa que já é um sonho para nós há quase dois anos. Estamos morando em uma casa de aluguel bem pequena no topo de um morro onde já fomos assaltados cerca de quatro vezes."
"Meu Deus, plateia, estão ouvindo esse absurdo?"
"Sim!", gritou a plateia em coro, depois Ralph levou o microfone à boca da sra. Blandon.
"E você, senhorita, pretende fazer algo a mais com este dinheiro todo além de construir a sua própria residência?"
A mulher ficou um pouco calada."
"Posso falar uma coisa durante um instante, sr. Walker?"
"Ah, mas é claro que pode, sra. Blandon, fique à vontade."
Ele entregou o microfone à mulher, que o segurou e olhou fixamente para a câmera, para mim.
"Eu só queria dizer que..." Ela virou o rosto para baixo, mantendo os olhos no chão. Vi ela começar a balançar a cabeça de forma estranha, nunca vi ninguém agindo daquela maneira antes. Vi o seu tom de pele mudar, ficar de uma cor escura e...
Meu Deus. A Mulher do Refeitório.
A sra. Blandon levantou o seu rosto, olhando para a câmera novamente, agora com a cara da Mulher do Refeitório estampada ali.
"Billie Port, não se esqueça do que eu te falei. estamos te esperando aqui. estamos todos felizes e brincando aqui, te esperando, Billie, apenas te esperando. você vai gostar daqui, Billie, se gostou dos pesadelos, vai gostar daqui também. eles te fizeram companhia, certo? por que não quer fazer companhia à eles? está com medo, não está? pois então, nós adoramos medo, HAHAHAHA!"
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Quando nós dormimos
HorrorBillie Port é uma adolescente de 14 anos que tem um transtorno do sono: a paralisia. Com o seu foco em acabar de vez com seus sonhos assustadores, ela vai à consultas de psicologia para amenizar a situação, mas tudo começa a piorar quando sua mãe va...