19 - Resquícios!

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19 – Resquícios!

Úrsula se apoiou no sofá. A mãe chorava. O pai já conversara tanto com os investigadores. E eles receberam inúmeras chamadas dizendo que a viram em Nova Orleans. New Jersey. Houston. Dallas. Cherry Hills.

Ela poderia estar em qualquer lugar.

Mas sumiu. Sem deixar rastro. Não fugira. Úrsula já havia pensado nisso várias e várias vezes. Pensou que Erica poderia querer um tempo para pensar, depois do tapa na cara que levou, vendo ela confirmar na frente de todos, que roubara o seu antigo namorado. Que ficava com ele, toda vez que ela saia com Blondie. Que ele sempre fora dela, e nunca de Erica.

Mas ela sabia, que no fundo. Erica já superara isso tudo. E as duas pareciam terem se entendido a distancia. Sem se falar.

O celular vibrou em sua mão. Ela encarou o visor. Era Edward pela quinta vez essa manhã.

-Oi! – disse ela compassiva.

-Nenhuma notícia? – perguntou Edward.

A voz estava embargada. Como se chorasse a cada segundo.

-Nenhuma – disse Úrsula assentindo. Fazia hoje, duas semanas que ela desaparecera. – Recebemos algumas ligações de cidades próximas, mas não era ela. Mas que a policia local continuaria procurando.

-Me mantenha informado! – disse Edward secamente. – Você sabe que no fundo isso é culpa sua! – ele completou. Estava com muita raiva. – Você fez isso a ela!

-Não preciso de ajuda para me crucificar! – Úrsula desligou na cara dele.

Idiota!

Quem ele pensava que era querendo culpa-la. Ela sumira enquanto estava na casa dele. Ela despareceu no espaço de tempo que permaneceu lá. E Edward já dissera em seu depoimento, que ela tinha ido a lavanderia lavar o vestido sujo de vinho, enquanto ele tomava banho. Depois disso, ela não dera mais sinal de vida.

Deus! Que ela esteja viva, rogou Úrsula.

-Vamos! – disse ele. – Não quer comer?

Erica não respondeu. Ela queria sair dali. Começava a cada minuto, duvidar da própria sanidade.

-Vamos Erica! – ele disse novamente. – Quer aquele remedinho para se animar novamente?

Erica engoliu em seco. Ele era pior do que ela pensava. Drogara-a inúmeras vezes. E as horas que se seguiam eram intermináveis. Ela não sabia quem era e o mundo girava e girava. Ele apertando seus pulsos. Ela estava nua. Ele sobre ela. Empurrando e empurrando. Ela arfava. Uma dor imaginária sucumbia seus pensamentos. Erica imaginava uma saída, mas se dava conta que estava ali. Embaixo dele. Ele soltava uns gemidos – e eles ecoavam na sua mente como fantasmas. Empurrou e empurrou mais forte. Erica sentiu as mãos deles em sua garganta e apagou.

Dias incontáveis e terríveis. Ele fizera isso tantas vezes. Forçando-a desistir de viver.

-Não, por favor! – seus olhos já se encheram de água.

-Vai comer? – perguntou ele.

-Eu como se você não fizer... – e suas palavras se perderam no ar.

O monstro se aproximou dela. Uma tigela numa mão, com algo dentro que parecia ser sopa instantânea. E uma colher na outra.

-Uma colherada de cada vez – disse ele sorrindo para ela.

Aproximou a colher com sopa da boca dela, e Erica abriu os lábios lentamente. Estava com fome. A sopa morna molhou lhe a garganta, e ela sentiu uma alivio. Seus olhos tremeram, e ele soube de imediato que ela queria mais.

Pirulito Cor-de-RosaOnde histórias criam vida. Descubra agora