1. Tentar ou morrer tentando.

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lembrando que essa fic tem uma playlist: https://open.spotify.com/playlist/5JyOVscO6ET3XYQZL77kEx?si=H3z-_b2pRZuDvRMn4jvbFQ&utm_source=copy-link&dl_branch=1

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Odeio madrugadas. Passei a odiar dormir também, acho que adquiri uma extensa lista de coisas que odeio. Começando com a mais clichê (e triste, e nada reconfortante) de todas: a frase “Ei, tudo bem, esse não é o fim do mundo!” Queria rir, gargalhar alto. Que piada de mal gosto, Chris.

De fato não era (melhor, eu não sabia que era) o fim do mundo quando ouvi esse conforto sem nexo, mas, bem, agora é. Literalmente. Aquele que sabíamos que iria acontecer em algum momento, afinal as contas com nossa querida Terra ficavam cada vez mais no vermelho, mas, é, não sabíamos que aconteceria tão cedo. No exato presente agora. Esperávamos toda a destruição futura, mas ainda havia o conforto de imaginar que até lá nossos ossos provavelmente estariam mais do que consumidos pela terra. Aconteceu, este é o grande problema. O apocalipse, sabe? Pois é, destruição, mortes e sobreviventes mais do que traumatizados. Dá pra acreditar que agora precisamos lutar com zumbis e tudo mais, que precisamos lutar para sobreviver? Gosto de relembrar apenas para pensar “Puta merda, quem iria prever uma merda de graus completamente desastrosos?” O mundo todo (previu), é sempre essa a resposta. Começou com um vírus misterioso, tomou animais de uma floresta de uma cidadezinha bem, bem distante. Humanos, como os seres com menos cérebro já existentes, acabaram por se alimentar (sem ter ideia) da carne de um dos infectados, e foi assim que começou. Parecia ser alguma doença já catalogada, um pouco pior, mas conhecida. Lembro de ouvir distante em algum noticiário sobre pouquíssimos casos surgindo. Semanas depois sobre estar saindo do controle humano (científico). Eu vi (de perto) muitas das transmissões.

Começa pela mordida, há a luta por horas daquilo que infesta cada molécula do seu sangue, vômito, convulsões e, por fim, a transformação definitiva (sem cura descoberta). Não há mais sentido humano (seria esse o nome ideal?), sobra apenas raiva e descontrole, desespero e fome. Basicamente, zumbis. Nada de caminhar lento e roupas esfarrapadas. Tem muito mais mutação, violência e medo. A pessoa sabe quando se torna um deles, ninguém nesse estado morre realmente. A pessoa que era antes do vírus morre, aquele que era seu parente engraçado, o melhor amigo do mundo ou o que for, mas o corpo continua lá, lutando (contra você) à fome. Morto, mas vivo. Quem dera houvesse controle dessa porra desse vírus mutante, extraterrestre e sei lá mais o quê, mas não há; o cheiro do sangue, a carne vivinha e o temor são mais do que perfumes agradáveis para zumbis.

A maior catástrofe de todos os tempos; o fim real da humanidade. Não há como fugir (ou para onde). Se correr, o zumbi pega. Se ficar, o zumbi come.

Céus, isso tudo é muito triste. Me sinto decadente, patético e quase um morto vivo também. Acho que todos os ainda sobreviventes — eu e um carinha do acampamento que vivo — se sentem assim, esperar pela morte sem conforto algum de que demorará é uma coisa um tanto exaustiva. Me agarro nisso, na certeza que chegará logo não importa o que eu faça. Chegou para todos os meus próximos.

Sabe, perdi meu tio Chris alguns dias atrás, aparentemente com isso também perdi a noção do tempo, não tenho ideia de quantos dias fazem. De quanto tempo aguentei. É recente, sei disso porque ainda dói como se eu estivesse me transformando. Não consigo dormir (já faz um tempo, mas principalmente agora), sempre o vejo. O desespero dele enquanto gritava para o sobrinho barra melhor amigo (eu) fugir. Além da comida de média qualidade, podemos acrescentar à lista que o local do acampamento também não é lá muito decente depois de um certo período. Ataques acontecem com ainda mais frequência, porque aparentemente a comida central está acabando, então o que resta no cardápio somos nós. Pessoas que migraram para lugares de difícil acesso (ou nem tanto já que não impedem zumbis).

Ei, tudo bem, esse não é o fim do mundo - HyunInOnde histórias criam vida. Descubra agora