2. Pinóquio barra valentão bambambam.

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— Jeongin, acorda. — Meus olhos demoraram a focar. Miraram no chão sujo daquele cubículo, na parede de concreto, no grande mapa pendurado ali. Não consigo acreditar que peguei no sono. Não consigo acreditar que acordei, vivo por mais um dia. É inacreditável pensar que finalmente acordei para o dia que poderá mudar minha patética atual vida. — Ei, acorda.

Hyunjin, que parecia estar atrás de mim, dizia calmo, sem me tocar ou nada parecido (aparentemente devia conhecer meu ódio por toques ao acordar.) Parecia ocupado, sentado sobre os cobertores para dormir, lotando uma grande mochila com o resto de comida que nos restava.

Ainda deitado, me virei aos poucos em sua direção e vi outra mochila cheia próxima à porta. O olhei cheio de expectativa, provavelmente parecendo uma criança que acabara de receber um presente super fodástico, já que ele riu soprado e afirmou com a cabeça. Me levantei de supetão quando notei que apenas restava uma atitude minha (levantar de meu precioso sono) para sairmos dali. Corri apressado (estranhamente animado) para o que seria o banheiro, era apenas mais um dos “locais” com privacidade suficiente para chorar. Um espacinho delimitado por outros lençóis que pendurei, podíamos fazer nossas higienes e entre outros ali (ninguém gostaria de saber os reais detalhes do quê ou como fazíamos), e também tinha um espelho meio destruído. Era peculiar esse gosto, mas eu adorava ver meu reflexo na superfície, em especial hoje. Gravaria na memória essa imagem, de um Jeongin cheio de olheiras, alguns arranhões na bochecha (que não tenho ideia de como adquiri), os lábios secos e cortados, o cabelo um pouco sujo e bagunçado. Uma tragédia, mas até que bem para quem vivia a porra de um apocalipse.

Guardaria bem fundo na minha memória puramente como um incentivo; eu me olharia em breve e estaria tudo bem, com a pele saudável pela nova alimentação, os olhos pacíficos por não precisar viver com medo e, principalmente, por voltar a dormir de forma decente.
Voltando a viver a rotina que não tive escolha a não ser abandonar; retornando ao velho Jeongin sem dor, sem perdas e sem traumas.

— Não sei se você lembra, mas zumbis não são lá muito fãs do dia. Provavelmente não, né? Se você demorar mais um pouco aí dentro é capaz de já ter anoitecido quando sairmos!

Revirei os olhos, foi essa a imagem que gravei antes de puxar com tudo o lençol que me dava privacidade.
Sendo honesto, era a minha resposta menos agressiva que podia dar a ele neste momento crucial, juro.

Caminhei firme (nem um pouco) e forte (muito menos) até os únicos pertences que haviam me sobrado (meu diário e o colar de minha mãe), os guardei tranquilamente enquanto sentia um olhar ansioso sobre mim.

Olhei sério para Hyunjin, começava a pensar se seria uma boa me livrar dele no começo ou meio do caminho (brincadeira), sorri nada simpático, meio como quem diz “Sabe que eu te odeio, né?” e levantei, com a mochila posta sobre as costas. Hyunjin, também já com sua bagagem pronta, passou a colocar um cinto, dando destaque: com facas. O fim do mundo e seus charmes, não acha? Olhamos concentrados para outro quadro que havia no quarto sem graça, ali antes ficavam apenas os suprimentos e armas de suporte. Após o grande ataque sobraram uma quantidade limitada do que antes havia em abundância (inclusive, o que passou a me causar certo desespero. Como iríamos sobreviver a sei lá quantos zumbis pelo caminho com o que tínhamos em mãos?) Um arco parecido com algum usado em Jogos Vorazes estava pendurado, suas várias (mas limitadas) flechas estavam logo abaixo. Hyunjin pegou cada peça e endireitou em seu corpo, estrategicamente para sacá-los rápido.

Acabei por pegar a arma pequena (e bem útil) que Chris deixara para trás, colocando-a junto ao coldre em minha cintura. O Hwang indicou com a mão para que eu pegasse a outra arma grande que havia ali, uma Ruger Mini-14 (agradeço pelos conhecimentos super educativos passados por meu tio.) Enquanto colocava a arma leve como uma pena sobre um buraco de fácil acesso de minha mochila, junto das munições dela, quis desesperadamente dizer a ele como eu era uma negação com pontaria e o que quer que essas coisas precisassem. Por último, Hyunjin pegou um colete à prova de balas, o único, e se aproximou mais de mim, empurrando contra meu peito. Fiquei com vontade de retrucar a ação, acho que não conseguia evitar por muito tempo não ser sem educação com ele, entende?

Ei, tudo bem, esse não é o fim do mundo - HyunInOnde histórias criam vida. Descubra agora