Capítulo 29.1 [RETA FINAL].

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— Aonde ele está indo? — perguntei, logo após observar Vitor vagar pela rua com as malas em mãos e, Artur entrar em casa com os meus pertences.

— Embora. Pedi para que ele sumisse das nossas vidas, para sempre dessa vez. — respondeu, curto e grosso, sentou-se no sofá escuro e me encarou.

— Você ao menos questionou se eu quero ficar aqui antes de trazer as minhas malas? — arqueei a sobrancelha.

— Meu bem, acho que temos muito o que conversar ainda. — ele sorriu, aquele sorriso sacana e descarado que só ele sabia dar.

— Sobre o que quer conversar primeiro? Podemos falar sobre a mulher que está te esperando lá em cima?! — cruzei as minhas pernas e inclinei o meu corpo, enquanto o encarava. — Vamos ressaltar, a mulher que está lá em cima sem roupa, o que diz a respeito?

— Foi ideia dele. — passou a língua pelos lábios e esbanjou mais um sorriso, dessa vez um mais irônico, se debruçou sob o sofá e alisou o queixo com o polegar.

— Nós podemos falar sobre tudo o que aconteceu assumindo as responsabilidade, desde que descobri o joguinho dos dois, só souberam jogar a culpa um para o outro.

— Ele disse que seria uma boa ideia, eu ia estar legal no país, o sobrenome talvez despistasse o meu pai. Tudo fazia parte do plano, e claro que sentimentos estavam fora de cogitação.

— Você é esperto, tenho certeza que teria uma ideia melhor. O casamento foi apenas uma desculpa. Você estava carente?

— Você me conhece, Chloe. — ele sorriu. — Eu sempre tive tudo o que quis, isso inclui as mulheres e sexo. Eu não estava carente, mas estava... com tesão acumulado.

— Você é ridículo. — ri e balancei a cabeça negativamente.

— Ela é ambiciosa, topou o casamento em troca de dinheiro, bolsas, todas as coisas superficiais que a minha grana pode comprar.

— Eu também sou ambiciosa. Queria muito que alguém gostasse de mim e fosse sincero. Mas sabe o que ganhei? — me levantei e caminhei em sua direção, seus olhos estavam atentos esperando pela resposta. — Fui demitida, minha carreira está indo por água a baixo, tudo isso por sua culpa.

— A culpa não é minha, e eu estou disposto a te ajudar. Eu sei que foi demitida, fico feliz que esteja longe daquele ninho de cobras.

— Eu sofri, Artur. Eu senti medo, eu tive o desprazer de experimentar o sabor da incerteza. Você não faz ideia por tudo o que eu passei nos últimos meses, quer dizer, até faz. Foi você mesmo que mandou o seu irmão me seguir.

— Mas não era apenas ele que estava te seguindo, não é?

— Mas o que mudou? Ele me deixou ainda mais insegura com as mentiras.

— Ele impediu que alguém te machucasse.

— Me ameaçavam quase todos os dias, até ela conseguir o que queria, o meu emprego. Ele não impediu isso.

— Ela não conseguiu só o seu, como conseguiu a revista. — suspirou. — O meu pai conseguiu o que queria, te desestabilizar e ser dono de tudo sozinho. A minha mãe terá uma porcentagem mínima, então eu te garanto, a sua demissão foi a melhor coisa que aconteceu.

— Quem é ela?

— A filha bastarda, fruto de um caso. E antes que me pergunte: não, eu não sabia. O Tyler me contou sobre o cheque no nome de Abigail Evans, eu pedi para que investigassem.

— Que... estranho. Vocês são estranhos. — respirei fundo e me levantei. — Eu não quero fazer parte dessa família estranha, mas preciso dele para ir embora.

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