p.s.: há uma leve descrição de uma crise de ansiedade. jeongin tem elas com ainda mais frequência depois da morte do tio.
🌼
Um.
Eu já não aguento mais.
Dois.
Meu coração bombeia sangue na velocidade de um trem em máxima, consigo sentir vividamente os batimentos na minha garganta. O vejo correr até mim, quero desesperadamente me encolher, mas não posso.
Três.
...
Quatro.
Minha cabeça vive um vazio assustador. O som do gatilho ecoa por todo o ambiente, em looping, chamando a atenção, silenciando os urros do zumbi caído a minha frente.
Não aguento mais.Cinco.
Quero que haja algo, mas não há.
Inspira.
Quero lembrar, quero que dê tempo de toda minha vida passar por meus olhos antes de ser comido por um desses desgraçados.
Um.
Quero correr daqui, esquecer que mal conseguirei chegar à porta sem ser jogado no chão por algum bichano super-rápido.
Dois.
Quero esquecer qualquer extinto racional dentro de mim e correr de volta ao lugar seguro.
Três.
Quatro.
Cinco.
Quero poder correr como uma criancinha para os braços seguros de minha mãe.
Expira.
É conflitante demais. Aterrorizante. No primeiro piso da casa, prestes a sair desse purgatório, guerreando como um bobão, excedendo todas minhas forças para sobreviver, como se meu último fio de vida dependesse disso. (Depende e muito.) Eu nunca quis tanto viver. Eu quero. Preciso. Imploro por isso.
— Pronto, Jeongin? — Hyunjin grita ofegante do outro lado da sala, ao acabar de praticamente separar a cabeça do pescoço de um dos malditos que estavam grudados em si. Somente um fio de carne o mantém, mesmo assim seu rosto se contorce em faces ainda mais horripilantes, seu corpo se remexe no chão, tentando levantar e chegar à sua vítima a todo custo.
Hyunjin termina o serviço. Rápido e limpo. Viro o rosto quando o noto, tão seguro, empunhar a lâmina com fúria sobre o zumbi quase-sem-cabeça. Tremo quando ele caminha até mim.Sinto vontade de me jogar sobre o chão imundo quando percebo que acabou. Ou por enquanto acabou.
Caminho desconfiado, controlando cada vontade interna de correr como nunca. Não quero morrer aqui. Prestes a sair, depois de golpear sabe se lá quantos bichos. Hyunjin me segue aparentando sentir o mesmo.
Estamos ariscos, com as armas empunhadas caso precisemos lidar com qualquer surpresinha.
Mas não há. Não por enquanto.Quero gritar alto. É libertador. Caralho. É inacreditável. Olho Hyunjin, que está com a cara de bobão ainda mais óbvia. Ele sorri mínimo, mas sei que quer gargalhar. Assim como eu. Quero dançar, rodopiar e me jogar sobre a grama seca. Em toda minha vida nunca achei que a brisa da manhã, com seu jeito morno, reconfortante e responsável por bagunçar os fios de cabelo fosse me fazer tanta falta. Ou como o sol fosse tão quente, agradável até para a minha vista cansada e acostumada com a pouquíssima luz do quarto seguro. Uma vontade estranha e enorme de chorar me invade. Não consigo acreditar.
Achei que seria pior. Em outras palavras, é a melhor coisa que eu poderia ter decidido fazer. Estar aqui, vivendo a vida. Prestes a viver a minha vida realmente.
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Ei, tudo bem, esse não é o fim do mundo - HyunIn
RandomDe fato, esse era o fim do mundo. O apocalipse, sabe? Com zumbis e tudo que vem de bônus nesse pacote. Jeongin e Hyunjin, sabe-se lá como ainda estavam vivos, eram os únicos sobreviventes do grande ataque ao acampamento que vivem, e precisavam fazer...