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Mounbridge House, Londres

 Londres está a todo vapor, queridos leitores. Diversos casais formaram-se nesta temporada, e as matronas nunca estiveram tão radiantes como nas últimas semanas.
 Vestidos de noivas começaram a ser confeccionados, e ouso dizer que as igrejas nunca estiveram com tantas cerimônias para realizar. 

(...)

Crônicas da Sociedade Britânica 
05 de maio de 1811

Catarina ergueu sua xícara de chá e a levou aos lábios, bebendo mais um gole da bebida quente. Estava na sala de estar da família, juntamente com sua mãe e suas três irmãs mais novas, tendo sua vida como pauta para as conversas. 

— Ora, Catarina, somente lhe disse que muitas das moças da sua idade casaram-se nesta temporada, e você ainda está solteira — retrucou a condessa, inclinando-se em direção à bandeja de petiscos, e pegando um biscoito amanteigado.

Catarina se sentia um pouco mal com o assunto que pairava no recinto naquele momento. Em outra ocasião, poderia ter dito à mãe "Somente estou à espera do meu verdadeiro amor", ou até mesmo "Os homens desta temporada não são tão interessantes", logo após beberia um gole do seu chá e tudo ficaria bem. Mas não agora. Não naquele momento... 

Agora ela somente aguardava a longa tortura em silêncio, esperando que o lorde Mountobbani tomasse alguma decisão, ou até mesmo que alguma testemunha fofoqueira espalhasse o que houve. Catarina se sentia sufocada, e um imenso bolo em sua garganta crescia cada vez mais.

Aquilo era aterrorizante. Não suportava mais esperar o que iria acontecer. Estava com medo, era fato. 

— Mamãe, Catarina com certeza fisgara o coração de alguém. Deixa-a um pouco — disse Amélia, atraindo as atenções surpresas para si. 

Catarina sabia que a irmã estava tentando lhe ajudar, e a agradecia mentalmente. Era ótimo ter alguém para lhe oferecer amparo quando se encontrava em desespero.

— Eu sei disso, afinal, tenho pleno conhecimento de que todas as minhas filhas são capazes de fisgar qualquer homem — disse Diana, limpando os farelos de biscoito do seu vestido discretamente. 

— Eu, principalmente — comentou Olívia, com um certo ar de superioridade, o que fez as demais presentes emitirem umas risadinhas.

— Por incrível que pareça, não vejo problemas em nenhum dos meus filhos serem um pouco orgulhosos, querida — respondeu a condessa, sorrindo de canto para a filha menor, que a encarou com incredulidade. 

— Ora, mamãe, eu não diria que sou orgulhosa. Prefiro a palavra consciente, afinal, tenho pleno conhecimento de quem sou e de minha beleza — observou Liv.

— Bom, creio que isso deveria ser ótimo, mas por que fico um pouco apreensiva quando tais frases saem dos seus lábios? — questionou a condessa, e Liv deu de ombros. As outras três presentes somente riram, até mesmo Catarina, que se permitiu um momento de descontração.

— Olá, lindas mulheres da minha vida — disse Benjamin, adentrando o recinto com um sorriso imenso nos lábios, encarando uma por uma das presentes. 

— Ora, por que está tão animado? — questionou a condessa, apontando com a cabeça para o assento vago ao seu lado no sofá, convidando-o a se sentar, mas ele somente balançou a sua em discordância. 

— Deve ter sentido o cheiro da comida — retrucou Amélia, arrancando gargalhadas das presentes, e fazendo Benjamin revirar os olhos e colocar as mãos na cintura.

O Lorde Mountobbani - Mounbridge 01Onde histórias criam vida. Descubra agora