Mountobbani House, Londres
Londres se encontra em um estado de calmaria impressionante, queridos leitores.
Daqui a uma semana será realizado um baile na residência de Lady W., e muitos jovens solteiros estarão presentes, principalmente escoceses.
Mas, por enquanto, não há nenhuma grande novidade pairando pela capital.Crônicas da Sociedade Britânica
06 de maio de 1811James estava na galeria de sua família, diante do quadro do seu pai, mas seu foco verdadeiramente estava em seus muitos pensamentos.
Ele encontrava-se um pouco atônito com tudo. Em questão de poucos dias, sua vida mudara drasticamente, mas ele não iria se fazer de vítima, afinal, foram as suas escolhas e desejos que o levaram até aquele momento.
Agora ele teria de se casar, e formaria sua família. Seu pai deveria estar satisfeito, afinal, James teria herdeiros e o clã Mountobbani perduraria com o título no lado certo da família.
Ele foi tirado de seus devaneios com um pigarro, e quando virou o rosto para o lado direito, avistou Guckham, o mordomo da família. O mesmo fez uma rápida mesura diante do lorde, e disse:
— Lorde Mounbridge deseja vê-lo, senhor.
Ele engoliu em seco. Era óbvio que o pai de Catarina ainda desejava conversar, afinal, sua filha iria se casar com James. Sempre haveria o que resolver.
— Mande servirem uma bandeja de petiscos e chá na sala de visitas. Acomode-o e diga a ele que logo irei ao seu encontro — ordenou James, e o mordomo assentiu, se despedindo com uma rápida mesura.
James voltou seu olhar para a imponente pintura do pai, o falecido Anthony Mountobbani. Um conde respeitado, assim como ele agora era.
— Prometi, ainda criança, honrar meu legado, e atualmente estou mais convicto do que antes. Honrarei meu sobrenome, e se depender de mim, nosso clã caminhará por esta terra por muitos séculos — afirmou James com veemência, e virou as costas para a pintura do pai instantes seguintes, cruzando a galeria com os retratos de seus muitos antepassados, e indo em direção a sala de visitas.
James nunca fora um homem de falar sozinho, muito menos de conversar com uma pintura, mas sentia a necessidade de encarar o pai nos olhos e lhe dirigir aquelas palavras. Encontrava-se mais leve consigo mesmo, e deveras confiante de suas decisões.
Caminhou com passadas firmes pelos corredores da Mountobbani House, e em seguida, alcançou a porta da sala de visitas, mas estancou na soleira assim que avistou quem estava sentado em seu sofá.
Ele esperara a visita de William Mounbridge. Mas agora encontrava-se surpreso ao notar Harry sentado em seu sofá, olhando os arredores.
Toda a sua confiança esvaíra-se. Adoraria estar diante de qualquer outro Mounbridge, até mesmo de Catarina, mas não diante dele...
Harry fora o único Mounbridge que deixara explícito seu descontentamento com relação ao casamento de James com Catarina, então era a última pessoa no mundo que ele gostaria de se sentar para conversar, mas não havia muitas escolhas naquele momento, então deu alguns passos à frente, e com um pigarro, chamou a atenção do outro presente.
— É uma honra tê-lo em minha residência, Mounbridge — disse James, dando mais alguns passos à frente. Harry somente levantou-se e o encarou nos olhos, mas não parecia furioso. Pelo contrário, aparentava estar sereno, o que era uma novidade para James dadas as circunstâncias da atualidade.
— Por favor, somente Harry. Não vejo mais motivos para tanta formalidade.
Então James apontou com a mão para o sofá, convidando Harry a sentar-se novamente, e ele assim o fez. Porém, o outro sentou-se em uma poltrona um pouco distante de onde se encontrava o Mounbridge, por precaução.
— Sobre o que deseja conversar? — questionou James, sendo servido por uma empregada, que lhe deu uma xícara de chá.
— Creio que você já saiba — falou Harry, olhando para James com atenção, mas virando o rosto logo após para responder à criada sobre como gostava da sua bebida.
— Sobre sua irmã, imagino — deduziu James, notando que Harry concordara com um meneio de cabeça enquanto levava à xícara aos lábios e bebia um pouco do chá.
— Quero lhe pedir algo. Para ser mais exato, é mais uma ordem do que um pedido — comentou Harry, deixando sua xícara de lado e encarando fixamente James, que, por sua vez, copiou os gestos do Mounbridge, e depositou sua xícara na mesinha no centro da sala.
— Diga, então.
— Bom, pelo o que pude notar, vocês realmente se casarão, e eu somente quero que ela seja feliz. Catarina é minha irmã, e desejo a felicidade para ela como para qualquer outra pessoa que tenha o mesmo sangue que o meu em seu corpo — comentou Harry, e James balançou a cabeça, assentindo.
— Pode ter certeza de que a farei feliz — afirmou James com evidente veemência, descansando seus braços no apoio da poltrona.
— Eu realmente espero. Agora que se casarão, você será parte da família. Se tornará um de nós. E muito provavelmente, nos verá com frequência por sua residência — observou Harry, e James assentiu.
Ele já esperava por isso, afinal, estaria se casando com uma Mounbridge, e consequentemente, com toda a família dela também. Não poderia e muito menos ousaria separá-los, e tinha pleno conhecimento da forte união entre eles, que sempre os manteriam unidos e presentes uns para os outros.
— Eu sei que posso ter exagerado em minha reação quando você a pediu em casamento, mas espero que compreenda-me. Ela é minha irmã. Mesmo que eu não me lembre muito nitidamente, a vi nascer e crescer. Meu pai ensinou-me o valor que devemos dar a uma mulher, e eu não estava pronto para ver Catarina sendo cuidada por outro homem. Ainda não estou, para ser mais franco. Creio que me entenderia melhor se você possuísse uma irmã — observou Harry, e James manteve-se calado, afinal, não havia muito o que dizer, e decerto estava um pouco desconcertado pelas palavras tocantes do herdeiro dos Mounbridges. Então ele continuou: — Naquele dia, no White's, o considerei um amigo, e dias depois, você pediu minha irmã em casamento. Isto me desestruturou. Não gosto de não ter controle sobre as coisas. Fui pego desprevenido.
— Bom, eu sinto muito que tenha sido pego desprevenido, mas não me arrependo de ter pedido a mão de sua irmã em casamento. Lhe agradeço por ter considerado-me um amigo, e seria muito grato se assim continuássemos, afinal, não quero nenhuma relação turbulenta com alguém da sua família — comentou James.
— Preciso da sua palavra. Quero que faça minha irmã feliz a qualquer custo. Catarina é uma das pessoas mais gentis e doces que conheço, e não suportaria vê-la sofrer. Odeio ser um homem truculento, mas com relação a minha família, muitas vezes é necessário que eu seja assim. Então você vai me prometer que fará dela a esposa mais alegre e radiante deste mundo, e somente assim teremos uma boa relação — exigiu Harry com um olhar deveras intenso e intimidante, e James sorriu de canto.
Era bonito e reconfortante ver a relação entre os Mounbridges. James não poderia julgar aquele homem, afinal, tudo o que estava fazendo era garantir que a irmã não sofresse.
Ele, às vezes, devaneava sobre como seria sua vida se possuísse irmãos, e no fundo, desejava uma relação tão boa quanto a dos Mounbridges.
Sua vida, infelizmente, seguira rumos diferentes, mas nada lhe impedia de dar irmãos aos seus futuros filhos.
— Lhe garanto que ela terá o tratamento que merece. Farei de sua irmã, a mulher mais feliz de todas. Você tem a minha palavra — respondeu James com convicção, e Harry suspirou aliviado, repuxando delicadamente os cantos dos lábios, como se reprimisse um pequeno sorriso.
— Fico deveras aliviado em ouvir isso. E lhe garanto que tentarei dar o melhor de mim para tornar a nossa convivência o mais serena possível — garantiu Harry, e James assentiu.
Ele esperava que ambos se tornassem bons amigos, e que tivessem uma relação agradável, afinal, não havia mais como voltar. Catarina poderia ganhar seu sobrenome, mas era James quem receberia uma família.
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O Lorde Mountobbani - Mounbridge 01
Romance-->Se você estiver lendo esta história em qualquer outra plataforma que não seja o Wattpad, provavelmente está correndo o risco de sofrer um ataque virtual (malware ou vírus). Catarina Mounbridge é uma jovem gentil e amável, filha de um conde e reco...