39. Eu mal sabia distinguir

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A família de Flávia estava alí. Me assustei, mas depois fui até a recepção.

- Oi.

A moça me olhou, já estavam acostumados com minha presença alí.

- Em que posso ajudá-lo, senhor?

- Eu queria saber se uma amiga minha tá internada aqui.

- Qual o nome?

Falei o nome inteiro de Flávia pra ela. A jovem começou a mexer no computador e depois disse.

- Está sim, senhor.

Flávia internada, mas por que?

- Pode me dizer o quarto?

- 123.

Lembrei do enfermeiro dizendo esse número, como doadora.

- Não, acho que a senhora se enganou.

- Não, é esse quarto mesmo.

Agradeci e sentei alí mesmo, numa cadeira de espera. Meu pensamento ficou a mil. Flávia tinha doado pra Jordana? Me senti imensamente agradecido e parei pra pensar nela. Fazia algum tempo que não via ela. Ela tinha doado pra Jordana, quem justamente tirou a chance dela de viver comigo. Ela me amava, mas Jordana sempre esteve a frente dela, e Flávia sabia. Me levantei e segui até uma floricultura que tinha no hospital. Comprei um buquê bonito pra ela e depois bati em seu quarto. Uma menina bonita, que logo reconheci quando sua irmã gêmea apareceu. Elas eram muito parecidas, mas não idênticas. Ela se assustou comigo.

- Pois não?

- É... Fiquei sabendo que a Flávia está aqui, posso falar com ela?

- Entra. - Ela me deu passagem e eu entrei sem graça. Vi sua irmã sair do quarto, nos deixando sozinhos. Ninguém sabia que nos conhecíamos.

Flávia me olhou surpresa.

- Luan?

- Oi. - Sorri. - Pra você. - Me aproximei dela e lhe entreguei.

- Obrigada, são lindas. Como me encontrou aqui?

- Vi sua mãe lá fora e perguntei na recepção. O que faz aqui? - Queria ver se ela me contaria.

- Nada demais. Passei um pouco mal quando vim visitar minha mãe e vim parar aqui.

Respirei fundo, e senti algumas lágrimas caírem.

- Obrigado. Eu não nem o que te dizer. Obrigado pelo que fez por ela. - Ela entendeu.

- Eu não fiz por ela, fiz por você. - Ela sorriu.

Me aproximei e abracei ela com medo de machucá-la.

- Como descobriu?

Contei pra ela.

- Espertinho. - Ela limpou minhas lágrimas.

Me sentei na cama no lado dela.

- Por que não ia me contar?

- Porque não. Eu não quero que ela saiba.

- Eu não vou dizer. - Sorri.

- Por que não me contou que ela estava doente? Eu teria te ajudado.

- A gente não se falou mais. E eu não pensei muito.

- Quando fiquei sabendo, vim fazer o  exame e deu compatível. E eu não podia deixar de doar. Mas eu poderia ter te dado um apoio maior se soubesse, Luan.

- Você é incrível. Tem todos os motivos pra não gostar dela mas mesmo assim...

- Eu não tenho motivos pra odiá-la. Você escolheu ela, Luan.

As lembranças vão na mala (Luan Santana)Onde histórias criam vida. Descubra agora