Capítulo 31 [RETA FINAL].

1K 109 48
                                    

Viver em Pembroke era mais entediante do que eu havia imaginado. Apesar de termos visitado vários castelos, saído para jantar e aproveitado alguns dias no hotel maravilhoso, Artur ainda temia estar em público, a senhora Evans ainda pensa que ele morreu e suas redes sociais está estampado o luto no perfil. Todos os dias ela me chama para tomar um chá ou para almoçar, a minha desculpa é de que estou com os meus pais, me empenhando em uma pós graduação e tirando férias da loucura de Nova York, tentando esquecer tudo o que aconteceu com Artur. O mais engraçado era que eu falava isso enquanto ele estava ao meu lado, rindo e me ajudando com as desculpas, puxando o meu corpo para perto e me mordendo, provocando do jeito que só ele sabe.

Eu sentia falta de casa, muita falta da Jade e queria muito acompanhar de perto o segundo trimestre da gravidez da minha melhor amiga, o chá revelação seria em uma semana e Will estava super empenhado em ajudá-la. Depois de alguns dias convenci o meu irmão a ficar com a Jade, ele era a pessoa mais apta a fazer isso porque quando éramos crianças ele se dedicava muito a cuidar dos bichos, mesmo sendo um verdadeiro desastrado. Meu irmão estava a caminho do hotel e eu não via a hora de receber uma foto da minha bolinha de pêlos.

— Chloe. Tenho duas notícias, uma boa e uma ruim. Qual quer ouvir primeiro? — meu irmão perguntou, do outro lado da linha.

— Aí, Caio. Por favor! Sem joguinhos. Você pegou a Jade? Como ela está? Manda uma foto dela logo. — respondi, bufando e me sentando no sofá da sala.

— Ela não está aqui. Essa é a má notícia. A boa é que um rapaz bonzinho veio pegar ela, creio que seja o seu namorado Vitor, ele pagou tudo e você não tem nenhuma dívida, e ela está segura, ele é um cara legal.

— Puta que pariu! — gritei. — Meu Deus, que inferno. A Jade sumiu, o que eu vou fazer sem a Jade? — levei a mão até o rosto e respirei fundo, parecia até que alguém havia morrido, um nó na garganta e eu só queria desabar em choro, desesperada.

— Calma, louca. Ela está com seu namorado. Vocês terminaram?

— Ele não é meu namorado. Encontra a Jade, Caio. Por favor! Eu vou te passar o endereço. — rapidamente me levantei e caminhei até uma pequena mesa de madeira que ficava no canto da sala com um telefone e alguns papéis. — Eu vou te mandar o endereço, mas pega ela, garante que ela vai ficar comigo.

— Nossa, você considera mais um cachorro do que o próprio irmão.

— Você sabe que eu te amo. E estou com saudades.

— E eu espero que você traga muitos presentes europeus pra mim. Espera aí, você não viajou com o Vitor?

— É uma longa história. Pega a cachorra e depois a gente se fala.

Larguei o celular em um lugar qualquer, levei as mãos até o rosto e respirei fundo. Não imaginei que ele fosse voltar, pensei que vagaria pelo mundo como sempre fez, achei que a Jade estaria segura e agora só Deus sabe para onde ele a levaria. Artur entrou na sala com a toalha em volta do quadril e outra em mãos, secou o cabelo e me olhou enquanto fazia careta.

— Estava chorando? — perguntou, se aproximando e levando a mão até o meu ombro.

— Não, não. Mas estou bem preocupada. — suspirei.

— O seu irmão não quis ficar com a cachorra? — arqueou uma sobrancelha.

— O seu irmão sumiu com ela. — dei de ombros e caminhei em direção à cozinha, abri a enorme geladeira e peguei uma caixa de suco de laranja, ouvi os passos de Artur no piso de madeira vindo atrás de mim.

Meu Inesquecível Vizinho Onde histórias criam vida. Descubra agora