O Irmão Ogro XIV

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- Eu te amo tanto Carlos. Doeu demais ouvir aquilo tudo.

- Esquece isso Marcos. Eu quero você, mais do que nunca.

Nos beijamos carinhosamente, quando escutamos:

- Que merda é essa na minha casa?

Meu pai na porta, nos olhava com nojo. Mas com Marcos eu não tinha o medo de antes. Se eu abaixava minha cabeça era porque ainda me sentia submisso, mas só o olhar de Marcos já me dava coragem.

- Pai, esse é o Marcos, meu namorado.

- Namorado? Você acha que eu criei filho pra ter namorado?

- Sinto muito se você não quiser aceitar, mas ele não vai deixar de ser.

- Você acha que tá falando com quem seu moleque? Eu sou sei pai, dono dessa casa. E quer saber, agora não tem Bruno pra defender não. Se você quer ser esse promíscuo, junta suas coisas e vai embora da minha casa.

Já havia me conformado. Eu também não fazia questão de continuar ali. Ia abandonar tudo e nem olharia pra trás.

- Não, ele não vai.

Minha mãe havia entrado no quarto e se posicionou ao meu lado, enfrentando meu pai.

- Você tá louca? Vai deixar essa pouca vergonha aqui na minha casa?

- Sua casa, essa casa é tão sua quanto dele.

Meus pais saíram do quarto e eu fiquei cabisbaixo. Talvez o casamento deles acabaria e a culpa ia ser minha. Marcos percebeu minha tristeza:

- Ei, não fica assim não. Ele tem que ao menos te respeitar, você sabe né?

- Sei Marcos. Obrigado por estar comigo. Te adoro viu.

- Tá, mas eu te amo tá.

Nos beijamos novamente, calmamente. E meu humor já estava bem estabelecido. Era isso que eu precisava pra me acalmar.

- Vamos sair hoje?

- Ah não, Marcos. Nem tem clima pra andar por aí.

- Vamos vai, por favor.

Não resisti a aquela carinha de pidão e me arrumei pra sair. Ele disse que ia em casa, casa de Thaís, e voltaria pra me buscar. Nem me preocupei com meu pai e decidi sair. Tinha dinheiro e estava mais tranquilo por saber que minha mãe estava do meu lado. Fiquei esperando Marcos no portão e ele demorava. Até que surge um carro, e que carro! Me senti uma Maria Gasolina desejando o carro e pensando: "O motorista deve ser maravilhoso". E era!

Abaixou o vidro e o sorriso de Marcos ficava ainda mais bonito naquele carrão preto. Entrei no carro e ele me contou que o carro era do pai, mas que a ocasião era especial. Não entendi direito, mas nem perguntei.

Ele parou perto de uma balada GLS famosa de BH. Seu sorriso era lindo e eu estava adorando ter saído com ele. Estava alegre, apesar de tudo.

Começamos a dançar e tudo estava lindo. Mantínhamos certa distância e eu ria dele dançando ou tentando dançar.

Decidimos ir para um lounge, ficar mais quietinhos, depois de ter dançado bastante. Chegamos e nos sentamos, vários casais se beijando e pessoas sozinhas também. Me levantei para pegar uma bebida e meu celular tocou. Olhei: número desconhecido. Não iria atender né. Peguei dois sucos (eu não bebo e ele estava dirigindo). Me assustei com Marcos sentado olhando pra mim e um carinha ao seu lado.

Não senti ciúmes, mas achei estranho.

Voltei e Marcos me olhava como quem quisesse matar o carinha ao seu lado, e eu tranquilo. O entreguei à bebida e me apresentei ao carinha, Daniel.

O Irmão Ogro 1ª TemporadaOnde histórias criam vida. Descubra agora