O Irmão Ogro XX

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Eu precisava continuar com o plano.

- Vamos curtir o momento Marcos. Depois a gente decide o que fazer.

Ele voltou a me beijar até ouvir o grito na porta do quarto.

- Quando você acabar de curtir o momento, Carlos. Me avisa!

Bruno? Ele estava bem?

Não. Ele não estava.

Marcos o olhou com um sorriso e ele me olhava com ódio. Me levantei correndo em direção a ele:

- Bruno, que bom que você está bem.

O abracei, mas ele recusou. Não só recusou como me empurrou com tamanha força que me jogou de volta pra cama.

- Eu não acredito nessa merda, Carlos.

- Bruno, você não tá achando que eu...

- Não preciso achar porra nenhuma não, eu estou vendo. Você agarrado com esse playboyzinho.

Marcos permanecia calado e com certeza feliz. Seu plano havia dado certo e Bruno estava caindo como um patinho. Suas palavras continuaram:

- Bem que minha mãe me avisou dessa merda. Sabia que ainda tinha alguma coisa entre vocês. Como eu fui burro, cara.

Ele saiu andando pelo quarto, tentando se controlar, mas não estava conseguindo. O percebia nervoso, mas eu estava mais. Além disso, me sentia um idiota pela ideia tosca de ceder às tentativas de Marcos e ter acreditado na história de que Bruno estava em perigo.

Eu ainda estava perplexo, mas Bruno continuava:

- Se eu soubesse que você ia fazer essa cachorrada comigo eu não tinha enfrentado minha mãe e o meu pai e ficar bancando o otário. Eles estavam certos, todos estavam.

Eu já chorava. Estava puto. Pior que isso. Sequer conseguia reagir às suas palavras e Marcos ainda estava ali. Não tinha forças não pra tirá-lo do quarto, da nossa casa. Mas não demorou muito. Bruno o tirou daquele quarto com força, sem dando chances de reação. Ainda tive que ouvir Marcos dizer "Estou te esperando quando esse idiota te colocar pra fora".

Eu estava com medo. Imaginava que Bruno jamais fosse me bater, mas sua reação poderia me magoar muito, já estava magoando.

- Eu não tô acreditando nessa merda. Você sabe como eu tô me sentindo Carlos? Como se alguém tivesse ferrado com tudo que eu acreditava.

- Bruno, me escuta. Você vai entender quando eu explicar tudo...

- Vou entender porra nenhuma. Eu achei que você tivesse na minha e você aqui na nossa cama beijando aquele tosco. Quer saber, vou sair daqui antes que eu faça merda.

- Cara, me escuta. Ele chegou aqui, me machucou, trouxe pro quarto e me disse que você tava em perigo. Eu só vi uma solução: dar corda pra ele até descobrir onde você tava.

- Que história sem noção. Carlos, se ele tava aqui como que me oferecia perigo?

- Bruno, ele disse que meu pai tava metido nisso e eu nem pensei, tava preocupado, sei lá.

Ele não se convenceu. Só ficava cada momento mais nervoso e eu também começava a me estressar mais. Ele não acreditava em mim, nas minhas intenções. Eu entendo que era difícil, mas depois de tudo que a gente enfrentou ele pensar isso me machucava!

- Eu vou sair daqui antes que eu faça coisa pior, Carlos.

- Não, não precisa. Esse lugar é seu. Melhor eu ir embora.

O Irmão Ogro 1ª TemporadaOnde histórias criam vida. Descubra agora