Pra mim já se tornou comum
Chegar em casa e deleitar da frustração
Terminar o dia como só mais um
Só mais outra pessoa que não merece atençãoMinha timidez me tem em uma coleira
Todos à minha frente estão disputando uma corrida
Enquanto eu fico atrás, comendo poeira
Eles tem a capacidade de controlar a própria vidaDe vez em quando até consigo me soltar
Corro livre por algum tempo
Até que me vejo obrigado a voltar
E novamente perder por mais um momentoA sala gira ao meu redor
Minha visão escurece, me fazendo cair
Talvez eu deva sacrificar a mim mesmo por um bem maior
Talvez de mim mesmo eu deva sairAo redor do meu pulso ainda sinto as feridas
Elas ainda estão quentes
Bem como a minha mão, cheia de mordidas
Então, se não se importa, prefiro que me amarre com cordas do que correntesNão pense que aceito fácil essa condição
Não me rendo tão fácil quanto faço parecer
Acontece que sempre cedo à essa submissão
E permaneço acorrentado até o amanhecerMinha timidez me tem na palma da mão
Nunca consigo falar e fazer tanto quanto gostaria
Mesmo depois de tanto tempo não parece mais fácil estar no chão
Se eu tivesse uma oportunidade de mudar isso, juro, eu fariaSituações me colocam para baixo com frequência
Posso até dizer que a frustação me domina
Posso até não agir com tanta transparência
Mas não consigo esconder no que esse sentimento culminaNa calada da noite, nos meus sonhos mais profundos
Imagino como seria se eu não fosse assim
Conseguir falar livremente sem passar mal em segundos
Viver sem desejar o meu próprio fimEstive tentando mudar isso toda a vida
Cansei de ser preso por sentimentos negligentes
Sentimentos que contribuem com minha auto-estima decaída
No entanto, prefiro cordas do que correntes
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aonde foram as borboletas • volume 1
PoesiaUma coletânea de poemas sobre ansiedade, medos e inseguranças. "Meu estômago se enche de borboletas. Então é aí que elas estão?" • • • • • • #3 em poesia (03/10/2021) #2 em poesia (04/10/2021) #12 em poesia (06/04/2022)