girassóis lunares

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Acordei em um campo de girassóis, de repente
Todos curvados diante da lua, irreverente
Todas aquelas flores que, de dia, pareciam tão bonitas
Agora estavam viradas para baixo, tão aflitas

Esperando que o sol entrasse
Para que, de novo, pudessem brilhar
Mas, uma vez que a lua voltasse
Todos eles voltariam a se curvar

E foi então que, como um girassol, eu me senti
De dia espalhando toda a minha positividade
Mas, de noite não acreditando no que vivi
Me curvando diante de tanta maldade

Durante a noite, eu me lembro
De toda aquela magia
Mas, subitamente eu percebo
Da encenação em que eu vivia

Como um lindo campo de girassóis
À luz do sol transmitindo alegria
Até que a noite chega
Levando junto consigo a fantasia

Eu era como um girassol
E, então, percebi que você era lua
Me botava para baixo, me sugava
E eu não via a verdade nua e crua

Eu nunca achei o meu sol
O sol que me botaria para cima
Enrolado, todos os dias, em um lençol
Afundado-me em minha baixa auto-estima

Como pode um girassol, a flor mais bonita do campo
Se botar para baixo, se render a um encanto?
Como pode um girassol, tão belo e cintilante
Estar tão triste e acabado em apenas um instante?

Como pode a bela lua
Ser tão tóxica ao girassol?
Com uma beleza só sua
Subestimando-o, como se fosse a isca de seu anzol

E foi então que eu me senti como um girassol
Brilhante e inigualável
Isso, antes de aparecer a lua
E me fazer esquecer o quanto eu sou memorável

aonde foram as borboletas • volume 1Onde histórias criam vida. Descubra agora