Prologue.

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Harry respirou fundo fechando seus olhos, ele sentia a presença de sua família e Cedric ao seu lado, ele apertou frouxamente sua varinha e a deixou cair quando ouviu o som de zombaria de Voldemort, ele abriu os olhos e o olhou diretamente nos olhos, o homem com aparência ofidica parou sua zombaria e deu um passo a frente sorrindo friamente.

— Vamos acabar logo com isso. — Harry murmurou no silêncio tenso da Floresta Proibida e olhando nos olhos vermelhos do homem, ele ouviu suas últimas palavras em vida:

— Avada Kedavra. — A luz verde doentia o atingiu no peito e ele levou a mão ao local sentindo seu coração parar de bater, foi tudo lentamente, ele viu Voldemort sorrindo em escárnio antes de tombar para o lado, rezando para que Hermione e Ron conseguissem seguir com o plano e matar a maldita cobra.

Ele abriu os olhos apenas para encontrar uma claridade intensa, Harry se sentou lentamente notando que estava em um tipo de versão muito branca e limpa da estação de king croos, ele franziu o cenho e levou a mão automaticamente para o roto para corrigir os óculos, mas eles não estavam lá, isso o fez olhar ao redor novamente notando que estava vendo nitidamente.

Ele se levantou do chão e observou melhor sua situação ao ver que estava com a mesma roupa em que estava na Floresta Proibida, exceto pelo casaco que ele estava sem, ele deu um passo a frente e ouviu um choramingo de dor, parecia uma criança, ele olhou em volta e não viu nada além do vazio.

Harry deu mais um passo a frente e ouviu outro resmungo dolorido, ele porém, desta vez viu algo que o fez arregalar os olhos e caminhar a passos rápidos até um bando próximo em que ele estava, ele se abaixou e viu algo semelhante a um homúnculo muito pequeno e esfolado vivo, ele tinha os olhos vermelhos mesclados com azuis topázio o fitando como se estivesse com medo.

Harry estendeu a mão em direção a criatura e ele se encolheu como se Harry fosse o bater, isso o fez franzir o cenho, até que percebeu o que era aquela criatura.

— Tom.. — Sussurrou horrorizado e afastou a mão dele, o homúnculo no formato de um bebê choramingou de novo e se encolheu se virando para a parede branca.

Harry caiu sentado ao reconhecer aquela posição, ele sempre ficava daquele jeito quando era mais novo e havia sido batido e jogado dentro do armário embaixo da escada, sua respiração acelerou e ele sentiu uma mão sendo apoiada em seu ombro, ele não se importou em verificar quem era, apenas continuou a olhar para o homúnculo que se contorcia e chorava de dor.

— Harry. — Era a voz de Dumbledore, Harry desviou o olhar da criatura e focou seu olhar em seu mentor, então ele estava morto, havia dado certo. — Não tenha pena Harry, isso foi algo que ele causou a si mesmo. — Dumbledore murmurou sombriamente, seus olhos azuis também focados na criatura.

— Mas.. Ele.. — Harry suspirou pesadamente voltando seu olhar para a pequena criatura.

— Sim, ele está sofrendo, essas são as consequências de criar tantas horcrux como Tom criou. — Dumbledore respondeu tristemente e olhou para o menino de 17 anos na sua frente. — Não tenha pena dos mortos, Harry.

— Mas ele ainda não está morto. — Harry retrucou asperamente e se encolheu com outro choramingo da criatura. — Ele está sofrendo, professor. — Harry anunciou preocupado e Dumbledore o olhou atentamente.

— Mas você não pode fazer nada mais a respeito disso. — Respondeu e ambos ouviram um trem se aproximando. — Já era hora, veja, você pode voltar, ou...

Dumbledore parou de falar quando voltou sua atenção para Harry, vendo que ele havia pegado a pequena criatura nos braços e ele estava voltando a sua forma humana lentamente, Dumbledore olhou curioso para o adolescente e ouviu um sussurro em seu ouvido:

— Ele fez sua escolha. — A voz era sem gênero e desprovida de qualquer sentimento, Dumbledore assentiu e voltou sua atenção para Harry novamente que agora estava de pé observando o menino pequeno em seus braços.

— Vejo então que você já está pronto para sua próxima aventura, eu vejo. — Dumbledore murmurou pensativo e o trem parou lentamente na estação, ele era tão branco quanto o resto da estação.

— Senhor, eu posso voltar? Eu posso rever meus amigos e família? — Harry questionou baixinho observando o bebê em seus braços.

— Isso é uma escolha sua, Harry. — Dumbledore respondeu. — Você pode ficar e reencontrar seus pais, assim como também pode voltar para sua família e amigos. — Acrescentou o olhando com curiosidade.

— Então eu quero voltar. — Harry respondeu e olhou para cima, mas, não viu mais nada.

— Então pegue o trem e volte para sua mais nova grande aventura, meu caro. — Dumbledore respondeu com aqueles olhos azuis brilhantes de avô.

Harry se virou caminhando até o vagão de trem e foi então que se lembrou do bebê em seus braços.

— Senhor? — Harry chamou se virando mas franziu o cenho.

Dumbledore havia sumido e ele de repente sentiu aquele puxou familiar atrás do umbigo e quando abriu os olhos, ele estava sendo carregado por Hagrid.

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Harry se sentou abruptamente respirando fundo e levou a mão ao peito, sentindo seu coração bater acelerado em sua caixa torácica, esfregando o rosto enquanto suspirava, Harry ouviu passos leves e ligeiros vindo na direção de seu quarto e sorriu ao ver a porta sendo aberta timidamente, a primeira coisa que viu foi os cabelos castanhos cacheados e bagunçados e olhos azuis topázio o olhando com preocupação.

— Você está bem papai? — O menino questionou baixinho dando um passo a frente sem jeito e Harry sorriu levemente abrindo os braços para a criança de sete anos que correu em sua direção subindo na cama e se jogando em seus braços.

— Estou bem querido, foi só um sono. — Harry respondeu acariciando os feios sedosos do filho e deixando um beijo no topo de sua cabeça. — Estou bem agora.

— Tem certeza? Posso ver se o tio Ron e tia Mione tem chocolate quente na cozinha pra você. — O menino questionou segurando no rosto do pai o olhando nos olhos e Harry sorriu carinhoso.

— Estou bem, eu prometo, você está aqui e eu vou ficar bem. — Respondeu sincero segurando nas mãos pequenas do filho e depositando um beijo casto em seus dedos. — Foi só um sonho de uma lembrança. — Afirmou e o menino o olhou desconfiado.

— Tem certeza? Eu posso cuidar de você papai. — O menino questionou incerto e Harry riu suavemente.

— Certeza absoluta. — Harry respondeu e puxou o filho para um abraço apertado, sendo retribuído no mesmo instante pela criança. — Te amo, Tom.

— Também te amo, papai. — Tom respondeu fechando os olhinhos e Harry sorriu sonolento voltando a dormir ao lado do filho.

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