Todos pensavam que tinha terminado. Rick e seu grupo, pensavam que tudo tinha terminado com a queda de Negan... mas estavam enganados.
O que eles não sabiam, era que algo tão tenebroso quanto Negan, se escondia no meio da floresta, algo mais forte...
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2 semanas depois...
Daryl:
A rainha, ou, como ele agora sabia que ela se chamava, Lexie, era a mulher mais estranha que Daryl já vira na face da Terra. Lexie conseguia ser o diabo em pessoa, mas também o completo oposto, principalmente com seu povo. Ele nunca vira ela levantar a voz com nenhum deles, a não ser os criminosos, nunca vira bancar a lunática... Se bem que ela parecia meio louca algumas vezes. Fazia ele lembrar de alguém, mas esse alguém não era tão louco assim. Até mesmo no seu caso, seria de esperar que um prisioneiro fosse tratado de forma diferente dos membros da comunidade, mas, inexplicavelmente, Lexie tratava Daryl, não da mesma forma, mas bem melhor do que seria "normal" na sua condição. Daryl não era tratado como quando estivera no Santuário, por exemplo. Ali, parecia um mundo diferente de tudo o resto. Ele olhou pela janela, enquanto colocava os imensos livros de Lexie no lugar. Fora uma condição dela para que ele merecesse a água que bebia e a comida, então, Daryl fora incumbido de cumprir certas tarefas. Nesse dia, era a oborrecida tarefa de arrumar todos aqueles livros. Do lado de fora, fazendo ele parar o que estava fazendo, viu Lexie lá em baixo, no enorme espaço que rodeava a frente do edifício. Ela corria com duas crianças, para lá e para cá, e os risos delas entravam pela janela aberta. A rainha parecia perdida num mundo de faz de conta, enquanto brincava e pulava com os meninos. Era esse tipo de coisa que fazia Lexie ser tão... estranha. - Vai continuar olhando? Daryl olhou a porta, vendo o homem que sempre estava perto de Lexie, Dário, olhando ele. O caipira voltou ao trabalho, mas não sem antes lançar um novo olhar na estranha garota. - Acho que nem vale a pena ficar sonhando, Lexie não dá a menor chance para ninguém. - Falou Dário. - E se desse, com certeza não seria para um prisioneiro. Daryl olhou ele, sem falar nada e Dário sorriu. - Ainda por cima um que parece um selvagem. - Melhor parecer um selvagem do que um idiota carregando uma arma, abanando o rabinho atrás de uma mulher. - Respondeu Daryl. Dário se aproximou do caipira, encarando ele. - A sua sorte é que a Lexie não deixa ninguém encostar em você. Daryl deu de ombros. - Tou nem aí para o que ela deixa, ou não. - Mas eu tou. - Ele indicou a estante. - Continua, chega de mandriagem. Durante um bom tempo, os dois permaneceram em silêncio, com Dário observando Daryl, sem nunca sair da sala. Então, do nada, a porta abriu e Lexie entrou, parando ao ver os dois. Daryl viu que ela trazia algumas folhas presas no cabelo, como se tivesse se jogado no chão, e talvez tivesse mesmo, e seu rosto tinha uma leve sujeira. Dário levantou da cadeira que ocupava e se aproximou dela, retirando as folhas. - O que raio andou fazendo? - Perguntou, rindo. Lexie deu de ombros. - Brincando. - Parece uma selvagem da pré-história. Lexie sorriu. - Sério? Bem, alguém tinha de fazer companhia ao Dixon, já que você chama ele de selvagem. Dário olhou Daryl e depois de novo para ela, visivelmente frustrado com tais palavras. - Lexie... Ela ergueu a mão, sacudindo, e ele silênciou. - Vai, Daryl não vai fugir. Dário se aproximou dela, deixando que seu peito encostasse no seu ombro. Daryl esperou uma reação da mulher, mas ela apenas olhou o outro. - Posso falar com você? - Pediu ele. Ela revirou os olhos e se afastou na direção da porta, parando e esperando Dário. Daryl ficou vendo eles falarem baixo, como se não quisessem ser escutados e depois, Dário saiu da sala, contrariado e Lexie ocupou a cadeira onde ele estivera, fechando os olhos e suspirando. - Achei que alguém que se chama de Rainha, não precisasse de um cão de guarda. Lexie abriu os olhos e olhou ele, sorrindo. - E não preciso. Dário é meu melhor amigo mas, já que tocou no assunto. - Ergueu um dedo. - Eu realmente tenho um cão. Daryl viu ela olhar a porta e chamar "Dog!". Franziu o cenho. Que raio de nome era aquele? Do nada, um cão entrou na sala, correndo e parando junto dela. Lexie fez carinho nele e depois sorriu. - Vai dar oi para o Daryl. O cão se aproximou do caipira, cauteloso, mas depois mais confiante. Daryl deixou ele cheirar sua mão e conseguiu mesmo fazer uma festa na cabeça dele. - Dog? - Ele olhou Lexie. - Que raio de nome é esse? Estava com medo de esquecer? Lexie riu. - Salvei ele, zumbis apareceram e eu precisei chamá-lo. Saiu Dog. - Hum. - Daryl, gostaria de ir na Arena hoje? O caipira ergueu o olhar e viu que ela prendia o seu. - Para quê? Lexie riu de novo. - Não vou colocar você lutando, fica tranquilo. Só que... um dos criminosos vai lutar e ele fez um desafio. - Deu de ombros. - Achei que fosse mais interessante do que ficar no seu quarto. - Ver gente se matando não é algo que me fascine. - Falou ele. - Mas... tudo bem. - Ótimo. - Lexie sorriu. Daryl coçou as orelhas do Dog e depois olhou a rainha de novo. - Porque raio você não me trata como um prisioneiro de verdade? - Eu falei que não era tão diabólica assim. Além disso, seu grupo ainda não atacou a minha casa, não da forma que eu esperava, então, porque eu tenho de tratar mal você? Lexie era, definitivamente, estranha. - Hum. - Além disso, eu não poderia magoar o cara que queria abrir minha cabeça com uma chave inglesa. Daryl sentiu todo seu corpo retesar e olhou ela, chocado e sendo percorrido por um arrepio. - O quê? - Perguntou. Lexie levantou, deu alguns passos na sua direção e puxou a blusa para cima, revelando a parte do seu braço acima do cotovelo. - Eu não esperava encontrar você novamente, Daryl Dixon. - Ela falou. Daryl viu uma cicatriz no braço dela, uma cicatriz que ele sabia como tinha ido ali parar, uma cicatriz que Daryl já percorrera com seu dedo. Ela abaixou a blusa e Daryl olhou nos seus olhos. - Lexie Stevens?! - Daryl franziu o cenho. - Oi caipira. Na sua mente, Daryl regressou no passado, lembrando daquela garota endiabrada que vivia mais abaixo, na sua rua, filha de um caipira que ganhava a vida dirigindo caminhão. Mas como? Ele olhou ela, procurando semelhanças com a garota que ele lembrava, mas a do passado tinha apenas dezanove anos, aquela era mais velha. A do passado, tinha uma mecha de cabelo rosa, aquela tinha todo o cabelo negro, mas... Agora que sabia, via a mesma força no seu olhar, o mesmo sorriso... Como não percebera? Como não reconhecera ela? O facto de ser baixinha, aqueles olhos que ele sempre achara fascinantes... As perguntas que assaltavam sua mente, eram imensas e ele não conseguia falar todas elas. E agora ele lembrava de outra coisa: aquela era a mulher que Rick queria matar. - Não é possivel. - Falou. Ela sorriu. - Também achei, até você aparecer aqui feito anjo vingador. Agora vem, falamos depois. Daryl explodiu, porque era assim que ele lidava com coisas que o deixavam nervoso. Ele explodia! - O quê?! Fala isso assim e muda de assunto como se não fosse nada?! Eu pensei... Pensei... Você foi embora! Daryl estava aos gritos e Lexie apenas assentia. - É. - É?! Como é?! Aparece do nada, querendo matar todo mundo, prendendo o Carl e... Você era a Lexie! Todo esse tempo! - Daryl, eu sou a Lexie. - Não! - Daryl andava de um lado para o outro. - Não é! A Lexie de antes era... - Olhou ela. - Não era assim! Lexie suspirou. - Olha desculpa, mas eu preciso realmente de me preparar para o desafio. Eu não podia falar pra você porque... Você não entende. - Mas que merda de desafio?! Ver dois caras se matando? Você não pode jogar essa bomba e virar as costas! Eu perdi todo mundo! Todos! - O Merle? Daryl mordeu o lábio, furioso. - É, o Merle. Lexie olhou o chão e depois de novo para ele. - Sinto muito. Daryl avançou e agarrou ela pelos ombros. - Eu pensei que você estava morta! - Talvez eu fique, mesmo, depois dessa noite. Aquilo pegou Daryl de surpresa e ele abaixou a voz. - O quê? - O desafio. - Falou ela. - O animal lá me desafiou, a mim, sou eu quem vai lutar essa noite. Como já era regra nesse apocalipse, o mundo de Daryl ruiu de novo com aquela frase.