Atenção! Esse capítulo contém cenas +18 anos, contendo nelas descrição de estrangulamento e violência física. Não leia caso o assunto lhe causar gatilhos ou se não se sentir confortável.
Aos doze anos, Kim Namjoon tinha um cachorro que se chamava Will. Mesmo que Namjoon desse amor e o tratasse como alguém querido, ele sabia que o seu cachorro era triste e desejava fugir a todo momento. Ao mesmo tempo que aquilo se tornou compreensível por causa dos maus tratos vindos do seu pai, ele não era capaz de ignorar a dor que aquele fato o causava. Diferentemente dele, o seu pai depositava todo o ódio que sentia em Will e a dor de ouvir o seu amigo pedir socorro era ainda pior do que a de vê-lo partir.
Então, no dia vinte e cinco de maio, enquanto todos festejavam e se deliciavam com a ceia, Kim Namjoon teve acesso ao quarto do seu pai sem que ele percebesse. Ele pegou a chave do canil que estava na cabeceira da cama e saiu furtivamente para o quintal, seguindo para a parte de trás da casa. Will se agitou ao vê-lo abrir as grades do canil, o que animou Namjoon pois fazia tempo em que ele não o via feliz.
- Hey, rapaz. Você vai estar livre depois de hoje. - O prometeu enquanto abria as grades. Ao entrar, ele o abraçou e se agachou para soltá-lo da corrente. Will o lambia feliz e pulava em seu colo, fazendo Namjoon sorrir e chorar ao mesmo tempo.
- O que é isso? - Escutou a voz de seu pai atrás dele. Namjoon não quis perder tempo e soltou o cachorro sem hesitar. Will fugiu passando correndo por seu pai e saindo do canil a tempo dele não conseguir mais agarrá-lo. O seu permaneceu imóvel o olhando com fervor, mas mesmo assim Namjoon sentia um grande alívio em seu peito.
- Vá para o seu quarto. Te encontro lá em quinze minutos. - Seu pai ordenou. Namjoon estranhou o seu autocontrole e seguiu para dentro de casa como ele havia mandado. Seu pai o seguiu durante todo o trajeto e um calafrio subiu por sua espinha quando ele adentrou em seu quarto.
- Espero que isso não volte a acontecer. - Foram as últimas palavras que ele ouviu do seu pai naquela noite até que ele se retirou do quarto, fechou a porta e trancou Namjoon lá dentro.
Com o passar das horas, Namjoon percebeu quando os convidados começaram a ir embora. As gargalhadas e as conversas baixaram o tom e ele já não ouvia tantos passos pela casa. O seu nervosismo começou a aumentar, seu pai provavelmente estava tramando para castigá-lo quando todos saíssem, algo que nunca tinha acontecido.
O senhor Kim tinha uma reputação e as pessoas que com ele conviviam permaneciam ao seu lado por medo, fazendo-o aproveitar qualquer oportunidade de aumentar esse temor nelas. O fato de não ter feito nada enquanto todos estavam presentes, fazia com o que o seu temor aumentasse. Namjoon buscou uma faca embaixo do seu travesseiro para se defender e ficou a postos, temendo até que ponto o seu pai poderia chegar naquela noite.
No entanto, ele não veio.
Não havia mais nenhum som, nenhuma luz, nenhum sinal de que tinha alguém na casa e Namjoon ficou horas esperando até que o seu pai aparecesse, mas acabou por adormecer. Ele só recuperou a consciência quando escutou um gemido familiar e logo em seguida um grito aterrorizante que o fez pular da cama no mesmo instante.
- Wil. - Falou temeroso indo até a janela de seu quarto que dava para o canil. - Will. - Ele o chamou temendo o porquê do seu choro e se culpou.
Não devia ter testado o seu pai, pensou arrependido. Sabia que em muitas das vezes a liberdade de alguém custava a sua morte e ele tinha gerado a pior para o Will. Namjoon conhecia o seu pai e sabia que se não o matasse, faria sentir dor pelo o resto de sua vida. - Will! - Gritou batendo na grade ao ouvir o choro do cachorro aumentar. - Por favor. - Falou entre soluços. - Desconte em mim, por favor! - Ele gritou e clamou repetidas vezes, mas não houve resultado. Ninguém apareceu e Will estava preso onde ele não conseguia ver.
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Blood Color | Kim Taehyung
FanfictionNem todo passado é tranquilo e fácil de superar, o de Kim Taehyung é um exemplo. Antes mesmo de ser apresentado ao amor, ele conheceu o ódio e isso desalinhou seus pensamentos construindo em suas lembranças ao invés de pessoas, demônios. No entanto...