BIRO: 🤑
"Às vezes, a bala não mata… mas o sistema faz questão de enterrar vivo."
Antes:
Era uma quarta-feira, Daquelas que o céu fecha e o vento muda, No rádio geral tava pilhado, e o corre dizia que os cana tavam se armando pra invadir, A gente já tinha vivido isso antes, mas alguma coisa naquela noite parecia diferente.
Eu tava com os moleque no beco da lateral, reforçando contenção, O Dedel passou a visão no rádio.
Dedel: Tropa no túnel! Cês que tão no alto, se arma, Eles vão subir tudo, É agora.
O coração bateu mais forte, Não era medo, Era instinto, Quando cê vive na favela, o medo vira músculo, E eu já tinha perdido irmão demais pra saber que cada vez pode ser a última, Essa porra aí tava acontecendo por causa daquele filho da puta, fazia parte dos cu azul e subiu na minha favela despercebido, vou meter bala nos cara da contenção.
Nem posso cobrar tanto, Era os novatos que tavam fazendo a contenção naquele dia, esses filhos da puta são treinado pra desconfiar até dos de dentro e não deixar os de fora entrar, essa porra aqui é proteção 24 horas, né atoa que os cara vira a noite pra fazer a segurança de muitos aqui.
A troca de tiro estourou, As vielas acenderam em lampejos de fogo, A gente rebatia como dava, enquanto o eco das armas rasgava o morro.
Vi um moleque cair, nem devia tá com arma na mão ainda, Gritei, mas ele já tava deitado, o sangue alastrando a camisa, O boné caiu longe, Era o Tiquinho, Só tinha 15 anos, A raiva subiu como febre.
Neguinho: RECUA! RECUA PRO FUNDÃO! – gritou no rádio.
Eu desci pela lateral, entre os barracos, achando que ia conseguir sair pelo túnel de trás, Só que os cana tavam mais ligeiro, Já sabiam o trajeto, No meio do caminho, senti o feixe da lanterna no rosto.
Polícia: ACHAMOS O BIRO! É O BIRO, PORRA! TAMO COM O BIRO AQUI!
Não deu tempo, Tentei puxar o fuzil pra frente, mas veio uma coronhada seca na têmpora, O chão me abraçou com força, Ainda escutei risada.
Polícia 2: Agora cê não é mais valentão, né, vagabundo? Vai pagar tudo hoje!
Fui imobilizado com o joelho nas costas, mão torcida, sangue escorrendo do supercílio.
Policial: Quem manda agora é a farda, lixo, Te achamos, Te quebramos, Vai pra vala do sistema, otário.
Polícia 3: Biro! Finalmente, Cê vai apodrecer, chefe.
Amarraram minhas mãos como se eu fosse bicho, Me jogaram na parte de trás da viatura como se fosse saco de lixo, Vi o morro ficando pequeno pela janela trincada, Vi a vida sumindo atrás da fumaça do cano.
Naquele momento, eu não era o Biro,Era só mais um número no camburão, Mais uma vida preta engolida pelo concreto da cidade.
"Aqui dentro, o tempo não passa… ele castiga."
Quando os portão fechou atrás de mim, eu entendi, Não era só o barulho do ferro, Era a sentença que ninguém escreve no papel.
O camburão freou seco, e me jogaram pra fora na entrada da penitenciária igual mercadoria vencida, Eu tava com o olho roxo, costela ardendo, e a cabeça latejando da coronhada, Os polícia ainda riam.
Polícia: Se cair, não levanta mais, Biro, Aqui não tem morro teu, não.
Me empurraram pra revista, Tiraram tudo, Rasgaram minha roupa com tesoura, olharam cada parte do meu corpo como se eu fosse lixo, Tava frio, Na minha pele, não era só vergonha, era humilhação pura.
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Sob O Morro
Fanfic📍Rio de janeiro, Rocinha +18 Eu não sonhei em ser dono de morro, só fui vivendo, Quando vi, já tava com fuzil no ombro, nome na boca da polícia e respeito na quebrada, Aqui, quem anda devagar vira alvo, quem ama demais vira fraqueza... mas mesmo no...
