12: Treze doses por um Jade

109 14 111
                                    


Carta: Ás de copas. Nesse caso, significa beber.

A campanha de Frederico Dantas corria do lado de fora, uma carreata passando com grandes bandeiras do rosto do homem estampado. Abigail olhou pela fresta da garagem aonde estava coordenando as atividades de seus funcionários.

Se fosse tarde da noite ela provavelmente se fecharia em sua suíte alugada, mas não tinha paz mental para isso no momento, seus problemas tinham nome e sobrenome.

Áster Crisântemo.

Há anos atrás, aquele grupo se aproximou do Candace, quando ele ainda era de seu pai. Ele era um homem que não lhe dava espaço nem direito de fala, intragável a ponto de sempre humilhar ou fazer com que Abigail se calasse. Justo ela, que sempre quis se impor.

Bom, na cidade aonde se encontraram o velho foi deixado por ela, Abigail finalmente tomou e reformou o circo dele absolutamente, depois de anos subjugada era o seu absoluto limite; sempre detestou ser mandada por outra pessoa, sempre odiou incompetência e não ser ouvida.

Abigail tinha nascido para liderar e ponto final.

Era o primeiro ano em que tinha poder total sobre o circo e seus funcionários, e testando as possíveis habilidades de quatro daquelas pessoas, já viu talento imediato em alguns, como Dálio. Depois de alguns dias em que ficaram a vontade para demonstrar como realmente eram, ela viu quando o garoto muito facilmente acertou alvos usando dardos de plástico. Quimera não levava jeito para muita coisa, mas era uma mulher bonita, então podia aprender. Narciso nunca lhe disse nada além de murmúrios sem muito significado, e na maioria das vezes não falava realmente nada. Carregava as coisas pesadas e ponto.

Restavam dois.

Áster parecia liderar o pequeno grupo, mas não era algo que o próprio parecesse saber bem. Os outros olhavam para ele sempre que alguma pergunta era feita, esperando uma direção, ele falava alguma coisa e todos concordavam. Quando ele foi testado para mira, contorcionismo, dança, os resultados não foram nada extraordinários. Mas bastava que tivesse um baralho em mãos, e aquela pessoa misteriosa de um riso irônico demonstrava grandes habilidades de enganação e distração.

Por último...

Uma garota extremamente mal humorada, que nunca tinha feito esforços por etiqueta ou educação para ser gostada por alguém ali. É claro que os olhos de Abigail se voltaram para ela, e testá-la levou um longo tempo de avaliação de sua parte, ao longo de ensaios de horas.

Não importava o que fizesse ou falasse, Emília nunca obedecia.

Bom, no fim das contas eles foram peso morto, que impulsionaram o circo por alguns anos, mas ainda assim no fim não tiveram competência e comprometimento para ficar.

Era isso que ela repetia a si mesma, evitando maiores reflexões sobre o assunto.

Tinha lhe restado uma equipe com um palhaço, um homem com nanismo, ela mesma que desempenhava a mulher barbada, a ruiva que conheceu depois que o grupinho foi embora, Brutus e uma mulher chinesa da qual só tratava a respeito de dinheiro, porque as duas realmente não se entendiam no sentido literal.

A questão era que Abigail não conseguia deixar ir tão facilmente. Áster era a mente diabólica que tinha arrastado quase metade de seu pessoal junto com ele, levado a maior tenda e aberto o próprio circo.

Ao menos se era impedida de se apresentar pelo prefeito, também tinha conseguido fazer com que ele recuasse bom um bom tempo junto. Não importava quanto tempo tivesse que ficar na cidade, nem quanto de seu dinheiro tivesse que gastar para manter sua própria tropa de inúteis em São Aquino Branco. E quando tivesse derrotado Áster completamente, ofereceria o emprego de volta para todos com prazer.

A Queda de ÁsterOnde histórias criam vida. Descubra agora