Retomei a consciência aos poucos sentindo minha cabeça queimar e meus pulsos latejarem apertados por amarras de nós fortes, assim como meus pés.
Olhei ao redor tentando acostumar os meus olhos com o ambiente pouco iluminado. Foquei em uma figura feminina a poucos metros de mim, encostada na parede, algo reluzia em suas mãos e percebi que era uma espécie de adaga.
- O que você quer? - perguntei entredentes elevando a voz.
- Nada específico, só não sou muito fã de defensores, menos ainda se a defensora for você. - ela deu um sorriso forçado e se aproximou de mim. - Sinceramente não sei o que a Vi viu demais nisso aqui... - ela colocou a adaga fria no meu queixo e levantou o meu rosto, o analisando.
- Então isso tudo é por causa da Vi? - virei o rosto me esquivando dela.
- Também... - ela começou a andar enquanto falava- Sabe, desde pequena aqui na subferia, eu observava e admirava a Vi, mas é claro que ela nunca me notou. E eu também cultivei um ódio imenso por defensores, sempre vindo até aqui e fazendo o que bem entendiam com o povo. Patéticos e escrotos!
- Eu não sou como eles. - falei baixo e ela deu uma risada alta.
- Tem razão, você é ainda pior. - Andou rápido em minha direção e deu um tapa alto e forte no meu rosto. - Filhinha de conselheira e papai rico, mimada e sempre olhando pro próprio umbigo. Há 10 anos eu não vejo o meu pai, nem ao menos sei se ele está vivo ou não, e tudo porque os defensores o levaram em uma ronda, uma ronda aprovada pela sua mãe.
- Ela não é a única conselheira. Todos decidem essas coisas. - respondi ríspida.
- Eu sei, mas já que você anda por aqui, decidi aproveitar a oportunidade. - ela me lançou um olhar de ódio e uma dor atingiu o meu ombro, ela havia feito um corte profundo com a adaga. O sangue quente escorreu manchando minha camiseta e vi ela limpando o instrumento na sua saia - Espero que goste do nosso tempo juntas tanto quanto eu. - ela disse sorrindo e sumiu de vista, senti mãos pesadas segurando minha cabeça e enfiando uma mordaça na minha boca. Tentei me desvincilhar mas era inútil.
Ouvi eles saindo da sala e tudo ficou em silêncio. Eu precisava achar uma maneira de sair daqui antes que essa louca me matasse.
Pov Vi
Andei até a grande árvore e Ekko conversava animado com algumas crianças, ele me viu e veio em minha direção.
- Achei que a Kiramman estivesse com você. Ela disse que ia te chamar e já voltaria. - fiz uma cara não muito boa com a menção do nome dela e ele percebeu - Aconteceu alguma coisa ?
- Aconteceu. Eu disse que não podia ficar com ela e provavelmente ela foi embora. - ele deu um peteleco dolorido na minha testa e eu o encarei com raiva.
- Você é uma idiota, Violet. Espero que saiba disso. - claro que eu sabia. Mas também sabia que a vida não era nenhum pouco justa.
Dei as costas pra ele e Rowina surgiu na minha frente, sorrindo e mexendo nos cabelos. E lá vamos nós, meu humor já estava péssimo e ela só piorava tudo.
- Oi Vi! - disse em um tom meloso - quer sair pra tomar algo comigo? - fechei a cara, ela estava mais estranha do que o normal, animada demais, e notei uma mancha vermelha em sua saia, pouco me importava se ela tinha se machucado. Eu só queria distância daquela garota.
- Não tô no clima pra isso. - disse passando por ela e saindo dali em direção a qualquer lugar onde eu pudesse beber alguma coisa forte.
Acordei sendo sacudida por alguém e não entendia nada do que a pessoa falava. Abri os olhos e estava na minha cama, como tinha vindo parar aqui eu não lembrava.
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Love is a battlefield
Science FictionQuando Vi disse que as duas eram como "água e óleo", todas as esperanças de Caitlyn se foram. E por mais que Vi desejasse estar com ela, sabia que um abismo separava as duas. Seria possível achar uma forma de fazer isso dar certo, mesmo com a amea...