Capítulo 18

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A vista não era tão bonita dali quanto imaginara, mas mesmo assim era algo de se admirar. Naquele terraço, o vento frio batia em seus cabelos e beijava seu rosto. A sensação era boa e libertadora ao mesmo tempo. As casas do subúrbio de Londres poderiam ser, muito bem, casas de famílias ricas em vários lugares do mundo. Pensar nisso, fazia com que o bairro parecesse muito mais rico do que realmente era.

Ao escutar a porta se abrir, vira-se para trás e, com um aceno de cabeça, cumprimenta-a.

- Pensei que não viria mais - ele falou, mas apesar de seu tom de voz ser sério, não havia repreensão alguma. - Aconteceu alguma coisa que eu deva saber?

- Para falar a verdade, agente, me surpreende que você ainda não saiba.

Ele franziu a testa, curioso.

- Se me contar, talvez eu saiba de algo. Ainda não adquiri poderes para ler mentes.

- Talvez se deixasse o seu trabalho e fosse fazer stand-up, você seria menos aborrecido.

- Não diga besteiras. Se estivesse na minha situação, entenderia que não é tão simples.

- Seria se não fosse um mentiroso.

- Mas como isso não é da sua conta, vá direto ao ponto - ele resmungou.

- Certo. Me desculpe. Bom, o nosso amigo foi baleado hoje. O tiro passou de raspão, mas pelo que entendi no rádio, o próprio restaurante que chamou o socorro.

A atenção do homem agora estava completamente voltada para a mulher em sua frente. Nem mesmo a brisa, que minutos atrás achara tão boa, agora lhe chamava a atenção.

- Acha que perdemos uma oportunidade hoje? Quero dizer, ambos estavam naquele restaurante e não fizemos nada. Acha que era a hora certa? - ele questionou.

- Não. Definitivamente não. Em teoria eles estavam apenas jantando e não havia como provar qualquer coisa - a mulher se aproxima do parceiro, encostando-se no parapeito que estava diante deles. - É apenas isso que está te chateando?

— Como assim? — ele perguntou, virando a cabeça para olhá-la.

— Ah, por favor! Conheço você há anos. Sei que tem mais alguma coisa perturbando você. Alguma coisa conjugal?

— Só quero que isso acabe logo. Já faz anos e, mesmo assim, nunca tivemos a chance de pegá-los. Eu estou... Estou cansado de tudo isso. Você não?

— Tanto quanto você. É tudo tão desgastante. Apesar de serem situações diferentes, nossos motivos não deixam de ser semelhantes. Talvez por isso estejamos assim.

— Provavelmente. Mas mudando de assunto... Você tem alguma notícia da central?

— Tão calados quanto as vítimas do nosso adorado casal. Mas pensando pelo lado bom, estamos prestes a fechar o cerco. Não falta muito tempo agora.

— São anos vivendo nessa mentira, agente VonPirrre. Meu casamento não está lá essas coisas e às vezes... Às vezes eu esqueço quem eu realmente sou. Me perco no personagem, mas não posso fazer nada a respeito.

— É como eu disse: tudo acabará em breve. Agora o melhor que tem a fazer é ir para casa.

— Na verdade, vou ficar na cidade alguns dias. Mas de toda forma, é melhor mesmo eu ir.

— Vai ficar hospedado naquela casa próxima à minha?

— Como todas as outras vezes.

— Faça isso então.

Assassina de Luxo [Concluído]Onde histórias criam vida. Descubra agora