Estruturas Abaladas

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Ele respirou fundo.

Não estava há mais de vinte e quatro horas em Tóquio, mas o caminho até ali pareceu uma vida inteira. Talvez fosse, refletiu enquanto pensava sobre tudo o que fizera e no que havia resultado — não que fosse um santo, mas Sasuke ainda se sentia injustiçado quando pensava em cada palavra do irmão mais velho.

E o pior de tudo era que ele era o único a que podia recorrer.

Era verdade, se desesperou quando Hinata fez o escândalo na faculdade, mas ele próprio sabia que não tinha sido assim, era apenas o jeito exagerado da Hyuuga. Passou a mão no canto esquerdo do maxilar, ainda sentindo o soco que Itachi havia deixado horas antes. O golpe não fora nada em comparação à reação histérica do irmão: nunca vira Itachi tão transtornado, decepcionado e triste ao mesmo tempo. Não daquela forma.

Era como se Sasuke tivesse dito a ele que havia matado alguém que ele amava. Havia o encarado com horror, gritado sobre como ele estava errado sobre Sasuke, sobre como Sakura estava certa em pular fora, em como doía ter um irmão covarde — nunca tinha visto Itachi gritar antes. E foi como levar um tiro.

Tentou argumentar, dizer que não havia acontecido nada, ele apenas tinha se excedido, ficado nervoso — todos sabiam como Sasuke perdia a paciência fácil. O irmão recusou a justificativa, dizendo que justamente porque o conhecia, sabia que era o que havia acontecido, sim. Essa era a razão da rosada se recusar a voltar, mesmo o amando tanto, se destruindo tanto. Ele se sentia um idiota em não ter percebido antes. Sentia vergonha da menina que o amava como um irmão, porque ele não a protegeu. Ele era sua família, e a negligenciou. E ainda teve a ousadia de se ressentir dela quando a Haruno finalmente deixou Sasuke para trás.

E Sasuke pagaria por todos os seus erros, prometeu ele. Itachi garantiria, em pessoa, de que ele fosse ao menos intimado. Não seria irmão de um covarde, e mesmo que o amor que sentia o levasse a tentar impedir que Sasuke sofresse as consequências mais severas, mas merecidas — e como detestava isso, porque sabia que se fosse um desconhecido, trabalharia até o último de seus esforços para que o bastardo apodrecesse na prisão — ele pagaria. Ao menos um pouco.

E todos os Uchihas saberiam o motivo daquela viagem às pressas — sob o pretexto de uma especialização imperdível, quase um negócio para o Uchiha Law & Order. Sasuke suspirou. Por um lado era bom ter deixado Konoha — assim não precisaria ver a reação de sua mãe, seu pai e todos os outros. Além do mais, Sakura provavelmente se aproximara ainda mais de Neji, depois daquela noite trágica. Seu peito doeu em ciúme. Perguntou-se o quanto o Hyuuga sabia, o quanto entrara em seu coração.

Esse pensamento fê-lo estremecer.

Deitou na cama do hotel e enfiou-se debaixo das cobertas, deixando-se consumir por pensamentos destrutivos, auto piedosos e especulações sobre a ex namorada. Entregou-se a bola maciça de autodestruição que se tornou sua mente e decidiu que nunca mais levantaria dali. Afinal, que propósito ele tinha?

Não deixou de pensar que, em algum momento, Sakura se sentiu da mesma forma, talvez até tivesse feito a mesma coisa.

E isso o fez se sentir ainda pior.

Sasuke ignorou todas as mensagens, ligações e chamadas de vídeo. Ignorou a camareira que bateu às 19hrs anunciando o jantar. Ignorou o gerente que o chamou através da madeira branca e forte, "preocupado" com seu bem estar.

E quando a chave extra destrancou a fechadura e o funcionário entrou, temendo encontrar o hóspede desmaiado, ou pior, morto, Sasuke reagiu. Foi como uma explosão.

Ordenou, aos berros, que todos fossem para o inferno e cuidassem de suas vidas. Não houve discussão, a voz da camareira e do gerente se calaram enquanto o garoto ameaçava fazer o check-out e se hospedar em outra merda de hotel, onde não fosse incomodado.

Qᴜᴀɴᴅᴏ (Nãᴏ) Cᴏɴᴛʀᴀᴛᴀʀ Uᴍ Nᴀᴍᴏʀᴀᴅᴏ ᴅᴇ Aʟᴜɢᴜᴇʟ, NᴇᴊɪSᴀᴋᴜOnde histórias criam vida. Descubra agora