Como ele fazia aquilo?

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Zabdiel On:

Minha vida era pacata e rotineira, eu nunca fazia algo diferente. Todos os dias pela manhã ia pra escola, à tarde eu saia do orfanato e caminhava até a floresta, onde ficava lendo, fazendo tarefas da escola, estudando para provas, quando tinha alguma, ou apenas compondo músicas. Por volta das sete da noite, eu voltava para o orfanato. Após jantar, ficava na praça observando as estrelas até que o sono chegasse, e assim eu caminhava para o orfanato novamente e iria dormir, após me preparar para o dia seguinte.

Aos finais de semana e feriados, esta rotina mudava, como não havia aula eu ficava o dia inteiro sozinho na floresta, normalmente lendo.

Eu amava ler, era o meu hobby favorito.

Eu havia pegado esse hábito com minha mãe, que sempre lia livros para mim. Lembro que ela sempre fazia vozes engraçadas e diferentes para os personagens, quando eles estavam falando, e eu me divertia ao ouvir ela contar aquelas histórias tão diferentes e fascinantes. Um belo dia pedi pra ela me ensinar, o que a fez sorrir ao assentir.

Eu não tive muita dificuldade para aprender a ler e minha mãe era bem paciente ao me ensinar. Praticamos todos os dias. Primeiro ela me ensinou as sílabas, depois como juntá-las. Pouco tempo depois, eu consegui ler uma frase inteira, sem muita dificuldade. Dias depois consegui ler um parágrafo inteiro, e embora eu trocava algumas letras de algumas palavras não sentia tanta dificuldade e então continuei praticando, até que consegui ler uma página inteira, e depois outra, outra e outra, até que quando menos esperei já tinha lido aquele livro inteiro.

O Pequeno Príncipe, esse foi o primeiro livro que eu li e depois dele vieram vários outros. Até eu chegar na minha saga de livros favorita, Harry Potter, que atualmente eu já perdi as contas de quantas vezes os li.

Foi a partir dessa saga que eu comecei a acreditar que a magia poderia existir. Eu me senti tão conectado com aqueles livros e tão conectado com aquele mundo, que para mim ele era real. Para mim aquela magia realmente existia em algum lugar e eu tinha certeza que um dia eu a encontraria, mas é claro que dizer isso para as pessoas fizeram elas me considerarem um maluco e se afastarem ainda mais, se é que é possível, de mim.

Embora eu finja não me importar, esse afastamento das pessoas me magoava. Todos os dias quando estava caminhando pela calçada, se vinha alguém pela mesma, a pessoa cruzava a rua para não ficar perto de mim. Quando eu cumprimentava alguém era ignorado e o pior de todos, as crianças tinham muito medo de mim.

Lembro que um dia uns meninos havia prendido a bola numa árvore, eu como estava de passagem resolvi ajudá-los, mas quando cheguei perto eles saíram gritando amendoados coisas como: "o Monstro tá aqui" e "Demônio veio pegar a gente" enquanto saiam correndo e isso doeu bastante. Parecia que eu tinha levado uma facada no peito e aos poucos meus olhos foram marejando, até as lágrimas discretas e silenciosas descerem banhando o meu rosto.

Enquanto caminhava para a floresta naquele dia, eu apenas pensava que se algum dia existiria alguém que não me veria como um monstro e sim como eu sou de verdade. Se algum dia alguém iria me ver como um amigo, se algum dia alguém gostaria de me ter ao seu lado. Eu só não sabia que isso ia acontecer mais rápido do que eu esperava.

°°°°

Era sábado de manhã, e eu já me encontrava na floresta, caminhando até onde havia um galho caído, onde eu sempre sentava quando ia para lá. Hoje, no caso, eu ia fazer alguns exercícios de física que meu professor havia passado.

Ao chegar no meu destino, me sentei e peguei meu caderno começando a tentar resolver aquelas contas tão complicadas. Fiquei um tempo quebrando minha cabeça com aquilo, que devia ser Energia Cinética, quando ouvi um grito alto e aparentemente desesperado.

Ao ouvir aquilo, parei com o que estava fazendo e entrei em estado de alerta olhando ao redor procurando, mesmo que em vão, descobrir o dono daquele som. Fiquei assim por alguns minutos, até que desisti pensando ser apenas a minha imaginação fértil trabalhando, quando ouvi outro grito.

EU VOU MATAR VOCÊS!

Rapidamente ao ouvir essas palavras, eu me levantei extremamente assustado, mas diferente do que qualquer outra pessoa normal faria, no impulso, eu comecei a correr em direção da onde eu achava ter ouvido a voz, na esperança de poder ajudar quem quer que fosse.

Eu sempre fui muito impulsivo, nunca pensava muito antes de agir, ou melhor eu nem pensava antes de agir. Normalmente eu agia baseado no meu instinto, e ele naquele exato momento estava mandando eu correr em direção a pessoa do primeiro grito e proteger ela. Como? Eu não sei, mas faria.

Eu continuei correndo pela floresta enquanto observava ao redor procurando alguém ou algo que me desse um sinal que eu estava perto, mas nada aconteceu, então eu apenas parei um pouco para descansar e foi aí que ao longe eu vi três rapazes.

- Calma Richardizinho!

Ao ouvir essa fala eu fui me aproximando lentamente e fiquei observando escondido atrás de uma árvore, enquanto procurava quem deveria ser a ameaça e quem eu deveria salvar.

- CALMA É O CARALHO! SEUS IDIOTAS. VOCÊS TEM NOÇÃO DA MERDA QUE FIZERAM?

Essa voz. Essa é a mesma voz do grito que me impulsionou a vir até aqui. Pensei, enquanto voltava minha atenção para o mais baixo dos três, que encarava os outros dois com um semblante irritado.

- Irmão, sei que tu é pequeno, mas não precisa gritar nós te escutamos muito bem!

Mudei minha atenção para o rapaz de cabelos platinados, que falava para o menor em tom brincalhão. Aparentemente tudo estava bem, e ninguém iria matar ninguém. Então, resolvi voltar para onde tinha deixado meus pertences e continuar a tentar resolver as contas, mas quando fiz menção de me virar, eu vi algo que me fez congelar no mesmo lugar.

O rapaz mais baixo do três, tinha feito um raio atingir o rapaz de cabelos platinados, apenas com um simples movimento de mãos, fazendo o mesmo ter apenas um choque que deixou seus cabelos muito bagunçados.

- Quer levar um também?

O baixinho voltou a dizer enquanto soltava várias faíscas de raios pelas mãos, para o rapaz de cabelos pretos que estava gargalhando da situação.

Eu me sentia hipnotizado com aquela cena. Como ele fazia aquilo? Era o que eu me questionava, porém antes que pudesse pensar em outra coisa por impulso fui saindo de meu esconderijo e me aproximando deles.

- Como você fez isso?- perguntei atraindo a atenção dos três para mim.

Zabdiel off!

Notas da Autora:

Menção honrosa para: Richard baixinho invocado jogando raios no Chris pq ficou irritado ao ser chamado de pequeno.

Kkkk

Bjs e até o próximo!

I'm Zabdiel, Just ZabdielOnde histórias criam vida. Descubra agora